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Poesias-->Noites de Solidão -- 23/09/2001 - 09:25 (Antônio Paim) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Noites da Solidão





Ali está o corpo da mulher

Linda, se confunde com fragmentos de um poema,

Com os passos de uma bailarina.

As mãos gesticulam, as pernas contornam a alma.



O riso de Andaluzia

percorre a sala em passadas na dança frenesi

Do açoite da chuva fria

A madrugada respinga no fogo que se mistura ao incenso.



Ali está a noite dos sonhos compartilhados

Entre loucos, tristezas, vozes sobre o nada.

Ali está o tecido da vida

Cobrindo as diferenças das desilusões,

Queimando o dorso da dança na pele

A faísca da voz como cello que se perde

Entre os olhares do vento que desnuda o vazio.



Ali está quem nos espia, fera solitária, que foge da solidão

Embebida no vinho que escorre corpo adentro

Feito esperma.



Ali está a mulher

Linda, feito noites de Andaluzia

Percorre a sala em sua dança,

Corta o fogo e o silêncio falando da infância.

Com suas pernas de poesia silênciosa

Que decifram os olhos da chuva fria, ali está a mulher.



Ali está a noite dividindo o fogo,

Um pouco da solidão, o vinho entre os dedos

Que mancha com as vozes a fumaça do incenso.

Ali estão seus passos vagos como o riso

Que espia a precisão das palavras da poesia



Ali está o vento soturno

Dando trégua a todos que se cruzam em noites bêbadas.

Ali está o som, as quebras e as partes

Rasgando nossas vidas como facas

Que imolam as tristezas no sapateado

Da mulher que ali está.



Antônio Paim



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