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Humor-->TJN - A Idade da Pedra Novamente -- 22/09/2007 - 15:48 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. A IDADE DA PEDRA NOVAMENTE

Já escrevi sobre poluição das águas, sobre os incêndios nas matas, abandono dos campos e entupimento das cidades, total dependência dos seus habitantes ao dinheiro e até, armado em profeta, já preguei aos peixinhos (Irracionalidades). Agora, numa altura de depressão profunda perante o processo de regressão civilizacional em que nos encontramos, vou escrever sobre o nosso regresso preocupante à Idade da Pedra, por onde já vagueámos há centenas de milhar de anos, talvez inspirado na desolação que provocam os fogos estivais que nos levam a vegetação, transformando este jardim à beira mar plantado, numa paisagem lunar ou de outro planeta longínquo por onde passou o fogo dum enorme cometa em chamas, deixando apenas um autêntico deserto de pedras e cinza.
De facto, pelos exemplos de expressão artística ou estética com que deparo por esses concelhos do Portugal profundo, chego à conclusão de que mais uma regressão evolutiva (desculpem o paradoxo) é uma realidade que nos está a levar à pré-história, mais propriamente à Idade da Pedra, pois é tal a profusão de monumentos neolíticos que os nosso neoescultores espalham por tudo quanto é rotunda, placa ou jardim, numa competitividade agressiva em que os nossos edis se empenham para ver qual é o que denota mais deficiência ou disfunção imaginativa ou até uma maior imobilidade mental já petrificada.
Parece que entramos numa nova Idade da Pedra ou do Calhau Polido, em Bruto ou em Lasca e já ninguém ousa contrariar o destino fatal que nos está reservado. E isto, não só no campo artístico, escultural mas também pela boçalidade, agressividade e estultícia obsessiva que se manifesta por todo o lado onde reinam multidões ululantes de trogloditas “descerebrados” que apenas obedecem aos instintos mais mórbidos que dimanam dos pontos mais recônditos da carapaça que transportam ao longo duma vivência corpórea..
Cada vez há mais pedra por todo o nosso curto horizonte até parece que vai substituir o cimento com que betonaram as nossas cidades, vilas e aldeias. Não é que o calhau não seja belo no seu cinzentismo granítico, na sua negritude basáltica, na sua brancura calcária ou no seu multicolorismo marmóreo mas, sem forma, amontoado, de bico para baixo ou de bico para o ar a ameaçar algum pára-quedista mergulhante em queda livre, só pode significar ou demonstrar uma conturbação de espírito ou mental grave ou uma expressão estética duma Humanidade que está novamente de regresso à brutalidade animalesca dos tempos hominídeos, do tempo da pedra lascada, quando a espinal medula substituía o cérebro.
E esta de chegar ao cúmulo de representar as freguesias dum concelho por outros tantos gigantescos pedregulhos amontoadas de forma ameaçadora, é exemplo que me amedronta. Confesso que, ao circular na rotunda de Senradelas, em Penafiel, faço-o angustiado, com medo que uma daquelas pesadas “freguesias” do concelho, me caia em cima e me esmague a carcaça já que a alma passa esmagada e oprimida pela visão daquela titânica e ameaçadora obra de arte que nos dá a visão dum pétreo concelho com suas freguesias petrificadas, qual magia druídica dos fantásticos contos da gesta céltica ou bretã.
Eu, sujeito normal, não sei o que se passa no granítico imaginário dos autores e promotores de tais monumentos espalhados por todo o país mas que estamos perante um caso sério de regressão fatídica e irreversível à Idade da Pedra Polida ou Lascada que a Humanidade parece estar a encetar e que já está a transformar o nosso antigo jardim florido, à beira-mar plantado, numa paisagem lunar dantesca, dum deserto deprimente, sombrio e cinzento de pedras e terra despida e queimada, não tenho qualquer dúvida.

20/05/05

Reinaldo Beça
(reibessa@hotmail.com)

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