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Crônicas-->Sobre duas Rodas -- 23/05/2014 - 17:05 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Sobre duas Rodas

A nossa cidade de Salvador encontra-se cada vez mais espremida entre o trânsito e a explosão demográfica, resultando numa grande desorganização urbana.
Não temos onde estacionar os nossos carros, mas também os pedestres não têm onde andar; é uma grande batalha se locomover aqui, pois também não temos metrô, sendo o ônibus um dos principais meios de transporte coletivo.
Sendo assim, muita gente decidiu migrar para motocicletas, mas onde a aquisição é mais barata que o carro, outros se aventuraram com as bicicletas.
No caso das motocicletas, eles as utilizam como se tivessem montados num pequeno cometa, como se esse meio de transporte não tivesse freios, os incautos traçam o seu destino e vão loucamente engendrando-se no louco trânsito soteropolitano.
Para a maioria dos motoqueiros a lei não existe, eles invadem sinaleiras na maior tranquilidade, transitam pela contramão, onde desejarem, ainda buzinam para o veículo na mão correta se afastar, não tendo nenhuma punição nem fiscalização.
Isso é normal para esse pessoal corajoso, parece não ter amor à própria vida, o pior é que ainda tem motos que levam carona, arriscando ambas às vidas.
Ultimamente está aparecendo com mais frequência outro membro que compõe a malha viária, a bicicleta. São outros que arriscam a vida sobre duas rodas, eles estão pensando que são motoqueiros, mas os imitam da pior forma, cortando o trânsito onde convier, transitando até no meio das rodovias, justamente ali onde tem a faixa de divisão entre as mãos.
São ainda piores, pois não podem ser multados, achando-se no direito até de levar carona em meio ao louco trânsito soteropolitano.
A cidade já não ajuda com muitas ladeiras e poucas ciclovias, mas isso não é motivo para aventurar-se em meio ao caótico trânsito soteropolitano.
Um grande banco, ainda criou um projeto que aluga bicicletas, mas esse pessoal que as utiliza, tem menos habilidade no guidão que os outros loucos - contudo são mais cautelosos - os pobres coitados ficam no centro da cidade feito baratas tontas procurando um espaço mínimo para transitar.
Por isso, como eles são a parte mais fraca do nosso louco trânsito, além do pedestre, eles expõem suas próprias vidas sobre duas rodas, gerando grandes terríveis acidentes, ocorrendo até mutilações e óbitos.


Marcelo de Oliveira Souza
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