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Cartas-->Joaquim Antônio de Vasconcelos (BH) -- 03/09/2008 - 11:23 (Benedito Pereira da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Joaquim Antônio de Vasconcelos (BH)


Belo Horizonte, 18 de agosto de 1975.




Prof. Benedito Pereira da Costa
SQS 108, Bl. B, Ap. 608,
Brasília (DF).



Prezado Professor:


Recebi com agradável surpresa sua incentivadora carta de 07 de julho de 1975, a que respondo com grande atraso por estar aguardando resolução da Editora Vega sobre a publicação do 2º volume de "Como Redigir Documentos e Atos Oficiais"



Infelizmente, ela ainda não se definiu. O livro não está propriamente encalhado, mas tem-se vendido pouco; este ano recebi direitos autorais relativos a apenas 240 exemplares. Sendo o A. Professor de Português aposentado, sem renome, e escassa a propaganda, "Como Redigir ..." não teve a receptividade que os Amigos esperavam.



Alias, estou convencido de que, hoje em dia, o idioma é desprezado pela maioria.


Embora tenha farto vocabulário e sintaxe rica dos mais variados e elegantes meios de expressão, a Comunicação, em que pese à ênfase que se lhe dá, recorre mais à gíria e ao solecismo do que ao vernáculo.



Há maravilhosas exceções, como o Senhor, que escreve muito bem e, demonstra invulgar interesse pelos problemas da linguagem.



A questão das abreviaturas e siglas, por ex., a muitos pode parecer de somenos; mas, outro dia, deparei num jornal a palavra "Siglaguês", o que basta para assinalar a sua magna importância.



Tem razão o Sr. quando alude à pesquisa minuciosa do A. Lembro-me de que levei um dia e uma noite para dirimir a concordância de possível, que, em aula, ensinara erradamente, à guisa dos mestres da época: "Eles foram o mais irreverentes possível" (galicismo).



E assim com os outros assuntos de que trata o livro. Mais de dez anos de estudos, além da experiência de 30 de magistério e serviço público.


Para esclarecer cada dúvida, qualquer dificuldade, recorria ao latim, ao protuguês histórico e clássico, ao francês, a enciclopédias e dicionários, a autores dos mais diversos matizes. A preocupação, o afã era encontrar uma solução coerente, sem contradição, disciplinadora de fatos que pareciam rebeldes, resistentes a qualquer enquadramento normativo racional. Como por exemplo, o de que trata o Prof. Adriano da Gama Kury, ou seja,o que, nas expressões indicadoras de tempo, referindo-se a um fato (por exemplo: "Há precisamente cinco dias que a tua voz chegou aos meus ouvidos"): "No estado atual do conhecimento da gênese da construção em foco, não nos parece licito rejeitar qualquer das três interpretações" (conjunção temporal, conjunção integrante e expletivo)



Mas seria lícito, lógico, admissível identificar três funções gramaticais tão distintas?



Daí, caro Professor, a razão de tanta pesquisa...



O segundo Volume, com dez capítulos, dos quais três já revistos, está parado no prelo. Aguardo o momento feliz em que possa ofertá-lo ao Sr. Até lá, vai o "símbolos".



Com os meus agradecimentos e votos de felicidades, subscrevo-me cordialmente.



Joaquim Antônio de Vasconcelos
Av. Bias Fortes, 1396, Ap.35,
Belo Horizonte (MG).


_________
(*) Brasília, 03/09/2008.
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