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Erótico-->Os donos do lar são os amantes - capítulo X -- 29/07/2019 - 19:19 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Morte. Este era o único pensamento que passava pela mente de Rômulo enquanto a esposa adultera dava andamento a seu relato. A naturalidade com que falava sobre as traições, demonstrando total ausência de remorso pelos atos que escondeu durante tantos anos e que continuava despudoradamente a cometer, a quantidade de amantes e a própria experiência da mulher em atos que ele acreditava jamais ter ela sequer ouvido falar, quanto mais protagonizado, tudo isso se soma a um sentimento de confusão e indignação, além da fatal conclusão de que toda sua existência havia sido nada mais que um engano até aquele momento. Comparado a isso e às lembranças de todas as vezes em que se deitou com a mulher em quem confiava logo após ela ter se entregado sem qualquer pudor a homens muitas vezes estranhos e, em outras, aqueles com quem ele se deparava no dia a dia, a própria morte chega a ser uma benção sem medida.

- Eu não sei o que eu faço com você. – diz ele, sentado no sofá, as mãos levadas à frente do rosto que não esconde uma expressão de angústia jamais sentida. Eu não posso continuar vivendo uma vida falsa, lado a lado com alguém que diz que quer estar comigo mas que vive de perna aberta pra tudo que é homem... pra não falar do seu caso que dura até hoje com esse sujeito que você diz ser... o que tem de pior...

- Ah, o que tem de melhor eu diria, diz ela, com um sorriso. Mas isso sexualmente falando. Mas parece que você não entendeu ainda o que tá acontecendo.

- O que eu não entendi? Que a minha mulher me trai? Isso você já contou, não teria nem como não entender!

- Esse é o problema... esse conceito maldito de traição, como se o tesão de alguém pudesse ser tratado como objeto do qual se é dono. Pode-se entregar o sentimento a alguém, mas isso não significa necessariamente que o corpo também vai ser totalmente entregue. A mulher pode muito bem desejar ter prazer com outro... ou outros até. Só achamos que não porque somos condicionados a pensar assim. Códigos de ética, moral, cultura, essa merda toda feita pra quem acha mais fácil nadar conforme a maré que pensar por si mesmo. Eu já tinha pensado em ter essa conversa com você antes, tentar chegar no assunto de uma forma que preparasse melhor a sua mente, mas você acabou descobrindo tudo antes que eu tivesse como te deixar pronto... aí, deu no que tá dando...

- E existe como preparar um cara pra saber que é corno? Que a mulher dele faz anos que fica de quatro pra tudo que é cara, que já participou de festa regada a sexo e droga, que eu entrava naquele mercado e todo mundo lá já tinha feito com você mais do que eu jamais ia sonhar? E o que você quis dizer me contando tudo isso, que não quer mais saber de mim? Que vai me largar?

- Se sexo fosse motivo pra eu te largar, pra eu gostar ou deixar de gostar de você, eu já teria ido embora faz tempo. Mas é nesse ponto que eu tô tentando chegar; que sexualmente eu posso me satisfazer com qualquer um por quem eu tenha algum desejo, que me dê vontade, porque é uma coisa meramente física, de momento, mesmo que eu continue tendo vontade de ir pra cama com o sujeito depois. Agora, fazer o que eu faço com você, construir um lar, ter uma vida, dividir meu espaço, já é outra coisa.

- E o seu corpo não faz parte desse espaço, então? Não é o que você tem de mais importante, o que abriga todo o resto e que simboliza o que seria sua cumplicidade comigo?

- Não... ele é uma carcaça que abriga tudo que você falou, inclusive os desejos que eu sacio com outros homens e que não consigo saciar com você. Pra alguns pode ser algo sujo, profano, devasso, mas eu prefiro pensar que é algo que nasceu comigo e uma necessidade tão comum quanto qualquer outra, seja comida, bebida ou sono. Não tenho porque transformar sexo em uma obrigação que só cumpro com uma só pessoa porque alguns acham que um código moral ou religioso tem que ser fator determinante sobre o que eu venho a sentir. É impossível decidir o que alguém sente, por mais que esconda.

Rômulo, subitamente, não sabe o que dizer, ainda entregue à sensação de mal estar pelo relato da esposa, mas, agora, também confuso não apenas pelo fato de que a ama e não quer perde-la, mas, por que não admitir, por ver fundamento nas palavras ditas por ela, talvez, no fim, haja alguma lógica no que Cristiane diz, embora ele admita que não é imparcial para fazer tal julgamento, que pode muito bem estar sendo motivado pelo fato de que o medo de perder a esposa certamente influencia seu julgamento.

- Eu vou sair, dar uma volta. Preciso pensar, você veio com mais informação que minha cabeça tava preparada pra assimilar. Acho que isso só não fez eu perder totalmente a razão porque já faz algum tempo que eu vinha preparando minha mente pra isso, talvez pelo tipo de coisa que eu vejo no escritório ou talvez por alguns indícios que você vinha deixando. Não sei. Seja como for... tem mais alguém de quem eu precise saber atualmente? Algum vizinho ou...

- Não. O zelador e o porteiro de vez em quando traçam a vizinha aqui do lado, então vira e mexe estão no andar. O marido dela viaja muito a serviço e aí, bom... não é problema nosso, seja como for.

- Não, não é. Eu volto depois.

Rômulo deixa o apartamento. A esposa, sozinha, senta-se no sofá, apreensiva pela atual situação com o marido. Ela pressente que ele não a deixará, que lhe será revelado até mesmo um certo controle que ela não sabia ou não pensava ter da situação, mas, ainda assim, não contem a tristeza com o fato, esperando que Rômulo possa entende-la. Pegando o celular, ela manda uma mensagem para Rafael. 

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