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Cartas-->Aniversário de 23 anos (*) -- 10/08/2008 - 21:46 (Benedito Pereira da Costa) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Aniversário de 23 anos (*)


Filha querida:


Parece um sonho... Quando pequena, 2 ou 3 anos (outro dia para mim), brincávamos no clube debaixo dos escorregadores para evitar o sol escaldante.


Você fazia bolos (de cenoura, chocolate, laranja), e eu fingia alegremente que os experimentava; para cada um, nota diferente: 8, 9 e 10.


Naquele tempo, eu trabalhava 16h por dia. Não sobrava tempo para que me dedicasse à princesa, que crescia ativa e bela. Entretanto, do pouquinho de que dispunha, procurava aproveitar o máximo.


Passaram-se 20 e tantos anos... Um salto no viver. Tudo mudou. Hoje, tenho mais horas de folga (apesar de que não me encanta a aposentadoria); entretanto, você está tão distante (embora nos abrigue o mesmo teto), quase não a vejo, parece que não gosta da sua casa nem dos pais.


Entendo que deva ter amizades, namorar, fazer o que a juventude gosta. Todavia, lembro-a: na vida, tudo tem limite; pode estar certa -- as satisfações ilimitadas são frias, perigosas e acabam transformando-se em doença.


Uma religião é importante; um freio a muitas coisas. Crer em Deus é fundamental. Rezar, orar, mas secreta mente, sem fazer propaganda ou alarde: as pessoas não precisam saber disso, às vezes nem entendem...


Bebida alcoólica é veneno, e cigarro mata. Nada melhor do que a autenticidade. Fazer algo a custa de forças impróprias é covardia, fingimento e frustração.


Ninguém (a não ser Deus) nunca me deu migalha alguma. Construí minha independência com esforço, abnegação, perseverança e, acima de tudo, com honestidade.


Filha estimada, passei fome, frio e penúrias diversas que atacam a pobreza. Talvez você não saiba: jamais conversamos a esse respeito. E é por isso que dou valor a um pedaço de pão. O pior, quando isso ocorreu, não passava dos 9 anos. Minha escola, muito humilde, só eu, só eu paguei; está se vendo que meus estudos foram quase todos em estabelecimentos públicos.



Não estou reclamando. O momento é inadequado para tanto. Tão-somente, empreendi viagem ao passado e lembrei-me de coisas imorredouras.


Com muito amor, nos seus 23 anos, desejo saúde, paz, juízo e felicidades!


Beijos,


_______
(*) Brasília, DF, 17/11/2003.


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