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Humor-->ENTREGANDO A RAPADURA -- 22/11/2010 - 23:14 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


ENTREGANDO A RAPADURA
(Por Germano Correia da Silva)

Mané Bico Doce é o apelido de Manuel Carlos, primo do lavrador Jô Formigão e enquanto este é um sujeito de poucas palavras, aquele é um tremendo bonachão, um exímio contador de causos. Ambos vivem desde criança na comunidade Cafundó do Judas, lugar onde nasceram.

Manuel Carlos trabalha num engenho de cana-de-açúcar da região desde seu tempo de menino e dentre os causos que ele costuma contar nas rodas de amigos amantes do copo tem um deles que é pra lá de engraçado.

É comum vê-lo encher o peito e dizer que ali, nas dependências do engenho, ele fazia de tudo um pouco; cortava e carregava cana feito um louco, caso contrario não conseguiria receber um salário condizente com suas necessidades mais prementes.

Afirma que atuou na moagem, na produção de cachaça/álcool, na produção de açúcar, propriamente dito, e que mais tarde, já na sua idade adulta, a título de compensação profissional, seu patrão o promoveu a ajudante de degustador de rapadura.

Ele conta que seu papel principal nessa função consistia em carregar caixotes de rapadura, numa corrida desenfreada, colocá-los sobre uma mesa previamente preparada e cortar algumas peças em forma de cubinhos.

Ato contínuo, cada um dos degustadores ali reunidos, experimentava partículas de cubinhos de cada caixote exposto, em seguida pedia que ele trouxesse mais caixotes e essa rotina parecia nunca ter fim.

De vez em quando, alguns desses degustadores, agradecidos e sensiblizados com a rapidez e presteza dos serviços que ele executava, o premiava com partículas de cubinhos e até com pequenas gorjetas.

- Fiz isso durante muito tempo achando que iria ficar rico – conta em tom de caçoada – mas o que consegui na verdade foi uma alternância constante da minha glicemia e de quebra ainda adquiri uma hérnia de disco que me incomoda até hoje – sorri.

Segundo ele, o cansaço muscular e, por extensão, o mental já estavam lhe incomodando muito e, por esses dias, antes que seja tarde, estará “entregando a rapadura” para algum colega mais bem preparado que ele, física e psicologicamente falando.

Finalizou dizendo que em breve irá requerer a aposentadoria e, nesse ínterim, se tudo der certo, irá conseguir provar que é de sua autoria a famosa expressão: “rapadura é doce, mas não é mole não!”


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