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Crônicas-->1986 - Mais Palavreado -- 17/11/2019 - 15:59 (Jairo de A. Costa Jr.) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

1.986 – Mais Palavreado

Ô meu chapa, tudo bem? Neste caso, chapa pode ser um amigo, um chegado de trocar figurinhas, mas como eu me lembro, daquela época que eu vivia pendurado nos caminhões do meu pai, é que chapa era o ajudante que carregava e descarregava o caminhão e de alguns deles eu me lembro: o Zacarias, o Roque Branco, o Roque Preto, o Todão, boas pessoas que ficavam em volta da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia e seguiam com a gente para as cargas de batata, uva e descargas de adubo e de sementes.

Depois, lá pelo Mato Grosso, os chapas eram os que descarregavam as cargas de cimento e ainda hoje você os encontra aqui em São Paulo, pelo Ceagesp e pelas transportadoras; na região de Piracicaba eles ficam nas entradas das cidades. São informais e desempenham uma função importante no auxílio aos motoristas.

Sabiam que o motorista pé-de-cana é o que bebe e dirige, o que deve ser terminantemente proibido; que o poeirinha é o que trabalha em estradas de terra; o queimador de borracha é o que não sabe usar os freios; cheiroso é o caminhão que transporta suínos; que beberrão é o caminhão que gasta muito diesel; bucha é um serviço ou carga ruim; bicheira é o caminhão que quebra muito e o camisa dez é o patrão.

Tem mais, o zéruela, o cachorro-louco, o condenado, o cupim-de-aço, o pantaneiro, o pé-de-barro, o perneta, o tubarão, o forgado, a areia doce, barriga de aço, o condenado, o esparadrapo, palito doce, vitamina de minhoca; todos esses que tirei de uma matéria da revista Caminhoneiro, mais cristal que é a esposa e cristaloide que é o filho.

De todos, o pior é o atravessador, que fica entre a carga e o caminhão, provocando perdas aos caminhoneiros, mas infelizmente, atravessador tem em qualquer lugar e dá mais que chuchu na serra. Ficam que nem moscas, zunindo pelos postos da vida, porém também se aboletam de boas mesas em escritórios com ar-condicionado. Fazer o quê, dizia meu pai e também não sei o que fazer; sei lá, deve ser um mal necessário e vamos que vamos, o caminhão está carregado e precisa puxar a carga até o seu destino, pegando o estradão.

Esse palavreado está sendo alterado, pois o universo dos profissionais do volante está mudando com a introdução de novas tecnologias, mas troca de gírias deverão continuar acontecendo entre eles, só que novas e pelos celulares, pelos rádios, pelos uatizaps e pelos que vierem.

Os caminhões novos são todos conectados e até alguns implementos também são e as montadoras estão se orgulhando dessas novidades. Na última Fenatran estar conectado é o que estava na pauta. Nessa mesma revista Caminhoneiro, numa matéria chamada “De mãos dadas”, ela afirma que o caminhoneiro pode contar com a ajuda das tecnologias, por mais economia, produtividade e disponibilidade do veículo.

Eu me pergunto – E a grana? O que isso pode melhorar o frete, palavreado importante na profissão, e o frete? Antigamente, na época do meu pai, frete bão mesmo era aquele onde o transporte era pior, onde a estrada não prestava e o destino era onde ficava o fim do mundo, por exemplo, Belém do Pará, pelos dois mil quilômetros de estrada de chão, a famosa Belém-Brasília. Depois Porto Velho, onde só passava toco e o barro era o que tinha, após Cuiabá. Claro, que tudo virou história e que hoje o asfalto já chega por lá.

O início dessa matéria “De mãos dadas” diz que as tecnologias são as verdadeiras amigas dos caminhoneiros. Eu digo que o frete bão mesmo é quem continua sendo o verdadeiro amigo de verdade. É ele que o mantém na estrada apesar dos pesares e até da falta de tecnologia e naquela época, o que o meu pai mais queria de tecnologia era um telefone uma vez por quinzena para poder ligar para minha mãe e dizer que tava tudo bem.

Neste domingo de dezessete de onze de dezenove, tecnologia é bem vinda e vai alterar o palavreado, como o “lay shaft brake”, um sistema de freio de eixos como padrão nas caixas Opticruise. Só me resta pedir socorro!

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