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Frases-->FRANCISCO MIGUEL - IN DIC. DE PENSAMENTOS -- 30/11/2004 - 23:19 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
DICIONÁRIO DE
SABEDORIA DOS
PIAUIENSES



CITAÇÕES MÁXIMAS
SENTENCIOSAS DO
PENSAMENTO REFLEXIVO
DOS PIAUIENSES DE
TODOS OS TEMPOS






JOSÉ ANTÔNIO DA SILVA


2004
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUI

Reitor
Prof. Pedro Leopoldino Ferreira Filho

Vice-Reitor
Prof. Luiz de Sousa Santos Júnior

EDUFPI
Conselho Editorial
Prof. Fabiano de Cristo Rios Nogueira ( Presidente )

Prof. Celso Barros Coelho
Prof. Francisco Newton de Freitas
Prof. Humberto Soares Guimarães
Prof. Ordônio Moita Filho
Prof. Tomaz Gomes Campelo

LIVRARIA
José Antônio da Silva



Silva, José Antônio da
S586d Dicionário de Sabedoria dos Piauienses/José Antônio
da Silva – Teresina: EDUFPI, 2004.
393 P.

1. Citações – Dicionarios. 2. Pensamentos. I. Título.


B869.882 03
CDD – 808.882 03





UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUI

GRÁFICA DA UFPI
Diretor
Manoel Gualberto Soares

Composição
Francisco Edmar de Oliveira
Jonh Kennedy Costa Pereira
Maria José de Carvalho Rocha

Programação e Montagem
Francisco Ribeiro Moreira Martins
Mário do Carmo Tenório

Impressão
Fernando Freire Passos
Francisco Oliveira de Sousa
Hilmar Barbosa da Silva

Acabamento
Antônio Francisco Soares
Franklina Ferrreira de Sousa Ribeiro
Sebastião Baldo da Silva Teles
Vicente de Paulo Filho

Digitação
José Antônio da Silva
Giglianne Rodrigues de Souza










AGRADECIMENTOS

Prof. Pedro Leopoldino Ferreira Filho
Reitor da Universidade Federal do Piauí

Prof. Fabiano de Cristo Rios Nogueira
Presidente da Editora da UFPI

Prof. Manoel Gualberto Soares
Diretor da Gráfica da UFPI

E a todos os meus colegas de trabalho

FAMILIA
Antônio de Souza Lima ( pai ) In memorian
Maria do socorro da Silva Lima ( mãe )
Francilene de Queiroz da Silva ( esposa )
Erasmo Queiroz da Silva ( filho )
Ricardo Queiroz da Silva ( filho )

E a todos aqueles que realmente acreditaram em mim...


















Prefácio

Na realidade o que é a sabedoria ? Digo que é a experiência própria do indivíduo, pois ninguém é comum quando pensa, particularmente antes da ação. Sempre gostei de citar as boas frases e os mais expressivos provérbios, principalmente quando eles se ajustam a uma determinada situação da vida, refletindo a realidade, isso simplifica muito a compreensão das idéias comunicadas. A palavra, quando bem pensada e articulada, é um instrumento poderosíssimo, para expressar nossos sentimentos mais importantes. A palavra falada é naturalmente viva na sua existência, mas a palavra escrita é eternamente imortal na sua essência. Uma coletânea de frases, aforismos, axiomas e ditos, é um mundo rico de idéias de todos os seguimentos do pensamento humano. Onde um simples provérbio fala da experiente sabedoria, uma sentença ordena com eficiência, uma máxima reflete com cuidado e uma citação testemunha o conhecimento. É que pretende o presente dicionário, pela primeira vez na nossa historia.
Dicionário de Sabedoria dos Piauienses – citações máximas sentenciosas do pensamento reflexivo dos piauienses de todos os tempos, de José Antônio da Silva, é composto de frases curtas, médias e longas, cuidadosamente escolhidas entre variados temas. Neste dicionário pode se encontrar com facilidade, opiniões, observações, descrições e meditações dos nossos autores sobre quase tudo, amor, cultura, política, justiça, literatura, arte, ciência, educação, saúde, vida, felicidade e sobre tantos outros assuntos interessantes.
Esta coletânea, portanto, tem o propósito de demonstrar também o inesgotável valor dos pensamentos com um toque de sabedoria, otimismo, ironia, humor e muitos outros conceitos. Essencial para o leitor encontrar aquela citação apropriada para dar força e criatividade às suas afirmações.
É uma obra que vem para estimular o piauiense a conhecer o próprio piauiense, e para valorizar nossa cultura intelectual e popular.

Prof. Manoel Gualberto Soares
Atual diretor da editora-gráfica da UFPI



Apresentação

Em muitas ocasiões, para dar um exemplo exato do nosso pensamento, precisamos citar as palavras alheias, para que uma boa idéia seja bem compreendida na sua totalidade; e a Literatura, principalmente a escrita, é a maior fornecedora das idéias criativas, das mensagens inteligentes, dos apotegmas expressivos e dos ensinamentos de sabedoria. A Literatura de um povo é a maior servidora de sua própria cultura, é a sua principal fonte de identificação no tempo. Ela especialmente valoriza a sabedoria artística, documenta o conhecimento cientifico, testemunha a crença religiosa e registra a ação política. Os escritos de um povo é o que fica como referença memorial e cultural mais eficiente.
Pois é o que nos mostra esta coletânea organizada por José Antônio da Silva.
Dicionário de Sabedoria dos Piauienses – citações máximas sentenciosas do pensamento reflexivo dos piauienses de todos os tempos que de forma original registra adequadamente um repertório de citações exclusivas de piauienses e tem como objetivo resgatar a essência do conhecimento da maioria dos nossos autores. Neste e em vários outros aspectos o Piauí é muito rico, porém ainda desconhecido. É uma obra que basicamente se compõe de trechos colhidos e selecionados de publicações em diversas épocas, abrangendo quase todos os campos do conhecimento Literário, Filosófico, Jurídico, Histórico, Político, Religioso, Artístico e Cientifico. Cumpre ressaltar que as frases foram colecionadas em grupos, com várias passagens, divididas em verbetes temáticos e ordem alfabética, na forma de dicionário dinamizando e especificando as expressões, além de coligir muitos fragmentos de informações, o autor espera que estes exemplos da nossa fraseologia culta e da paremiologia popular testemunhem e valorizem o pensamento dos nossos escritores e os provérbios do povo. É um gênero literário antiquíssimo, que vai fixar e eternizar de forma simples e para sempre a sabedoria dos homens e mulheres no tempo, e no espaço. Este trabalho concentra uma rica dose de originalidade, com um farto material indispensável para conferencista, oradores e pesquisadores em geral.

Prof.: Fabiano de Cristo Rios Nogueira
Atual presidente da editora-livraria da UFPI

Introdução

Dicionário de Sabedoria dos Piauienses – citações máximas sentenciosas do pensamento reflexivo dos piauienses de todos os tempos é uma coletânea onde são reunidos pensamentos só de piauienses, ou que aqui residem vevendo boa parte de sua vida, ou ainda que tenham aqui residido, havendo contribuído de fato para o enriquecimento cultural do estado. Agora, os Piauienses podem citar bem o pensamento dos seus conterrâneos com mais facilidade. Pois é o que oferece o presente dicionário. O sentido prático deste trabalho é o de mostrar de forma simples ao público brasileiro, o pensamento dos nossos autores de diferentes épocas e facilitar ao pesquisador na busca de conhecimentos para enriquecer suas idéias.
Entre os diversos assuntos, existe um tema que aprecio bastante. São as citações de vários autores reunidas em livros, onde expressam suas idéias em pensamentos, que são considerados unidades do conhecimento. Essas antologias, crestomatias, polianteias e miscelâneas apresentam autores de quase todas as nacionalidades, de todas as épocas, e todas as áreas do saber humano. É uma forma simples de organizar o pensamento produzido pelo homem. Um fato revelador foi a quase que total ausência de citações de piauienses nessas obras. Pois isso me levou a compilar tudo que pude encontrar escritos em livros só de autores piauienses, evitando somente os trabalhos técnicos por não refletirem o pensamento próprio dos seus organizadores. Também consultei textos publicados em revistas e jornais, escolhi alguns dos provérbios mais usados no Piauí. Algumas citações não podiam ser classificadas nos verbetes principais, outras se prestavam para diversas colocações especificando mais de um assunto. Não foi possível ter acesso ao pensamento de outros autores importantes que ficaram de fora, mas que serão dicionarizados no futuro.
A classificação e organização de todo esse material formou esse livro inédito com 1.616 unidades de Sabedoria. Foram basicamente sete anos de pesquisas e leituras para a preparação final desta obra, formada somente com frases perfeitas de escritores, poetas, juristas, educadores, políticos e artistas do nosso estado, todas essas citações, máximas, sentenças, pensamentos, reflexões e provérbios foram organizados em temas apropriados.
Esta colagem mostra num estilo simples e verdadeiro o nosso pensamento, acontecido em todas as dimensões da sabedoria, por pessoas de diversos setores da vida. Ele é pequeno, mas continuo extraindo mensagens de todas as fontes para que o mesmo cresça com autores ainda não mencionados.

José Antônio da Silva



SOBRE O AUTOR
José Antônio da Silva. Nasceu na cidade de José de Freitas - ( PI ), no dia 13 de Agosto de 1959, reside em Teresina desde 1970. Fez só os cursos fundamental e médio em colégios públicos. Trabalhou em distribuidoras como representante e vendas externas de enciclopédias e livros. Trabalhou em empresas de construção civil como apontador de obras e almoxarife. Trabalhou no setor de serviços gráficos como agente de vendas. Atualmente é funcionário público federal da UFPI, lotado na
editora gráfica e livraria.
Os pensamentos coletados por José Antônio, ordenados nesta adição simples e oportuna, refletem bem sua personalidade de homem amante das boas filosofias que servem como regras para o ser humano viver bem e em paz.
Quando deparamos com pessoas assim, que se preocupam em absorver bons pensamentos para poder transmitir a outras, podemos perceber que o mundo poderá ser salvo com a força da boa palavra, com a força da meditação e da reflexão.
As experiências bem vividas são luzes no final do túnel...
Parabéns ao nosso amigo José Antônio, as boas sementes plantadas hoje, serão os melhores frutos de amanhã.

Prof.a: Nazaré Castelo Branco Miranda

Para Aquisição do Dicionário de Sabedoria dos Piauienses
Livraria da UFPI - Telefones ( 86 ) 215 – 5689 /5688






AMAR
Amar as criaturas porque são belas é amar o belo, não é amar o ser humano. Amar é difícil. Amar as criaturas porque são boas é amar o ser humano em sua essencialidade, é amar a bondade. Amar assim é prático, fácil, gentil, mas... Amar o ser humano porque é ser humano, porque é irmão, ainda assim não é amar a criatura mas amar a si mesmo. E tanto se peca por amar demais a si mesmo quanto por desamor.
Francisco Miguel de Moura

AMOR
O amor é tudo quanto se não procura. O belo, o bonito, o gostoso, o sensual, o triste, o alheio, até mesmo o sorriso, nada importa sem amor. Amar é dar e não receber, não fugir se é perseguido, não lutar se lhe é imposto, dizer quando a língua está leve e sem nó, chorar, comer, beber, dormir ...
Francisco Miguel de Moura

ARTE
Tem-se como certo que uma das funções da arte é adivinhar, antever certos acontecimentos ou o futuro de uma comunidade ou de um povo. Daí a idéia, nalguns a certeza, de que as artes, especialmente a poesia e por extensão a literatura, são divinas, colhem os mistérios do céu, e o poeta é um profeta.
Francisco Miguel de Moura

O movimento é vida e a arte vem da vida e perpetua a vida na História. Não a História da Arte, mas a história social da humanidade. Meu gosto pessoal só conta como gosto pessoal. O que conta mesmo é a minha interpretação do gosto dos apreciadores da arte, o público.
Francisco Miguel de Moura

BELEZA
Para os poetas, para a poesia, a beleza – claro que falo da aparência da pessoa – não é fundamental. Isto significa dizer que nenhum poeta precisa ser bonito pessoalmente para que possa escrever bons poemas e também que não só a beleza é inspiradora de poesia. Outras coisas, fenômenos e qualidades o são igualmente, ou podem ser.
Francisco Miguel de Moura

COMUNICABILIDADE
Não pensem que quem fala mais se comunica melhor. O silêncio, o olhar, os gestos são mais significativos. Por onde se começa o amor? Por onde inicia uma grande amizade? De que são feitos os grandes poemas modernos? De palavras. Mas também de silêncios, espaços, sugestão, meios-tons, meias-palavras. Salvo as exceções, as palavras muito compridas são complicadas para o poeta, tanto assim que ele as parte e reparte.
Francisco Miguel de Moura

COMUNICAÇÃO
Não estamos sozinhos nem conseguimos ficar com os outros. Sentir a vida como um devir, não como realização, deve ser o problema posto. Fala-se tanto em comunicação que aos poucos o sentido da palavra se esvazia. É que realmente precisamos de outra comunicação: a que vem cheia de sabor humano, não essa comercializada, artificial, cheirando a produtos em série ou abarrotamento de armazém. Seria possível expressar a realidade da alma humana? E a compreensão de suas verdades íntimas?
Francisco Miguel de Moura

CONTEMPLAÇÃO
Nada mais simples que a alegria, o amor, a graça. Aqui, ali, em qualquer parte as encontramos, basta olhar a sociedade sem preconceitos, basta ver a natureza a olho nu. Infelizmente há muito tempo que não posso fazê-lo. Entre meus olhos e o mundo existe um par de óculos a torná-lo verde ou cinza, um filtro que me toma boa parte da linha do horizonte nos seus sempre azuis nordestinos, onde o céu e o monte se encontram e se beijam com a perfeição da distância. Mas, o que é o horizonte? A distância é o real encontro e a conjunção física do abraço.
Francisco Miguel de Moura








CONTO
Toda crítica é difícil. A crítica do conto se me afigura muito mais complicada, por isto tem sido para mim um constante desafio. Um livro de contos reúne várias peças, nem sempre homogêneas . É preciso captar com rigor sua unidade e a unidade como marca do estilo do autor. As dificuldades não se resumem nisto. Reconhecimento como o mais difícil gênero da arte literária, o conto guarda em si muitos segredos que os teóricos não conseguem desvendar.
Francisco Miguel de Moura

Porque o conto é mais difícil que o romance ou a poesia? Há contistas que são também romancistas. Como há poetas que escrevem contos. No mundo da inteligência há generalidade e especialidades. Sendo a matéria do conto momento único da vida do personagem, talvez o mais importante, deve ser tenso e intenso, mas não tão extenso. Aquele momento nem sempre chega a ser captado pelo escritor – daí vem a frustração – muito menos pelo leitor, que, no caso, ficará a ver navios.
Francisco Miguel de Moura

CRITICO
Até alcançar o juízo, que vem como síntese final, passa o crítico por muitas fases. A primeira preside o namoro e a emoção da escolha da obra. O segundo momento é o encontro através da leitura.
Francisco Miguel de Moura

CRÕNICA
A crônica é uma forma literária que nasceu no dia-a-dia do jornal e por isto precisa respirar livremente.
Francisco Miguel de Moura










ESCRITA
Tais são as complicações da escrita, com relação à sinceridade de expressão do sujeito, pondo-se em contato a necessidade e o projeto com a obra. Daí porque tanto o sinal quanto sua origem pode lançar luzes sobre a realidade de uma obra. A escrita pode ser uma falsificação da fala e, consequentemente, da realidade, mas, nas entrelinhas, nas anotações e sublinhações de livros, nas epígrafes, nas citações podemos distinguir muita contrafação ou ajustamento. Em suma, arrancar a personalidade ou partes do caráter do artista.
Francisco Miguel de Moura

ESCRITOR
Muito se tem escrito sobre o mistério da arte, da escrita especialmente. O que é que faz uma pessoa querer ser escritor? O que a faz escritor, todos nós sabemos; talento, estudo, paciência, traquejo, experiência de vida... Boas leituras e convivência também são importantes. Mas nunca se sabe porque uma pessoa quer ser escritor. É o mistério.
Francisco Miguel de Moura

FUTURO
Um dia a revolução virá e nos dirá que o espírito está em carne viva, nos olhos, nos lábios, nas necessidades, no apoio, na concupiscência tão logo saciada e tão logo reacesa. Está no pecado. O futuro será sempre mais forte, por isto. Não há descontinuidade nos gestos de hoje e nas lembranças do amanhã, talvez tão fortes quanto este real que nos tinge. A continuidade é tempo, é carne viva, é amor com todas as letras, desde o amor pequenino pelas pequeninas criaturas e pelas pequeninas coisas da nossa escolha, até o grande amor pelo qual se morre.
Francisco Miguel de Moura










HISTORIA
A história, de modo geral, o que é? Descrição e interpretação do desenvolvimento do homem através dos fatos e documentos conservados no tempo e no espaço. A moderna História é muito mais interpretação do fato e dos testemunhos que a descrição e a prova deles. As obras literárias, tendo em vista que partem de um real conhecido ou vivido pelo autor, prestam-se admiravelmente ao estudo da História como documento muitas vezes superiores aos fatos oficiais e à documentação empírica. Porque obra de ficção é mimese. Neste sentido, também a poesia é ficção.
Francisco Miguel de Moura

Em algum lugar, li que só os que não têm a perspectiva da história acham que o tempo é longo demais. Se não li, se não vi, se ninguém disse antes, digo eu agora. É preciso Ter esperança, é preciso fazer projetos de vida. O compromisso social faz com que abdiquemos da natural preguiça e realizemos algo que nos faça melhor; não digo, feliz: a felicidade é uma ficção.
Francisco Miguel de Moura

Não existe historia escrita sem a participação dos sentimentos e das crenças de quem escreve. Não há uma historia fria. Uns mais outros menos, cada um de nós deixa a marca pessoal em tudo o que faz... A historia é o estudo de problemas e acontecimentos da vida e da sociedade, tomados em blocos e interpretados à luz de documentos e criações humanas. Dados e sucedidos em espaços e tempos diferentes, os relatos da historia mostram apenas uma reconstrução do passado, por mais objetividade que consiga o historiador, por mais que se aproxime da ciência.
Francisco Miguel de Moura









HUMOR
O palhaço, o cômico, o humorista são uma necessidade urgente em nossa sociedade tão cheia de complexos de culpa e pecado, tão materialista e vazia, cheia de regras e preconceitos. Humor é humanismo e beleza trabalhando contra a piedade e o desamor. Sem o senso de humor o homem se despersonaliza na dor, na mesmice do dia-a-dia. O riso vai ao encontro da sensibilidade, põe nossas almas em comunicação. Há mais amor no humor do que se pensa.
Francisco Miguel de Moura

IGUALDADE
O homem tem compreendido bem ou mal suas próprias conquistas. Bem ou mal tem sabido dirigir os destinos da humanidade, durante séculos e mais séculos. Mas agora tem que repartir com a mulher as responsabilidades dessa direção, as oportunidades e os direitos usurpados através dos tempos.
Francisco Miguel de Moura

IMAGEM
Nossa civilização é a da imagem. Estão aí o cinema, a televisão, a revista em quadrinhos. Cientificamente comprovou-se que o sentido da vista é o mais abrangente de todos.
Francisco Miguel de Moura

INFÂNCIA
A infância é um celeiro de deslumbramentos, toda ela. É o desconhecido e sua chegada instantânea, ou porque somos inocentes, sem preconceitos, humildes diante das pessoas, dos fatos e das coisas. Ou por nada. Assim, ela se torna aquele paraíso que guardamos, por mais infeliz ou inútil que tenha sido. Naquela floração da carne e do espírito, na incerteza e na esperança, diante da luz e dos amores, tem que haver deslumbramentos.
Francisco Miguel de Moura






JUVENTUDE
Sejamos honestos, o sexo traz consigo a força do homem e da mulher, as delícias da carne e dos sentidos, prepara o espírito para a recepção de novas imagens e de novos alentos. À vida, a carne quer repartir-se, dar-se no amor, na generosidade. Quem quiser propagar melhor uma idéia, faça-o entre jovens. Eles estão dispostos ao sacrifício para que dias melhores lhes ocorram no futuro e aqui no mundo, que sentem melhor do que ninguém. Para não se acabarem nas dúvidas, recorrem à luta, ao trabalho, ao estudo, aprimorando as qualidades e virtudes de que sejam capazes. Longe de intectualismos, a juventude é seiva e chama.
Francisco Miguel de Moura

LEITOR
O leitor é também um criador desde que não se resigne ao mister de apenas consumir. Todos os leitores deveriam ser ruminantes. Pois duma poesia de dois versos, a menor que se conhece, pode se extrair um mundo. É o mistério da poesia: resumir sem mutilar, encobrir sem esconder, mostrar sem dizer, sugerir. A metáfora é uma linguagem-metralhadora: aciona os espíritos. Por isto que lhe digo ao contrário: a poesia não é divina, vem do demônio, é a contradição e o contraste, juntando no mesmo saco a beleza e a feiúra, a fim de não mutilar a alma das coisas e dos homens. Encanta a vida e diminui a morte.
Francisco Miguel de Moura

Ler um livro de poemas não é a mesma coisa que jogar confetes. Ler e gostar já tem sentido, imagine comentar depois, inventar o que o poeta não disse porque não quis ou porque se esqueceu.
Francisco Miguel de Moura











LINGUAGEM
Não é a linguagem comum que guarda as sutilezas da alma, a nossa verdade. No quotidiano, falamos pouco e superficialmente. É o progmatismo. O material da ficção difere bastante: paixões genuínas, sonhos, alegrias, tristezas, meditações, o pensamento a transformar-se em ação, enfim tudo o que é analisável no homem através do próprio homem. Arte literária pretende ser vida, a vida escondida, a que não se vive exteriormente por respeito ou polidez, mas que o artista da palavra transforma em ação e móvel de compreensão. O que é fictício no romance não é tanto a estória, mas o método pelo qual o pensamento se transforma em ação, um método que nunca ocorre na vida diária, desde que nossas ações – acorrentadas ao tempo e ao meio – não são produto do pensamento criador: são simples cópia do que nos ditou o código, a moral, etc, muitas vezes contrariando frontalmente o que vai no íntimo.
Francisco Miguel Moura

LITERATURA
A literatura, como a cultura, é fenômeno impregnado do local, prende-se ao homem e à sua tradição, ao seu meio vivencial e econômico. Não há literatura universal porquanto não há língua universal. Universal é o conteúdo dos sentimentos e das emoções, a história. As maneiras de externá-lo são muito pessoais, vêm do indivíduo no contexto da sociedade. Como forma, a literatura é intraduzível, especialmente a poesia. Pelo prisma da especificidade, a literatura é, assim, um fator de resistência e afirmação individual que se soma ao coletivo. A literatura está na obra, no texto. Tudo mais é história ou crítica.
Francisco Miguel de Moura

Pelo prisma da especificidade, a literatura é assim um fator de resistência e afirmação individual que se soma ao coletivo. A literatura está no texto. Tudo mais é história ou crítica, sociologia ou ciência. A história da literatura, das artes do mundo, como relato ou interpretação, deve existir.
Francisco Miguel de Moura






Literatura em seu sentido histórico – social é obra coletiva, integra-se a uma comunidade, Estado ou país. Comunica emoções e sentimentos através das criações simbólicas de seus criadores. Um autor sozinho, por melhor que seja, não constitui uma literatura. É preciso que haja mais vontades possibilitando a convivência e a comunicação literária.
Francisco Miguel de Moura

... é preciso dizer que toda literatura é também ética, quando não em forma explícita pelo menos subliminarmente. Pois o homem é também um animal ético.
Francisco Miguel de Moura

METÁFORA
A metáfora é uma liguagem-metralhadora: aciona os espíritos. Por isto que lhe digo ao contrário: a poesia não é divina, vem do demônio, é a contradição e o contraste, juntando no mesmo saco a beleza e a feiúra, a fim de não mutilar a alma das coisas e dos homens. Encanta a vida e diminui a morte.
Francisco Miguel de Moura

OBRA
Há obras que merecem ser lidas e criticadas, o esquecimento é injustificável. Como é necessário não Ter preconceitos quando se deseja analisar a realidade sócio-econômica e cultural de uma comunidade.
Francisco Miguel de Moura

PINTOR
Enfim acreditamos que as esperanças dos homens seriam menores e as alegrias, mais frágeis sem o trabalho dos pintores, que transformam a nossa visão, questionam nossa visão...
Francisco Miguel de Moura








PENSAR
Qual o sentimento que nos acerca quando alguém que lemos tem a mesma idéia, o mesmo pensamento que a gente já teve?... Quando encontro opiniões que batem com a minha sinto-as com alegria, sinto que um irmão está do outro lado. Mas também sinto prazer se discordem de mim. Significa que há alguém do meu lado que é verdadeiro e original, que trabalha com o espirito.
Francisco Miguel de Moura

POEMA
O poema é como o fruto que se apanha no mato sem olhar a árvore, mastiga-se-lhe a polpa e joga fora o caroço. Eu queria o meu poema quase só semente, caindo longe das aves, mas, quando chegassem as chuvas, ele abrisse vôo para novos desejos e nova floração. O que vale no poema é o poder de matar a sede ao viandante, não importa que o sabor lhe seja desagradável ou não, e, ao poeta, o importante é ser caroço.
Francisco Miguel de Moura

POESIA
Que é poesia? Nenhum de nós pode pretender, lucidamente, apresentar, sobre isso, um conceito definitivo. O mais que podemos fazer é procurar estabelecer, discutindo o assunto por algum tempo, o que representa para nós, a esta altura, aquilo que chamamos de poesia.
A poesia não morre, não se acaba. Tal como a vida, transmigra, pois que possui o germe da eternidade.
Francisco Miguel de Moura

A poesia não morre, não se acaba. Tal como a vida, transmigra, pois que possui o germe da eternidade.
Francisco Miguel de Moura

Ora, não pode haver poema científico, poesia não é ciência, ciência não é poesia. São duas linguagens distintas, impossível associá-las.
Francisco Miguel de Moura




Poesia é síntese. Ficção é realidade aparente, mentira do real. Tudo se resume a uma questão: temperar a panela para o leitor. Nem sempre o tempero sai ao gosto de todos. Uns gostam de sal, outros de uma piada picante. Pimenta é proibido para determinadas criaturinhas doces. E há os caraduras que levam tudo a mal. Então, temos que Ter boa mão: nem insosso nem salgado. Nem só açúcar, nem somente sal.
Francisco Miguel de Moura

Que é poesia? Nenhum de nós pode pretender, lucidamente, apresentar, sobre isso, um conceito definitivo. O mais que podemos fazer é procurar estabelecer, discutindo o assunto por algum tempo, o que representa para nós, a esta altura, aquilo que chamamos de poesia.
A poesia não morre, não se acaba. Tal como a vida, transmigra, pois que possui o germe da eternidade.
Francisco Miguel de Moura

Dizer que a poesia de um poeta é igual a ele mesmo é o maior elogio que se pode fazer. Se houver uma coisa que deva ser rigorosamente ímpar é a glória. Desde que essa poesia seja transferível e significantemente bela.
Francisco Miguel de Moura

RISO
Por acaso, o riso não é tão belo e amável, mesmo partindo de pessoas consideradas feias? Ele vem dos desencontros, das palhaçadas. E todos os palhaços são amados, porque o riso e a alegria são bens incomensuráveis. Os risonhos são tão amados quanto aqueles que são tidos por belos. Há milhares de formas da alegria, só uma maneira de ser triste. Alegria é diferença. A tristeza não tem movimento em seu trajeto, se assim podemos dizer.
Francisco Miguel de Moura








ROMANCE
Que é um romance? Será que o leitor comum não sabe o que é um romance? Poderá confundir com um conto ou com um poema? É possível que qualquer pessoa capaz de ler um livro saiba o que é um romance. Mas sabendo o que é, não saiba defini-lo ou conceituá-lo. E um dia tenha necessidade de dizer isto a alguém... Na realidade, o romance é feito para o entretenimento, mas esse entreter obedece a uma escala de valores, de acordo com o público a que está destinado. Nem só de entretenimento vivemos – e o romance quer ser vivo. O escrito unifica um mundo extremamente variado, através de seus pensamento, ideações e sentimentos. E esse mundo – o recriado – não pode ser um mundo igual ao das exterioridades: o autor, de posse de sua liberdade, deforma a realidade primeira, essa mesma realidade que o contém e que o modifica constantemente. A matéria do romancista lhe inclui e inclui o mundo que o contém. Poderá deixar de ser um compromisso?
Francisco Miguel de Moura

... Outra coisa que caracteriza bem o romance é o seu plano narrativo: pode ser interior ou exterior. É exterior quando o tempo cronológico predomina, e o romance classifica-se como de espaço, ou de drama. É interior quando o tempo psicológico domina, e nesse caso temos o romance de personagem.
Francisco Miguel de Moura

Em qualquer romance, o ponto de vista, ou seja, o foco narrativo pertence a um personagem, o qual comanda ação através do desenrolar da narrativa: o pensamento vai concentrando o passado e arranjando as perspectivas do futuro, torna-se presente pelo diálogo, mas não dá ênfase maior a este ou aquele fato ou incidente, para não prejudicar a homogeneidade.
Francisco Miguel de Moura

Como espécie artística, o romance é a súmula moderna de todas as espécies literárias. Portanto, inevitável se torna que o aspecto estético venha á tona, juntamente com o social.
Francisco Miguel de Moura



As pessoas comuns, ou que assim se tornam pelo ato da leitura silenciosa, encontram no romance a representação da vida e de seus problemas, não só aqueles problemas-limite como no romance chamado psicológico, mas também os existenciais e os que dizem respeito à luta pela vida, à saúde, à riqueza, aos usos e costumes, etc, enfim, tudo aquilo que é necessário à vida material e espiritual.
Francisco Miguel de Moura

Se verdade é que o romance histórico é também social, por mais moderno e avançado que seja, por mais vanguardeiro que pareça, ainda assim é conservador. Pode ser até saudosista, e normalmente o é. A atitude da ficção histórica é normalmente de busca de fidelidade ao oficial. Nada de originalidade nem de criação que mereça destaque. Há exceções, entretanto, que será necessário registrar.
Francisco Miguel de Moura

SÍMBOLO
Criar símbolos é valer-se da intuição para atingir proporções universais. De símbolos são feitas as epopéias e os grandes romances... A alegoria e o símbolo são produtos da intuição policiada e trabalhada com finalidade nítida ou aparente, ao passo que a fantasia é desordenada e não conhece os limites do real, sendo mais própria do irrealismo artístico.
Francisco Miguel de Moura

TAGARELICE
Há pessoas que, infelizmente, não sabem ouvir. São aquelas que só falam, falam, como se tivessem alugado os ouvidos alheios. É um fenômeno, para não dizer defeito, que os psicólogos e psiquiatras já tentaram explicar assim: elas têm medo do silêncio e se tornam mal-educadas, chatas, até insociáveis, por incrível que pareça... Sim, meus amigos, um chato falador me parece ser o pior chato.
Francisco Miguel de Moura

TEATRO
A dificuldade da história da criação teatral é que nem sempre os autores cuidam de publicar suas peças. Depois de encenadas, dão por encerrado o seu trabalho. A posteridade muitas vezes fica impedida de ler os textos.
Francisco Miguel de Moura

VERDADE
A demonstração da verdade logicamente, só se pode fazer através de oposições ou semelhanças. Que se diga ser o primeiro método, quando levado ao extremo – um paradoxo, e do segundo – também extremamente banalizado – ser o óbvio, é apenas uma maneira simplista de classificar os métodos únicos, disponíveis, saindo pela tangente, sem bordejar sequer o problema. Na especificidade das artes – da literatura em particular – jamais pedimos que as verdades sejam demonstradas, que os problemas sejam resolvidos ou que se lhe apontem soluções. A verdade aqui, que diríamos ser a realidade, dá-se, se oferece: e a realidade pode ser vivida, sentida, nunca explicada.
Francisco Miguel de Moura

VIAJAR
Não há nada mais prazeroso do que viajar. E é muito natural para a inquietude humana.
Francisco Miguel de Moura

VIDA
No universo, o homem não chega a ser um pequenino grão de areia. Tão pequenos somos, uma poeira qualquer. O que perturba o homem é possuir essa consciência de si e da natureza, do mundo próximo e do universo distante. Mas será que essa consciência não é deformada? Quem nos diz que estamos certos? Nossa vida é um longo (ou breve) sonho, do qual despertaremos a qualquer hora pelo pesadelo final.
Francisco Miguel de Moura













VIDÊNCIA
A teimosia é uma virtude do velho, mas é bom não exagerar. Quando os anos vão descambando para o poente, nossa personalidade se afina; quando as cernes se vão desfazendo de seu vigor, o espírito socorre. E o que é o espírito senão essa vontade doida de resistir, de viver, de perpetuar-se na memória dos seus contemporâneos e, se puder, perdurar por mais algum tempo? O que sabemos da eternidade? Balelas. Sobrevive o corpo à morte? Não sei. Teremos outra vida? Não se sabe, pelo menos cientificamente. Quem tem fé, agarre-se a ela. Eu, que não a tenho, agarre-me às minhas ilusões, ás minhas esperanças. São outras. Bem difícil entender. Você não quer sair da sua, é isto aí. Almas são coisas diferentes, como os corpos. Cada um tem forma e essência mutáveis.
Francisco Miguel de Moura

























REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E FONTES CONSULTADAS

MOURA, Francisco Miguel de.
– E a Vida se Fez Crônica, Teresina: Gráfica e Editora Junior,1996.
– Linguagem e comunicação em O. G. Rego de Carvalho. 2.ed.Teresina: Edufpi,1997.
– Literatura do Piauí. Teresina: Academia piauiense de letras / banco do Nordeste, 2001.
– Cit. Renato Neves Marques. 19 de Outubro – O dia do Piauí. Parnaíba: FUNDEC / COMEPI, 1999.
– Cit. Ozildo Batista de Barros. Das Pedras aos Picos. Teresina: Editora Cirandinha, 1984.
– Dois Tempos -1. Digo o que Quero. In: Ozildo Batista de Barros. Etc e Tal- versos reversos. 2.edição. 2. impressão. Teresina: Editora Cirandinha / COMEPI, 1999.
– Regionalismo e Literatura. In: Revista Presença, ano I. n.1. Teresina: Sec de cultura do Piauí, Maio de 1974.
– Romancística. In: Raimundo Nonato Monteiro de Santana. Piauí : Formação – Desenvolvimento Perspectivas. Teresina: FUNDAPI /Gráfica e Editora Halley. 1995.
– Discurso de Recepção a Magalhães da Costa In: Revista da Academia Piauiense de
Letras - n.56 ano LXXXI. Teresina: Academia Piauiense de Letras, 1998.
– Josefina Gonçalves - vanguarda e comportamento. Revista Cadernos de Teresina
n.18 – Dezembro de 1994.
– Amarante. In: Adrião Neto. Crônicas de Sempre. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1994.
– Primeira orelha do livro de Hardi Filho – Os sonhos dos deuses e os dias errantes – poesias. Teresina: Academia Piauiense de Letras / Banco do Nordeste, 2002.
– De política e poesia. In: Ozildo Batista de Barros. Das pedras aos picos. Teresina: Editora Cirandinha, 1984.
– Poemas ou/tonais – poesias. Teresina: Gráfica e Editora Júnior, 1991.
– Antes do baile verde. In: Revista Presença. Ano XVI – n. 28 Teresina: 2001.
– Pequena historia de um grande conselho. In: Raimundo Nonato Monteiro de Santana (org.). Apontamentos para a historia cultural do Piauí. Teresina: FUNDAPI, 2003.
– Opinião. Pensar, não pensar - eis a questão. In: Jornal Diário do Povo. Teresina 16 de Abril de 2004.








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