Usina de Letras
                                                                         
Usina de Letras
94 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 59142 )

Cartas ( 21236)

Contos (13107)

Cordel (10292)

Crônicas (22196)

Discursos (3164)

Ensaios - (9441)

Erótico (13481)

Frases (46534)

Humor (19286)

Infantil (4462)

Infanto Juvenil (3733)

Letras de Música (5479)

Peça de Teatro (1337)

Poesias (138253)

Redação (3054)

Roteiro de Filme ou Novela (1060)

Teses / Monologos (2427)

Textos Jurídicos (1945)

Textos Religiosos/Sermões (5528)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Crônicas-->ANDRÉ O SENSÍVEL -- 21/01/2009 - 09:38 (Umbelina Linhares Pimenta Frota Bastos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. ANDRÉ O SENSÍVEL

Era enorme a dor que transbordava do sensível coração de André. Era ele o primeiro filho de um lindo casal. Seus pais o amavam demais.
Quando nasceu sua irmãzinha Vera, ninguém mais se importou com ele. Talvez, ainda se importasse, mas não com tanto entusiasmo, com antes fora; e, quando alguém se aproximava de si, muito animado, já não o satisfazia tanto.

Certa manhã, André estava verdadeiro peralta na sala de aula. Aprontava muito. Em suma, bagunçava com a classe toda. Quando entregava seus trabalhos à professora sua, disse-lhe, com desleixo, uma palavra que não era certa. Disse, sim, com ar de chacota. Ocorreu, no entanto, que seu pai, que ali fora a pedido da professora, acabara de entrar na classe e, portanto, pôde presenciar aquilo que de errado seu filho estava fazendo, em relação à sua professora. Como castigo, seu pai, tirou-lhe a sobremesa do almoço, que era torta de chocolate, sua preferida. André, muito triste e mau-humorado, saiu da sala e fechou a porta com grande ruído. Sua mãe chamou-lhe a atenção, dizendo: “Esse endiabrado é insuportável”.

Naquela tarde, depois do habitual passeio, era quase noite, hora que a melancolia invade os corações, principalmente de jovens que sentem necessidade de crescerem animados, André lembrou-se de procurar sua mãezinha e sentar-se na sua cadeira próxima à cama. No entanto, encontrou seu lugar ocupado pelo berço de sua irmã Vera. Nesse exato instante, sua mãe estava cantarolando, muito sorridente e a fazer festas à pequenina Vera. Ante isso, André, descuidando-se, tropeça e cai, rolando pelo chão até o meio do quarto. Sua mãe, então, assustada, solta um grito forte, desesperado, enquanto seu pai, também ali presente, corre rumo a ele, acudindo-lhe. Após socorrê-lo, verifica, minuciosamente, se havia algum machucado ou ferimento. Sua mãe, como num ato de carinho e amor, arrebata-o das mãos de seu pai, colocando-o, levemente, sobre seu colo; e a ele dirige palavras dóceis, amorosas, que, certamente, lhe conforta muito. André chora, ali, de alegria e dor, pois havia tido, com a queda, um galo na testa. “Afinal, que acontece com você para cair assim”, perguntou-lhe a mãe. André não pode dizer, os soluços embargam-lhe a fala. Passado alguns segundos, consegue dizer entre enormes suspiros... “foi... por querer... Seus pais olharam-no espantados. Que queria dizer o menino? Que lhe haviam de responder? Teve de falar com grande dificuldade, pois suas lágrimas lhe sufocavam.

André confessou a verdade. Fez todo aquele teatro, porque queria a certeza de que seus pais, realmente, lhe amavam de verdade. Como você já é quase um homenzinho, não podíamos deixar de querer-lhe quanto a sua irmãzinha, ao que se diz responsabilidade. Todavia, amamos você imensamente.

Agora, completamente feliz, sua alegria transbordava, apesar de a corrente de lágrimas crescer intensamente. Sua mãe, muito carinhosa, rodeia-lhe com abraços no pescoço, enxugando-lhe com doçura os olhos avermelhados. Seu pai aperta-lhe entre suas mãos calorosas e delicadas. André sorri tristemente, acontece o mágico encontro das palavras. Seu pai roça-lhe os lábios por sua testa, num ato maior de carinho. André, então, sente frio e tristeza em seu coração; em seguida, aproxima-se da janela e senta-se em frente da mesma, completamente só, contemplando as sombras da noite, que naquela hora invadiam o jardim. Logo em seguida, seu pai entra, postando-se junto ao berço de sua irmãzinha Vera. Com ar resoluto, fala seguro e preciso,”senhor André, já passou o mau-humor?” Ao que ele nada responde. Ante seu silêncio, seu pai passa a conversar com sua mamãe acerca de sua irmãzinha Vera. Meio desconfiado, André sai de mansinho, indo esconder-se em um canto da casa. Naquele momento sua dor aumentava mais. Não havia dúvida, era certo, ninguém gostava dele, pensou.

Antes era diferente, ralhavam consigo um pouco, mas, depois, estava tudo bem, tudo acabado e davam~lhe beijos ainda com mais ternura do que antes, para que não ficasse ofendido. Mas, hoje, tinham-no repreendido severamente, e mais, já não lhe davam beijos como anteriormente. Afinal, que havia de fazer? E pensava que eles tinham gostado tanto dele, e que ainda gostavam... gostavam dele, assim que o viam doente? Talvez...

Essa foi uma terrível lembrança. André já não sabia o que fazer. Sentia que ninguém dava por falta dele. Seus pais falavam baixinho. De repente, deu um salto e subiu numa cadeira, ficando de pé encima dela. Em cima da cadeira, agarrou-a pelas mãos, efetuando uma terrível sacudida. Nesse impulso de movimento, a cadeira, cambaleando-se, foi ao chão com grande barulho. André, então, começa a ouvir dos pais algumas palavras dóceis, em sintonia de amor, que, suavemente, acalmam-lhe o pequeno coração. “Vou dizer-lhe algo, que soa muito bem aos ouvidos. Você acaba de se convencer, creio, que continuamos a lhe amar exatamente como antes e como sua irmãzinha Vera. Ela ainda é muito pequena e você é um belo rapaz, forte e corajoso, que deve proteger sua irmãzinha, ajudando-a em tudo que for possível. O seu dever, filho, é olhar por ela. Em verdade, nós lhe amamos da mesma maneira que a amamos, certo?”

E, assim, o seu pai levanta-o nos braços e dá-lhe na face um grande beijo, perguntando-lhe: “Está contente, André?” E ele responde com os olhos vermelhos, mas muito alegre que sim, sentindo-se feliz e agradecido pelo galo na testa.

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui