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Humor-->VENDO TUDO SOB CONTROLE -- 23/06/2010 - 11:21 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
VENDO TUDO SOB CONTROLE
(Por Germano Correia da Silva)


O tão esperado fornecimento de energia elétrica rural e com ela a aparição de um pouco de tecnologia de cunho doméstico para alguns agricultores, acabava de chegar ao sítio do Seu Nicanor.

Antes, além de um rádio de pilha e um fogão a gás, poucos utensílios domésticos eram vistos nas acomodações de sua modesta casinha, que se valia da energia produzida por um pequeno gerador movido a diesel.

Com a chegada da energia elétrica no seu sítio ele não parou mais de adquirir eletrodomésticos e eletroeletrônicos nas poucas lojas existentes na sede do seu município, ficando mais endividado que antes.

Ele comprou de tudo: televisão, aparelho de DVD, microcomputador, liquidificador, microondas, freezer, geladeiras, etc. e depois da aparição desses inúmeros “benefícios domésticos” pouco se via esse lavrador participando de eventos comunitários. Virou um homem caseiro, por excelência.

A esposa dele demorou um pouco para conciliar o tempo que dispunha para a realização dos afazeres domésticos com aquele que ela precisava para assistir às novelas e aos seriados das emissoras que atendiam aquela região.

Com ele não foi diferente: Ora assistia às novelas, ora aos filmes e de vez em quando saía do seu cantinho habitual para ir bisbilhotar o que seu filho caçula, que não saía da frente da tela do computador, estava fazendo.

Seus vizinhos começaram a estranhar sua mudança de comportamento. De uma hora para a outra ele deixou de ir jogar truco e dominó na casa do seu compadre Praxedes e nem participava mais de pescarias com alguns amigos, como o fazia antes, em pelo menos uma vez por quinzena.

Sua vontade de permanecer em casa era tão grande que ele nem percebeu que seus gastos mensais, voltados para a compra de mantimentos e consumo de energia elétrica, aumentaram assustadoramente.

Seu Praxedes, que não tinha o hábito de sair de casa, sentindo a falta de seu amigo e compadre, decidiu agir como detetive e ficou de espreita uma semana inteira para ver em que ele tanto se ocupava, pois não saía mais de casa à noite por nenhuma razão. Nada disso deu certo: o agricultor, encantado com a chegada da energia elétrica, continuava firme em sua casa, provavelmente, de olho na tela da televisão ou do computador.

Após esperar por mais de um mês a saída de casa de seu compadre, Seu Praxedes decidiu surpreendê-lo fazendo-lhe uma visita de supetão, justamente no intervalo dedicado aos comerciais televisivos, um pouco antes das novelas e, debruçado no parapeito da janela, disse:

- Cumpade, eu achava que o sinhô tava vendo firme na sua televisão a essa hora.

Seu Nicanor riu, com os dentes cerrados, dando a entender que não tinha gostado nenhum pouco da visita-surpresa de seu compadre, e disse:

- Desta vez o sinhô errô feio, cumpade. Eu não tô vendo nem firme, nem novela, mas aqui em casa tá tudo sob controle. E o sinhô o que tá fazendo aqui a essa hora?

Seu Praxedes não ficou desapontado com a reação do seu amigo e compadre, até porque lá na casa dele a situação, no tocante ao controle da televisão, também havia mudado e, meio sem jeito, murmurou:

- No começo, eu também via firme e novela, mas agora eu só vejo o que ela qué e por não tê mais nada o que fazê lá em casa, sozinho, eu vim lhe fazê companhia...
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