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Crônicas-->O lobo e a menina -- 17/11/2019 - 19:26 (Padre Bidião) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

O lobo e a menina


Com a lembrança de uma menina estranha diante de um mundo convencional, pois morava num sítio cercado por mata virgem, havia um lobo que sempre de longe a observava. Apesar de ser uma fera, o lobo tinha receio de se aproximar da menina e ela se assustar. Ele sentia fome e sede, principalmente em dias onde as noites eram clareadas pela lua cheia. Na força da lua, numa sexta feira se manifestou um ser humano sem saber nada do processo de transformação na dualidade homem/lobo e lobo/homem.
A Matriz com seus badalos no alto sertão, anunciou meia noite e um urro silencioso de um ser sendo vencido pelo lobo para caçar na matina. Seus caninos afiados, morderam a garganta na sede lobo para o desejo lobo que venceu o homem. Um predador com endereço certo para surpresa de sua presa, com reuniões à luz do dia para ser jantado no silêncio madrugador de um justiceiro lobo. Era um homem silencioso que, por muito tempo, viveu hospedado numa pensão. Educado,gentil e sagaz no olhar, tomava café pela manhã enquanto escutava as histórias gente, fitando cada momento no momento. Enfim, um ser estranho e destemido no bote sem recuar, ao ataque predestinado, uma vez que a visita do lobo não tinha retorno. Tinha seus dias de fera e ouvidos atentos, mas algo na cidade chamou a atenção do lobo. Uma jovem que o observava com respeito e dedicação, tinha uma atenção e gentileza ao estranho. Ela não perguntava nada da vida dele, apenas amava e sentia protegida.
O urro das madrugadas tenebrosas assustava o povo com sangue e no dia seguinte, era a Manchete. As pessoas comentavam no café da manhã e lá a dualidade fera adormecida e o senhor sentado na mesa, educado, gentil e escutando tudo e todos, uns desejavam esquartejar a fera e a menina que olhava com carinho no silêncio dela o hospede decifrando sua alma Lobo. O enigma havia sido decifrado pela jovem, enquanto um mundo gente era devorado. A menina guardava o segredo assentido do olhar lobo, pois ela sabia que o silêncio da fera era dela. Uma certa feita, no momento de retornar para o ser gente, teve um atraso e o lobo trouxe uma bala na perna para o homem que precisou de repouso e silêncio para calar os curiosos. Ela cuidou sem perguntar o porquê o amor pelo lobo era maior que o tamanho menina. O urro dele era cantigas para o ouvido menina, pois ela amava o estranho Ser. Havia entre os dois, uma comunhão do lobo e a curuminha, e o enigma sempre em segredo era mantido. O silêncio era a comunhão com mais discurso nos eus simbióticos, onde o lobo dava energia e vida, e em troca, a menina o alimentava e embarcava junto ao lobo por entre as florestas sem que houvesse medo ou receio.
Foram décadas assim. Após a morte do lobo ela segue sem medo, uma vez que o lobo ensinou a menina como viver no mundo gente. Uma vez,  nas altas horas da madrugada, a fera chegou e a menina beijou na testa do lobo e ele seguiu em passos rápidos antes do Sol. Manhãs de silêncio e noites agitadas. O lobo era vigilante eterno da menina. Ele urrava que assustava gente, e ela cantava para a fera que dormia e ficava silenciosa...
O lobo dormia com os mortos, durante o dia observava e a noite sangrava numa sangria predestinada à pureza da menina, conquistou a fera. A Cidade tinha uma cruz no alto e a menina sabia onde encontrava sua fera quando não o via ou demorava a aparecer, pois além de uma simbiose havia entre eles uma sintonia. A menina era sofrida pelos humanos do lugar até não ter conquistado o lobo como aliado e companheiro. Ele adormecia ao pé da cruz no silêncio do escuro e via a cidade do alto. O lobo tinha um código de honra e não atacava crianças.
Mas numa noite, devorou um agiota que deu uma carreira num pastor afilhado de um deputado que ao saber ficou assustado. A menina guardava sempre os segredos de sua fera que por ela era amada.
A caçada era uma ou duas vezes no mês, pois só assim a fera se mantinha em pé para continuar vivendo.
A parte humana do lobo participava de reuniões e trabalhava a agenda com respeito às caras que tinha que encarar. A menina salvou muitas vezes a fera só com o olhar. Era uma cumplicidade mímica, ela e o lobo, conversavam com os olhos. Quando sentia a fera muito exaltada, ela colocava as mãos nas mãos da fera e olhava nos olhos. Freando a sangria do sagrado monstro dela para que ele ao descer do alto onde havia uma cruz, a encontrasse com a leveza de coração na ação simbiótica, simbólica e mímica que nutria a relação entre o lobo e sua menina. Passeavam então, pela cidade sem receio pois a cidade era vazia de corajosos que ao avistar a menina e o seu lobo, não saiam de suas casas. As janelas eram imediatamente fechadas e as tradicionais conversas de calçadas, não existiam, por receio da dupla que tinha todo o mapa da cidade que os conduzia à tão desejada caverna do lobo e da menina.


Marcos Palmeira

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