Usina de Letras
                                                                         
Usina de Letras
203 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 59135 )

Cartas ( 21236)

Contos (13102)

Cordel (10292)

Crônicas (22196)

Discursos (3164)

Ensaios - (9439)

Erótico (13481)

Frases (46519)

Humor (19281)

Infantil (4461)

Infanto Juvenil (3729)

Letras de Música (5479)

Peça de Teatro (1337)

Poesias (138237)

Redação (3054)

Roteiro de Filme ou Novela (1060)

Teses / Monologos (2427)

Textos Jurídicos (1945)

Textos Religiosos/Sermões (5525)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Crônicas-->Amo, mas não sou a mãe deles. -- 07/12/2011 - 23:26 (Juliana Mendes Velludo Guidi) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
.

O Lucas está sofrendo por amor! Tem doze anos e sofre tanto! Ontem, na sala, percebi que estava bem chateado. Amargurado. Ele se aproximou de mim e perguntou: "professora, como peço perdão a uma menina?". Perguntei se ele queria me contar o que aconteceu. Ele se atrapalhou, gaguejou e resumiu dizendo que queria muito pedir perdão. Disse para que lhe falasse francamente que estava mal com o que tinha acontecido, que ele não teve a intenção de feri-la e fazer o pedido. Simples.
Afastei-me para fazer minhas provas, organizar notas... De repente, vi quando ele atirou um boné na parede e colocou as mãos na cabeça, desconsolado. Chamei-o para perguntar o que havia acontecido. Fiquei meio brava com a atitude dele, mas reconsiderei. Ele sofre por amor, pobrezinho. Tem dor pior do que essa?
Apoiando as mãos na minha mesa, inclinou o corpo para me dizer baixinho que ela não aceitou seu pedido de desulpas. Ela disse que nunca mais conversaria com ele. Ah, não! Morri de dó! Pedi para que ele ficasse calmo. Passei minha mão esquerda na sua cabeça. Pedi para que desse um tempo para ela pensar melhor. A raiva da Gabriela não perduraria, eu estava certa disso. Conversamos um pouco. Ele me falou que não consegue se interessar por outras meninas. Gente, para tudo! E olha que ele é um gatinho! Vocês tinham de ver a carinha dele... aiiiiii... Que vontade de arrancar com a mão a dor que ele demonstrou sentir! Tentei como pude acalmá-lo e fui para outra sala.
Hoje, quando cheguei, a primeira coisa que ele me disse foi: "ela me perdoou e está conversando comigo novamente". Vibramos juntos! A segunda: "professora, sabia que você é a mãe que minha mãe não é?" Sinceramente? Isso me deixa... preocupada. Claro que gosto de ouvir isso. Mas o problema é que no ano que vem não estaremos juntos. E aí? Meu aluno do quarto ano, que perdeu a mãe em março, me disse que agora faz de conta que a mãe dele sou eu! Sei o quanto me aproximo dos meus alunos, mas pensar que alguns me colocam no lugar da mãe, deixa-me preocupada. Sinto amor por eles, mesmo quando quero triturá-los na hora da raiva. E não suporto saber que vão sentir falta de uma conversa acolhedora quando não forem mais meus. Ano que vem, Lucas e Gustavo, não serão meus alunos. E eu espero do fundo do meu coração que eles não sintam minha falta. Isso me deixaria triste, porque os amo. Porque quero o bem deles. Quero que sejam felizes. Livres e bem resolvidos.
Eu, ano que vem, preciso ser para o meu filho a mãe que estou sendo para os meus alunos. Fiquei tempo de mais com eles e tempo de menos com meu menino. Vou dar todo meu apoio aos alunos que de mim precisarem, mas quero que me vejam como amiga. Mãe?!  É muita responsabilidade!

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui