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Artigos-->A latência e os flagelos humanos (recorrendo a Kubrick...) -- 18/12/2003 - 20:26 (Georgina Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O discurso aparvalhado do sargento Hartman era alicerçado pela estrutura militar norte-americana. Identificado com a força e a invulnerabilidade, submetia os recrutas a treinamentos humilhantes, a sua neurose “justificada” através da estratégia de insensibilização para o combate. Quem assistiu “Nascido para Matar”, do talentoso Stanley Kubrick, provavelmente recorda-se das cenas indigestas de opressão a que os subalternos eram submetidos.



Esse quadro indigno, apenas para refrescar a lembrança, apoiava-se em duas frentes: a sexual e a religiosa. Quando o instrutor dos recrutas não os provocava com xingamentos e obscenidades extensivos às suas mães e irmãs, a via adotada transvestia-se em  abordagens religiosa ou étnica. Numa das cenas, o soldado judeu Joker é esbofeteado pelo sargento ao responder negativamente se acreditava na Virgem Maria.



Kubrick, que o diga o seu profético "Laranja Mecânica", é extremamente hábil e competente quanto à utilização da sua arte como veículo de reflexão e análise. Todas as estratégias aviltantes, tanto as inexpressivas, como as de cunho social e político mais relevante, vão de encontro ao pilar etnia, religiosidade e sexualidade. Entretanto, um fator não pode ser desprezado: a força do que está latente e não manifesto ostensivamente. O fato de as pessoas não se manifestarem contra algo não significa aprovação ou ausência do sentimento de revolta contra o que causa indignação.



Em "Full Metal Jacket" (título original da obra), o olhar e a expressão facial do recruta Joker constituem-se como verdadeira frente de resistência às imposições às quais estava submetido. Isso demonstra que reações outras existem além de discursos espalhafatosos e inconsistentes. O latente é detentor de forças poderosas que geralmente a parafernália dos tolos não consegue perceber. Exemplificando com a Guerra do Vietnã, a que o filme em questão se refere, o imenso arsenal militar americano que ali tentava eliminar o comunismo veio a ter que se retirar às pressas da região. Os Estados Unidos haviam fracassado em sua missão e os subestimados "vietcongues" triunfaram, muitos provenientes dos túneis subterrâneos ocultamente escavados.



"Nascido para Matar" não aborda as considerações políticas e militares da guerra e isso torna o filme ainda mais interessante. A ótica pertence apenas aos soldados, aprisionada no esgotamento físico e psicológico de cada um deles.



Como informação técnica interessante, o fato de o ator Lee Ermey (sargento Hartman) ter se profissionalizado a partir dessa produção. Inicialmente, havia sido contratado para dar suporte ao filme, visto ter sido instrutor de recrutas na vida real e lutado no Vietnã. Tendo sido demitido pela produção, encaminhou ao Kubrick uma gravação na qual demonstrava como deveriam ser as imagens do treinamento. O diretor ficou tão impressionado com a sua atuação que o contratou para desempenhar o papel do sargento Hartman. Daí em diante, deu continuidade ao trabalho de ator, atuando em filmes como Mississipi em Chamas, Pena de Morte, Os Sete Crimes Capitais etc.



Os tolos necessitam de manifestações ruidosas que respondam a seus "clichês" baratos sobre fatos históricos degradantes, tais como a ocorrência descontextualizada de um incremento econômico e desenvolvimentista na Alemanha de Hitler. Na verdade, julgam-se fomentadores de controvérsias brilhantes... Reportam-me à cena do filme em que os soldados sobrevoavam o Vietnã...Um deles divertia-se em metralhar os civis agricultores e quando indagado sobre o porquê de atirar em mulheres e crianças, respondeu (cinicamente) que tratava-se de um alvo mais fácil...



Afirma-se que (entre americanos, norte-vietnamitas e sul-vietnamitas) tombaram cerca de 3,300 milhões de pessoas. Mas sempre há quem hipoteticamente conteste os números resultantes dos flagelos mundiais. Desviam-se, dessa forma, do fundamental a ser aprendido com as barbáries, apropriando-se de medíocres e "batidos" argumentos que perpetuam a miserabilidade da História e da raça humana...











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