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Humor-->TJN - 004 = As Rodas São as Culpadas -- 22/09/2007 - 15:56 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. As Rodas São as Culpadas

E para angustiar ainda mais, temos os acidentes nas estradas que, por sinal, se manifestam mais nas melhores vias, naquelas que dão para voar, largas, com bom piso e com curvas bem traçadas que se podem fazer em grande velocidade o que não é difícil nos carros actuais cada vez mais potentes, velozes e de tal forma confortáveis que nem se sente a velocidade. Aquele que quiser cumprir com o limite de velocidade, tem de estar sempre a travar, acabando por usar mais o travão do que o acelerador.
E depois esta estúpida e criminosa mania dos portugueses ou dos seus governantes construírem autênticas auto-estradas de via única, sem divisória, a que chamam Itinerários Principais (IP) e a que eu chamaria antes Itinerários Mortais (IM), um autêntico convite ao acidente, principalmente para os menos experientes! Qualquer bicho-careta com um mínimo de massa cinzenta na coca, veria que uma via de alta velocidade como qualquer auto-estrada mas sem divisória a meio, com grande tráfego de camiões a circular, muitas vezes, com os condutores cansados de longas viagens sem descanso, para conservarem o emprego, é uma autêntica fábrica de acidentes mortais, porque acontecem geralmente a alta velocidade. E o governo conhece bem o problema, porque, quando se inaugurou a primeira estrada deste tipo, suponho que a IP5 ou IM5, lembro-me dos avisos que foram feitos a respeito da sua perigosidade. E isto só acontece cá na Entranha ou seja no nosso país, pois a Espanha praticamente já as eliminou, transformando-as em autovias com divisória, como as nossas IC1 e IC24 (agora A28).
Viajo frequentemente por alguns países da Europa Ocidental e verifico que por lá só existem dois tipos de estrada: ou auto-estrada ou estrada normal, estreita e com curvas apertadas. Nestas últimas é impossível a alta velocidade, porque, sendo estreita e com curvas, a velocidade obviamente que se nota mais, convidando à prudência. Registam-se menos acidentes nas estradas secundárias e estreitas do que nas estradas largas e bem traçadas como as IP, só porque obrigam a menos velocidade e a mais cuidado.
O Estado, grande responsável por esta situação, elabora novos códigos, com coimas mais pesadas que lhe vão aumentando as rendas. Mas porque não actuar também pela positiva, premiando aqueles que conduzem, há longos anos, sem provocarem qualquer dano corporal a ninguém? Por exemplo, durante um período de 25 anos sem acidentes que envolvessem mortes ou ferimentos graves (porque os outros pequenos acidentes de cidade, tipo chapa amolgada, são quase inevitáveis para quem conduz diariamente), a carta seria substituída por outra especial, talvez prateada, que lhe daria uma certa deferência por parte das autoridades, como um condutor exemplar. E, aos cinquenta anos, nas mesmas condições, receberia outro tipo de carta, talvez dourada, que o distinguiria ainda mais, como uma provecta figura de condutor veterano, um exemplo a seguir pelos condutores mais jovens. De certeza que esta medida seria um aliciante eficaz para a prática duma boa condução Só que este procedimento não dá receitas, antes pelo contrário, ainda traz mais despesa e o que é preciso é tirar proveito da situação a que os acidentes levam, para aumentar o rendimento.

Mas toda esta discorrência, mais ou menos prosaica, serve apenas para tentar resolver o irremediável, o que não poderá ser evitado, porque já o Pontífice Máximo romano, Júlio César, umas décadas antes de Cristo nascer, dizia que no ocidente peninsular da Ibéria, existia um povo que não governa nem se deixa governar. Isto é concludente.
Resta-nos irmos mesmo ao âmago da questão, à causa das causas dos acidentes rodoviários, àquela que, pela sua evidência e naturalidade, nunca é referida. A primeira causa a nuclear, a óbvia é que o Homem, tal como os outros animais que vivem sobre o solo da Terra, não foi feito para andar sobre rodas mas sim sobre os pés e com as pernas. Deslocam-se com pernas ou então rastejam simplesmente. Não há animal que nasça com rodas, porque são as pernas que se adaptam perfeitamente à movimentação no solo do nosso planeta, adaptando-se às suas irregularidades e permitindo apenas uma velocidade controlável pelos nossos próprios meios. Nem sequer fomos concebidos para controlar outros artefactos, outras potentes energias que não seja apenas a dimanada do nosso próprio organismo.
Esta é, de facto, a primeira causa de todas, a inegável e as outras causas que para aí se apontam (cada cabeça a sua sentença), são atribuídas no pressuposto de que o bicho-homem foi feito para andar de pópó o que está provado, pelo que se vê, que não é verdade. Isto também iliba o Criador da responsabilidade de tantos acidentes que se verificam diariamente e que causam milhares de vítimas, pois Ele não nos fez nascer com rodas nem com carapaças de lata, nem com motores potentes suplementares, deu-nos apenas pernas e um organismo perfeitíssimo, cheio de potencialidades que até se reproduz e que, após a morte, regressa à terra donde proveio e onde desaparece sem nada poluir nem conspurcar.
Isto é talvez o mais importante para se compreender o problema que tem ainda, como todos sabemos, outras consequências mais profundas no plano ecológico, a poluição e lixo que os automóveis, os seus combustíveis e as suas carcaças provocam. É que o Homem, como ser responsável (embora muitas vezes pareça irresponsável), tem que assumir e sofrer as consequências dos seus actos, dos seus desvios e das suas próprias iniciativas, isto é, quem age por conta própria, tem que correr os seus riscos.

20/05/05

Reinaldo Beça
(reibessa@hotmail.com)
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