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Crônicas-->Conversando com elas -- 13/02/2019 - 14:27 (Padre Bidião) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Conversando com elas

Estávamos à beira mar, numa prosa existencial leve em número de quatro: eu, Clarice, Cecília e Raquel. A presença das três sentadas em pleno calçadão, lembrou o romance das Três Marias, só que tratava -se de uma conversa daquelas que sobram risadas e conversas jogadas foras, em um tempo no qual as máquinas desempenham o papel de interações humanoides. Clarice com o olhar altivo que mascarava a cada tragada de cigarro, uma depressão apaixonante pela forma de despir-se sem deixar exposta sua nudez. De poucas falas, preferia o universo da escrita que provocava nela um efeito psicotrópico e uma certa letargia a cada vez que voltava o olhar para si. Por achar-se inábil à oratória, preferia apreciar o diálogo entre Raquel e Cecília que esbanjavam sorrisos típicos de quem percebe que a vida é um exercício diário de resiliência poética. Discutíamos diversos assuntos, mas o que mais nos era aprazivel, era ouvir o barulho das ondas do mar, principalmente a mim, a Maria do Sertão. Nunca tinha visto sequer o mar e enquanto elas conversavam eu ficava a admirar ao mesmo tempo a prosa e a natureza ali, ao nosso dispor. Apesar da total diferença socio-cultural que exibia uma infinita distância e fazia-me sentir deslocada daquele ambiente enriquecedor, eu apreciava o comportamento e a elegância generosa como elas me tratavam.
Raquel, de expressão meiga, dominava bem a arte de expor o cotidiano hermético do ser nosso de cada dia. Clarice, era pura emoção enquanto Cecília, discorria de forma poética uma depressão crônica disfarçada por aquele sorriso sincero e elegância inabalável. Eu, ali me sentindo uma privilegiada de estar entre elas a escutar a essência de cada uma e buscar uma forma de adequar-me à minha realidade bastante limitada em diversos aspectos. Num certo momento, me convidaram para molhar apenas os pés na água daquele marzão e claro, não recusei. Acompanhei atentamente como elas faziam e sincronizavam a cada onda, a saltar e novamente mergulhar os pés. Foi realmente uma experiência de uma grandiosidade imensurável para mim, até que, senti a boca seca e logo acordei para beber uma caneca de alumínio de água de um jarro de barro. Lavei o rosto, e peguei a enxada para tentar plantar uma semente de esperança numa colheita futura, orando a São José para que logo chovesse e assim, olhar o futuro com mais otimismo que poderia suprir ao menos as necessidades básicas de uma mulher que só vislumbrava algaroba e palma (uma cactacea) capaz de matar a sede no sertão de sol a sol.
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