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Cartas-->CARTA AO POETA ANTÔNI MIRANDA -- 27/03/2006 - 21:55 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Teresina, segunda-feira, 27 de março de 2006.


Meu caro poeta Antônio Miranda,

Vejo pelo seu livro “Despertar das Águas”, Thesaurus, Brasília, 2006, que é um poeta simples, comunicativo, sem maneirismos de escola, grupos ou panelinhas. Escreve para um grande público que deseja sumo, antes que sonoridade e música. Um público aceso, que não quer dormir. Por isto é normalmente direto, passando por cima das imagens e da palavra escolhida a dedo, para agarrar o sentido e o sentimento que lhe traspassam o momento.
“Não, eu não quero nascer! / Enfrentar as associações extemporâneas / (referências cruzadas, hiperlinks fortuitos). / na rede semiótica do interpretante/ - atônito diante da terrível Esfinge / que finge e se apresenta como Oráculo.”
O “eu” é seu grande herói, característica principal da poesia contemporânea:
“Inveja de quem entra em desespero / e se suicida por alguém/ que lhe não correspondia; / enquanto eu, mesmo feliz, / no relacionamento mais duradouro / vivo sempre o último momento, / todo dia”.
Palavras como “relacionamento”, de modo geral, são indigestas para os poetas, mas você consegue dar um tom de força como está no verso acima. Aí, o lugar não tem lugar, o tempo não tem tempo. E a poesia é.
Poeta irregular, intranqüilo, não canta a paz nem o amor sem tropeços, nem “o dia sem presságios”. Nem a palavra em si mesma.
Que sabe o poeta dos outros? Que sabem os outros do poeta? É um “louco”, um idealista. E nada de alguém pra dizer que o poeta está ali por conta do clima, do isolamento, da bagunça do mundo.
Mas você, meu amigo, vence o isolamento contraditando o contraditório, os antagonismos da natureza e os problemas urgentes quando os seres humanos se tornam joguetes nas mãos dos poderosos.
O prosaico do verso e o lugar comum são aspectos muito comuns e evidentes na última geração dos poetas brasileiros. Você, no entanto, mesmo dizendo que “não há mais lugar para a autoria”, trabalha sua libertação.
Poderia dizer que me agradaram muito os poemas “Os vários eus”, “Confissão”, “Um desmemorial”, “Estar Cazuza”, “Agonia”, “Notícias de Viagem”, “Saudades do futuro” e “Não lugares”, sem prejuízo de outros que poderiam ser colocados numa antologia também.
Nestas linhas não pretendi analisar sua obra, sei que é valiosa e digna dos olhos da crítica. Sei que não tenho a necessária competência para analisar a poesia de depois do modernismo. E a sua é pós-moderna.
Com admiração por suas invenções em poemas e um longo abraço, coloco-me à sua disposição, com minhas mui fraternas saudações.

_______________________
FANCISCO MIGUEL DE MOURA
Escritor brasileiro, mora em Teresina, PI, porque quer (e gosta)
franciscomigueldemoura@superig.com.Br


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