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Crônicas-->A PRIMEIRA DAMA -- 02/04/2009 - 09:33 (Umbelina Linhares Pimenta Frota Bastos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. PRIMEIRA DAMA

Arnaldo era um menino que vivia, perto do cais de um grande rio. O pobre coitado tinha as pernas torcidas e extremamente finas, e só podia andar com a ajuda de muletas.
O pai trabalhava no cais como estivador de grandes barcos, cujos mastros muito altos Arnaldo via elevarem-se acima dos telhados das casas.
Como tinha muitos irmãos o pai não pode comprar senão umas muletas muito baratas que, além de serem curtas, machucavam-lhe as axilas, obrigando-o a andar inclinado.
O menino crescia, mas, tornava-se cada vez mais fraco e raquítico uma vez que sempre teve uma saúde bastante precária e seus pais temiam que ele não tivesse muito tempo.
Um dia Arnaldo estava sentado em sua casa, próximo da janela aberta, ouvindo a algazarra dos garotos que brincavam na rua e contemplando, por entre os telhados, as velas dos barcos que se desenhavam no sereno azul do céu. Quando ouviu vozes que não reconheceu e entre elas os soluços de sua mãe.
Arnaldo pensou: Vieram anunciar a minha mãe que não tenho cura e vou morrer. Mas, apurando os ouvidos ouviu passos na escada e em vez de soluços de tristeza percebeu tratar-se de vozes alegres e joviais.
A porta abriu-se e a mãe entrou acompanhada por uma senhora elegante e muito distinta, que trazia segurando pela mão uma menina. A distinta senhora aproximou-se da cama onde se encontrava o enfermo inclinou-se lhe beijando a fronte pálida.
A senhora falou-lhe de uma maneira tão familiar como se o conhecesse há muito tempo. A menina também o beijou e disse-lhe: Espero que em breve esteja bom Arnaldo.
A sua mãe colocou algumas cadeiras nas quais as três sentaram-se junto à cabeceira da cama onde se encontrava a criança. Que maravilha! Ele não compreendia o propósito de tão inesperada visita.
Há uma pessoa que muito te quer, disse-lhe a senhora, e que sente profundo desgosto por te ver doente e saber que sofres. É uma senhora muito importante, a mais nobre do Estado, a primeira Dama.
Arnaldo arregalou os olhos, admirado e sorrindo olhou para a sua mãe. Sim, Arnaldo a primeira Dama do Estado gosta muito de você e preocupa-se tanto com a sua doença que passa muitas horas do dia a pensar em uma forma de ajudá-lo.
Enviou-me aqui porque a minha filha pertence à Liga da Primeira Dama e é seu desejo que te diga que em uma aprazível casa de saúde no campo há uma cama esperando por você.
A senhora primeira Dama quer que eu te leve para lá, onde ficarás até que fiques bom por completo e te tornes um rapazinho robusto.
Também terás um jardim agradável a sua disposição, acrescentou a menina, e poderás tratar das flores que serão todas suas. Além disso, meu filho, disse a mãe, aprenderás um ofício.
Não ficas satisfeito? Com um ofício poderás ganhar a vida e ser independente. Tudo isto, para o doente parecia um conto de fada e estava tão admirado que só conseguiu falar: “Mãezinha, tem certeza de que isto não é uma brincadeira.
O que mais o deixava impressionado era o fato da primeira Dama saber do seu sofrimento. Um dia parou um carro na porta de sua casa de onde saiu uma enfermeira para buscá-lo.
Os vizinhos ficaram tristes com a partida de Arnaldo. Ele foi colocado cuidadosamente no interior do veículo e levado para longe de seu bairro para a Casa de Saúde.
A descrição que a senhora tinha feito a respeito da Casa de Saúde realmente era condizente com aquilo que Arnaldo pôde atestar quando sua viagem chegou ao fim. A casa era realmente enorme, para ele um verdadeiro palácio, rodeada por um esplêndido jardim. O leito que o esperava de tão macio o deixou extasiado. Jamais pensou que seu corpo raquítico seria merecedor de tamanho luxo.
Havia no lugar vários outros meninos e meninas com problemas locomotores tão graves quanto os dele, mas, amenizados pelo aroma das flores e da terra molhada que todos podiam aspirar do jardim e das árvores onde escutavam os gorjeios dos pássaros.
A sua vida a partir daí tornou um conto de fadas. Aprendeu a ler e continuou seus estudos; todos gostavam dele por causa de seu caráter e sua bondade. Arnaldo na sua simplicidade se perguntava se o próprio céu seria tão belo quanto a sua nova morada.
Num dia quando, de joelhos, apanhava sementes de suas flores ouviu o roçar de um vestido e ao mesmo tempo uma voz desconhecida que chamava pelo seu nome.
Arnaldo girou a cabeça e ao levantar os olhos deparou-se com uma elegante senhora que portava na cabeça um lenço maravilhoso e pôde perceber que ela se encontrava com olhos umedecidos pelas lágrimas.
Quando a senhora inclinou-se e o beijou carinhosamente na testa, Arnaldo ficou perplexo, pois não esperava merecedor da atenção de uma pessoa tão linda e importante.
Arnaldo permaneceu estático fixando o olhar na figura que para ele parecia uma estátua, uma figura tirada de um quadro tão qual uma visão.
Um beija-flor pousou no ombro da grande dama que se encontrava rodeado de flores. A imagem para ele era de um anjo descido do céu.
O menino ficou bastante pálido dando a impressão que poderia desfalecer a qualquer momento. A frescura da relva o perfume das flores, o canto dos pássaros e o azul do céu nada daquilo comparava-se com aquela extraordinária visão.
Estás contente? Perguntou-lhe a senhora. Arnaldo fez um movimento afirmativo com a cabeça.
____ Sabes quem eu sou? A criança moveu novamente a cabeça num gesto afirmativo enxugando as lágrimas.
____ E como sabes quem eu sou?
____ Vi quadros, jornais e fotos disse Arnaldo mexendo a terra com suas mãozinhas, mas acho-a mais bonita que todas as fotos e os quadros que já vi.
A senhora sorriu e se inclinado colocou sua delicada mão sobre a cabeça da criança dizendo-lhe: alegro por te ver feliz.
____ Minha senhora quer que todo o deficiente seja tão feliz quanto eu, não é verdade?
____ É isso mesmo Arnaldo. Que bom coração tem a minha senhora exclamou a criança com entusiasmo.
Dizendo isto apanhou as mais lindas flores, fez um buque oferecendo à primeira Dama. São suas, pertencem-lhe, disse ele. Eu também sou seu, e os deficientes desta casa de quem tanto gosta também são todos seus.
Ela pegou as flores aspirou seu perfume e inclinando-se as ofereceu gentilmente a Arnaldo. Eu gostaria que entregasse à tua mãe como prova da minha amizade.
A vossa amizade? Murmurou Arnaldo. E agarrando as suas muletas, pôs-se de pé e se dirigiu rapidamente para a Casa de Saúde.
Minha querida enfermeira gritou-lhe ao entrar. Vou mandar estas flores para minha mãe numa caixa com um cartão dizendo que a primeira Dama as envia como prova de sua amizade.
Como me sinto feliz! A primeira Dama manda o seu afeto à minha mãe.
Mas Arnaldo não tinha consciência que esta não era a primeira vez que a senhora manifestava o seu apreço por sua mãe.
Sobre a mesa da humilde casa perto do Cais, até hoje, flores murchas e amareladas jaz num jarro , as quais foram enviadas pela primeira Dama a muitos e muitos anos atrás.



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