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Humor-->TJN - 04 = De Portugale a Portugaia -- 23/10/2007 - 15:55 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. DE PORTUGALE A PORTUGAIA

Aí está Porto & Gaia, duas numa só. De facto, não existe qualquer razão de carácter histórico, territorial, ou administrativo para que Porto e Gaia estejam separadas em duas cidades e em dois municípios, quando estão agora unidas por tantas pontes e as que ainda hão-de vir!
Tal como a cidade húngara de Budapeste, que nasceu da união de duas cidades, Buda e Peste, unidas por pontes sobre o rio Danúbio, Porto e Gaia, unidas também por pontes sobre o rio Douro, deviam unir-se numa só cidade que seria logicamente Portogaia ou Portugaia. Voltaria assim ao primitivo topónimo derivado de Porto e Gália que redundou em Portugá(l)ia, depois Portugale que deu origem à diocese sueva de Portugale (século VI), à Terra Portugalense, ao condado Portugalense (Séculos IX a XII) e ao reino de Portugal (Século XII ao Século XX), após os acontecimentos de Vimaranis (Guimarães) no século XII. Não é por acaso que os eslavos chamam a Portugal, Potugália e os italianos, Portugallo.
Neste ano de 2001 em que a cidade do Porto é a capital da cultura, faça-se constar que Portugale castro, diocese, Terra, condado foi a génese da Nação portuguesa cuja gestação ocorreu durante a Reconquista Cristã (como Aragão, Navarra, Leão e Castela), e nasceu das quezílias entre os primos Afonsos (Henriques e Raimundes). Portugale, hoje Porto que, como o nome indica, foi a sua verdadeira origem e o morro de Pena Ventosa, hoje Sé, deve ser considerado o Morro Sagrado, o embrião da Nação. Faça-se justiça.
O pequeno povoado de Vimaranis, hoje Guimarães, supõe-se ter aparecido apenas quando lá se estabeleceu o conde Lucidi Vimaraniz, filho de Vímara Peres que foi o presor da cidade de Portugale (Porto) em 868. Tal povoado ganhou certa importância, quando a bisneta do conde Vimaranis, a condessa Mumadona Dias, ali fundou um mosteiro já em pleno século X e construiu um castelo para sua defesa. Guimarães será o berço da nacionalidade, da independência, só porque aí se desenrolaram os episódios que levaram à formação dum reino independente. O “Aqui Nasceu Portugal”, pode criar confusões, pois Portugal já existia muitos séculos antes, como cidade, diocese e condado. Era a cidade, diocese e depois condado de Portugale (cidade do Porto) na qual se incluía Gália (hoje Gaia), ou seja a margem sul do Douro.
Segundo os cronicões, Portugal Nação teve, pois, a sua concepção genética na cidade de Portugale (Porto) e, após uma gestação de séculos, nasceu em Vimaranis (Guimarães) com um parto difícil que muito sangue fez correr.
Região céltica, fronteira sul da Galécia (Galiza), os romanos que conquistaram e colonizaram a península de sul para norte, arribando às margens do Douro, encontraram aí um povo que muito se assemelhava aos gauleses, também celtas, habitantes da Gália, hoje França, (os do Asterix e Obelix). Eram aguerridos e ofereceram enorme resistência para serem dominados como aconteceu com os gauleses. Tal como estes usavam bragas no Inverno (bracae), calças compridas, escudo redondo (pelta), lança e espada curta, pequeno capacete de ferro e couro, alguns armados com pequenos chifres (a moda ficou). Eram de pele clara e arruivados, alguns usavam tranças ou rabo-de-cavalo, comiam tripas, bebiam cerveja (zythos) e binho berde e gostavam de lutar nus (naturalmente quando estava bom tempo). Por se assemelharem muito aos gauleses, os romanos chamaram àquela região Gália ou Galécia donde derivou Gaia, Galiza e também Portugália, Portugalo ou Portugale, Porto de galos, galeses, galécios ou galegos. Mau grado a estúpida lenda do galo de Barcelos, este galo representa os povos gauleses, galeses, galaicos ou galegos (celtas) e ainda serve de emblema à selecção gaulesa de futebol. Para quando um clube, no Porto, com um galo como emblema a lembrar a proveniência dos antigos portugalenses, em vez do dragão, um bicho virtual que não se sabe bem o que representa. Para já temos, mais a sul, os Galitos de Aveiro no diminutivo.
Os portugalienses, portugalenses, portugaleses, portugalegos, hoje portugueses que também se chamam portugas, com a separação do Porto e Gaia, ficaram a denominar-se portuenses e a sua cidade apenas Porto (sem gale). Só a sua diocese que já vem do tempo dos suevos, pois já existia no ano de 569 com o seu bispo Viator (Magnetensis Eclesiae Episcopus) e não apenas do tempo de D. Hugo (século XII), que era madraço e pouca lá parava, manteve a denominação antiga de portucalense (deve-se ler portugalense).
Entretanto os portugalenses, em luta com os mouros que haviam ocupado Portugale, expandem-se para sul e ocupam a antiga Olissipo, Olisbona dos árabes ou Lisboa (Lisvôa em dialecto alface local). Com melhor clima que o Porto, mais sol, vida nocturna, docas, bares e discotecas, a dois passos do Ribatejo das corridas de touros, do Alentejo das corridas aos mouros e dos Algarves das praias e casinos, os nobres portugalenses não mais querem regressar às origens nevoentas e húmidas das terras do Norte. E com toda a razão, pois a cidade de Portugale, agora já Porto sem Gale, foi entregue a um bispo e, como seria de esperar, perdeu todos os atractivos, pois, a partir daí, só trabalho e reza.
Assim Lisboa ficou a ser a capital do lazer e o Porto a capital do trabalho. Mas os que ficaram no Porto vingaram-se mais tarde, não permitindo que os nobres renegados e dissolutos permanecessem mais de três dias na sua cidade, para não darem maus exemplos de ociosidade e libertinagem.
Daí por diante, todos conhecem a História. Não há qualquer confusão. Após a conquista do resto do rectângulo aos mouros islamitas, limita-se a resistir e a defender-se da ameaça constante do usurpador castelhano que o cerca por todos os lados apenas permitindo uma saída para o mar onde se aventura em epopeias marítimas e na ocupação de outras terras e na colonização de outras gentes que, embora lhe trouxesse grandes riquezas, também lhe trouxe grandes problemas no futuro.
Podem hoje orgulhar-se de serem o pequeno povo mais aguerrido e indomável das Espanhas, que, durante séculos, defendeu, pelas armas, a sua independência, resistindo ao poder do Império Castelhano que anexou as outras nações da península (Galiza, Leão, Aragão, Navarra, País Basco e o reino árabe de Granada), impondo-lhes os seus costumes e a sua língua bífida e “herrada”. Mas o que o Império de Madrid não conseguiu pelas armas em quase nove séculos, está a consegui-lo agora, em pouco tempo, pela via mercantil no contexto da União Europeia, com a liberalização do mercado e a abertura de fronteiras. Quando as comportas se abrem, a componente maior absorve sempre a menor.
Portugal na periferia da Europa, sem a extensão ultramarina, sem hipóteses de fuga ao cerco da Espanha que a invade e atrofia pela via económica, parece ser presa fácil. No entanto, é de confiar nas características dos portugueses actuais que, embora adormecidos e embalados pela aventura europeia e pelos “eurónios”, têm o costume de deixar tudo para o fim e de acordar tarde mas quando acordam, ACORDAM e tudo poderá acontecer. Então surgirá novamente Portugaia, a cidade das duas margens, uma cidade do futuro que galvanizará os seus habitantes e se libertará do jugo lisvoeta, vivendo então pelos seus próprios meios, virada para o Atlântico que lhe abrirá novamente as portas do Mundo globalizado e não para as montanhas do interior onde só poderá esperar dependências e acidentes trágicos de viação nas IP’s e nos TGV’s. Uma nova epopeia ultramarina se projectará então no horizonte dos portugaienses.

19/06/01

Reinaldo Beça


* Um pequeno contributo para a História Portugalense



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