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Cartas-->Deus, eu imploro. -- 15/12/2011 - 13:19 (Juliana Mendes Velludo Guidi) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Deus, não faz isso comigo. Não leva a tia Janja. Ela é a mulher mais incrível desse mundo e todos nós precisamos dela. Já não basta a dor que estou sentindo? Perdi-me com essa notícia de uma nova cirurgia.  Por quê?! Por que uma pessoa tão especial? Uma mulher que lutou tanto pela família! A melhor amiga que temos! Está doendo muito! Não sei lidar com isso. Mal posso ver as teclas com os olhos vendados pelas lágrimas... DOENÇA MALDITA! Eu quero a tia Janja de volta! Não faz isso comigo!
Preciso me recompor para visitá-la. Não quero que ela me veja asim. Sempre fomos amigas e eu só soube falar de amor para ela. Não vou falar de dor agora. Até o último dia só vou falar de coisas boas. Basta o que ela está sofrendo. Ela está sofrendo, Senhor! Se tem uma pessoa que não merece sofrimento, essa pessoa é ela! Ai! Que pancada levei!
Agora me vêm as lembranças. Lembro-me de quando eu estava grávida e me sentia insegura com o jeito autoritário da minha sogra. Eu já amava o Carlo e sentia medo de perdê-lo. Bobagem minha, hoje vejo o quanto fui tola. Mas fui falar com a tia Janja, a psicóloga da família toda rs. Eu fazia Letras na Barão e estava grávida de uns sete meses, eu acho, quando pedi para que a tia Janja me recebesse em sua sala. Ela é tão encantadora que desmarcou um compromisso para falar comigo. Saí da aula e fui à sala dela. Nesse dia, ela me disse muitas coisas sobre a família. Sobre o jeito controlador da minha sogra. Ela ouviu minhas queixas e me tranquilizou. Fez mais, ficou em cima da cunhada, só observando seu comportamento, para poder me ajudar. E como ela me ajudou! Quando o Carlo nasceu, eu saí da sala de recuperação falando mais do que o homem da cobra, pra variar. Conversei com a moça que tinha acabado de ter um filho e, coitada, vomitou na hora do parto, o tempo todo em que ficamos naquela salinha. A moça sem conseguir falar e eu elétrica! Ao me buscarem para me levar para o meu quarto, eu, mesmo tagarelando, ouvi a voz da tia Janja... e isso me cobriu de alegria... minha mãe, que também me aguardava, preocupada pediu para eu tentar ficar quieta um pouco e disse: "Janja, a Juliana te ama". Sim, eu a amo. Amo pelo ser humano que ela é. Não conseguirei descrevê-la. Estas palavras são apenas para acalmar este coração sofrido.
Lembro-me também do dia em ela me aconselhou a tirar o Carlo do colégio onde trabalho. Ela me olhou depois de uma longa conversa que tivemos e falou: "filha, já passou da hora de você tirar seu filho de lá". E assim foi durante todo esse tempo. Foi ela que descobriu o tubarão dentro de mim rs.
Quando eu e o João brigávamos feio, era ela quem apaziguava a situação, escrevo no passado porque aquelas brigas acabaram. Ela me chamava para conversar e eu chorava tanto... Ela é uma pessoa para a qual eu posso contar tudo o que eu quiser. Uma vez, durante uma dessas conversas, com raiva no coração disse que queria me separar. E ela me olhou com carinho e falou: "agora é a pior hora para tomar uma decisão como essa, uma separação é pensada, conversada... calmamente". Ela é uma professoara da vida. Ensina a viver. Não quero perdê-la. Não quero! Um dia lhe disse que, mesmo não estando mais com o João, ela seria minha tia, sempre minha tia Janja. E ela me respondeu: "claro que sim, filhinha, você é, muitas vezes, mais minha sobrinha do que o João". Nós nos encontramos em um evento da Feira do Livro aqui em Ribeirão. Ela estva acompanhando o escritor Pedro Bandeira. A diretora do meu colégio estava lá também. A tia Janja me abraçou, levou-me até o escritor e disse para ele e para a minha diretora: "essa moça é minha sobrinha, sabiam disso?".
Sou. Sempre serei. E eu imploro ao Senhor que a proteja durante a cirurgia que fará no sábado. Imploro para que ela não sinta dor em momento algum. Imploro pela sua vida e recuperação.

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