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Cartas-->CARTA ABERTA A 2008 -- 28/12/2007 - 17:31 (Lílian Maial) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. Carta aberta a 2008:
®Lílian Maial


E cá está você, 2008, a bater à nossa porta!
Dessa vez, eu ansiava mais que nunca por sua vinda.
Dois mil e sete foi um ano complicado, cheio de incertezas, de medos, de mudanças... Um ano de Fênix! E em 2008, é quando renasceremos das cinzas, com vigor renovado, esbanjando vontade de caminhar, crescer, traçar (e alcançar) novas metas.
E mais: 2008 é ano par e bissexto, o que significa alguma coisa mágica

Adentrei 2007 com muita cautela, sabendo que teria trabalho, que seria um ano de reorganização, de decisões difíceis, de trabalho árduo, de cavar e plantar, com a certeza da colheita mais adiante. E é com esse espírito que pretendo entrar em 2008, aguardando a colheita, para repartir alegria, esperança e júbilo.

Os projetos de vida não podem mais esperar na gaveta, e você, 2008, precisa ser um marco! Dois mil e sete até que tentou, mas havia a entressafra. Cabe a você, agora, a colheita do que plantei. Cabe a você a recompensa.

Em 2007 o povo baqueou, eu baqueei, o mundo todo pareceu um tanto adormecido, como se preferisse ignorar tudo (dores e prazeres), para não correr o risco de mais sofrimento. Só que o sofrimento de fingir não sofrer parece aumentar a dor.
Baqueei sim, mas sou resiliente! O ser humano é, de maneira geral, resistente às intempéries.

Continuo, ao meu jeito, com cheiro de flor, recendendo a mato orvalhado, me fortalecendo com a Mãe Natureza e suas cores e cheiros.
Posso estar machucada, mas estou viva, e ainda tenho os meus amados perto de mim. Tenho braços para a luta e para o abraço. Tenho pernas para correr contra o tempo, e para caminhar na direção certa. Tenho a mente para preparar o futuro, e para pensar bobagens e apenas sorrir. Tenho escolhas, erros e acertos, tenho estradas, luz, amor transbordante, e tenho todo um universo dentro de mim. Ah, sim! Tenho a poesia...

Nessa época do ano, já no finalzinho, temos o costume de fazer promessas, fazer planos, estabelecer prioridades. Pois bem, não sou diferente, e já fiz a listinha das prioridades:
- começar uma dieta pobre em calorias e rica em calor humano;
- fazer um check-up no coração e cuidar daqueles sentimentos que deixei isquêmicos ou anêmicos;
- praticar mais exercícios de afeto, abraçando e beijando os amores – amigos, filhos, e todas as pessoas que não pude em 2007, e mais um pouco as que já abracei;
- estimular as cordas vocais, cantando todas as músicas que conseguir;
- estimular a circulação, dançando nas nuvens, na chuva, na praia, na pista, na vida;
- estimular os músculos faciais, sorrindo e gargalhando mais, e chorando um pouquinho, se a emoção for forte, mas sofrer bem menos;
- cuidar do coração, para que ele pulse e ame mais que nunca, pois só o amor pode reerguer um planeta, uma nação, um bairro, um homem...

Bem, meu caro 2008, sua sorte está lançada!
E falando em sorte, vou tratar de fazer todas aquelas simpáticas simpatias de fim de ano, para entrar em você com o pé direito (podem ser dois direitos?) no mar.
Como não sou fanática e nem careta, não custa, num país de tantas crenças, agradar um pouquinho a Iemanjá, levando umas flores e lavandas em sua homenagem, e uma garrafinha de espumante, para brindar a sua chegada no melhor estilo.

Tomar o lugar do 2007 vai ser "mamão com açúcar", mas você terá a responsabilidade de se tornar inesquecível, promissor, especial em todos os sentidos, não só para mim, mas para todos nós, que não esquecemos o terrorismo, o tráfico, as mortes desnecessárias, a corrupção, o desvio de dinheiro público, as precárias condições da Saúde e da Educação no país, as tentativas populistas de aumentar a discriminação racial e social que 2007 nos legou.

A violência das ruas, que em fins de 2006 culminou com terrorismo, com ônibus incendiados, saques e ataques simultâneos, continuam implacáveis, sofisticados e atrevidos, embora mais silenciosos em 2007 (não sei se por conta do "Capitão Nascimento"...)

A violência social persiste, com a miséria, as diferenças e o racismo subliminares, agora com ares de apartheid, graças ao “Estatuto da Igualdade Racial”, e a criação de uma nova barbaridade – um Projeto de Lei que visa o pagamento, às mulheres grávidas vítimas de estupro, de uma pensão mensal até a criança completar 18 anos – já conhecida como “bolsa-estupro”, um descalabro a mais dos politiqueiros de plantão, e um aviltante retrocesso nos avanços dos direitos entre os sexos, ainda mais por já existir uma lei que permite o aborto nos casos de estupro, que infelizmente não é obedecida.

A reeleição do Presidente Lula prometia uma visão social de distribuição de renda, mais acertos com a maior experiência, mas a cada dia o povo vê menos as promessas de campanha sendo cumpridas.

A violência da mídia – a mais terrível de todas – continua impondo padrões de vida entre os brasileiros e por todo o mundo, causando verdadeiras panes sociais, com prejuízos individuais e coletivos. Meninas ainda morrem anoréticas, homens e mulheres optam pela solidão ainda crianças, a máquina (e não o cão) é agora o melhor amigo do homem. E a nova geração cresce entre os extremos: anorexia x obesidade, depressão x vandalismo, solitários x marginais, pessoas sem objetivos x pessoas inescrupulosas. O quadro está feio, 2008, e você pode ajudar a mudar essa tela, com as cores da alegria e do amor.

A violência interior, aquela que obedece a regras estabelecidas por outrem, ainda se infiltra e ocupa seu espaço no subconsciente, como se tivessem sido criadas pelo indivíduo. Pessoas sofrem caladas, atadas a normas que não criaram, que as castra, mas que não ousam quebrar, pelo atavismo implicado nelas e pela imposição da sociedade. São pessoas presas a uma gaiola interna, que não possui grades, portas ou janelas. Detentos de si mesmos, sem coragem de ousar, de inovar, de transgredir.

Em 2007, tivemos os Jogos Pan-Americanos (o PAN 2007), e a promessa de mais empregos, mais dólares, mais investimentos, mais lastro para a cidade se desvaneceu da mesma forma que as lembranças dos nomes de nossos anônimos atletas. No fundo, mais circo, e pão, que é bom...

E meus planos para 2008? Hummmm... Segredo! Guardei meus projetos a sete chaves (não Chavez), e não vou contar, por ora, para não entrar areia (esqueceu que vou à praia dia 31?). Mas fique tranqüilo, nada de assustador. Aprendi que devo caminhar com prudência, um passo de cada vez. Mas vou em frente, que atrás vem gente!

Em 2007, eu tentei me poupar, mas não deu, me enrolei até os fios dos cabelos, me machuquei, mas me levantei a tempo de lhe dar as boas-vindas e festejar com alegria. As tristezas eu vou deixar o mar levar embora.

Portanto, mãos à obra, que você vai ter trabalho, embora muito gostoso! Suas tarefas serão trazer alegria, esperança e dias melhores para todos nós, trazer paz entre os povos, sabedoria aos imprudentes, calma aos impulsivos, energia aos anêmicos de espírito, gás aos desanimados, e um tiquinho de ópio que só esse sol tropical pode proporcionar (mas cuidado com o excesso de raios UVA/UVB).

Querido 2008, venha trazendo na algibeira um pouco mais de coragem para enfrentarmos a opressão e para aprendermos a abrir a boca e dizer NÃO à violência, ao terror, ao crime e à desordem, e para cobrar dos governantes as promessas de campanha, para aprender com os erros e tirar lições de futuro e esperança, sem desprezar os ensinamentos.

Precisamos, por fim, 2008, de mais amor e alegria, que o nosso povo é lindo, é forte, é bom e esperto, tem sensibilidade e é generoso. Nada mais justo que uma recíproca em boa dose, certo? Que assim seja!


Lílian Maial
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