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Crônicas-->A CRÕNICA NOSSA DE CADA DIA -- 08/07/2010 - 22:38 (Francisco Miguel de Moura) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

Francisco Miguel de Moura*

Neste instante estive no meu jardim. Felizmente moro numa casa onde há jardim com flores, banco para sentar-me, duas mangueiras que dão sombra de dia e refrescam à noite. Agora é noite, venho de lá. A lua é nova ou já crescente, mesmo assim bonita de se olhar. Perto há uma estrela, a Vésper, com sua piscante clareza, ambas enfeitam o céu azul. Hoje está azul, mas ultimamente tem estado tão nublado por causa das queimadas, da poluição dos dias, dos gases venenosos que soltam os carros e as fábricas, que me parece até que o mundo está de luto. Menos, meu jardim, felizmente. Menos minha casa, felizmente. Menos eu, que estou gozando uma boa saúde relativa à idade, com ânimo ainda para amar e escrever, para desejar o bem e para fazê-lo sempre. Sempre que vejo um velho ou doente, cheio de mazelas da idade ou das doenças, digo com ânimo:
Bom dia!
A maioria responde. Responde e acredita. Solta um meio sorriso.
Bom dia! Uma saudação tão banal. Mas é isto. Vivemos das banalidades. A última vez foi hoje de manhã, quando saía do Clube onde realizo minha ginástica, claramente hidroginástica. Ele vinha, amparado pela mulher, agarrado a um instrumento mecânico que o põe de pé, com segurança. Vi claramente seus olhos se iluminarem.
A vida é boa enquanto se tem esperança, enquanto se pode rir pelo menos uma vez por dia, enquanto a gente pode comunicar-se com os circunstantes, com alguém que o vê não como um doente, um deficiente ou um traste qualquer, mas como pessoa dotada de alma, sentimentos, desejos e esperanças de satisfação. Sentir como poeta. Sentir como os amantes sentem. Não me aquieto na cadeira, já saí fora outra vez, sorvi o ar puro como se fosse uma coisa nova. E é nova, sim. Cada vez que se respira ar fresco, os pulmões, os rins e sobretudo o coração se revigoram. Que bom remédio! Mas queria dizer que há poucos instantes suspendi meu computador e fui lá fora, a lua ia a esconder-se no telhado do terraço, côncava. Deu vontade de ir pegá-la, e, às apalpadelas fazer-lhe um pequeno poema, não de desalento ou desencanto como o Manuel Bandeira, mas de louvor.
Ah, como eu gostaria que nunca tivessem mexido nela, desvirginando-a! Éramos tão felizes!... Agora, coitadinha, vive com frio de medo. Mais triste agora estou: os americanos já pensam – ou estão trabalhando? – em instalar um posto de observação científico no seu território. O espaço, os planetas e os satélites, não importa que os americanos tenham chantado sua bandeira, são território divino, comum a todos, como devia ser a terra. Infelizmente, os mais fortes, os mais cruéis, os menos humanos, não importa que sejam os mais “inteligentes”, mandam e desmandam, e os demais têm que obedecer.
Estou satisfeito, não quero saber de televisão nem de rádio, a música é aquela – mistério do universo – que os que têm ouvidos largos podem ouvir e desfrutar. Não quero chinelos que me desliguem do chão, não quero roupa que cubra minha pele toda. Quero ser! Mas, infelizmente... Tenho que parar e me preparar para dormir: o sonho dos justos, o sonho dos bons, o sonho do amor e da paz. Para que tanta inteligência nos homens, razão nos intelectuais, desencontro nos que se apropriam de riquezas, se nada fica, nada é de ninguém?
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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, é encontrado no seguinte endereço: franciscomigueldemoura@superig.com.br
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