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Crônicas-->ACADEMIA DO SILÊNCIO -- 13/01/2009 - 19:46 (Umbelina Linhares Pimenta Frota Bastos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. ACADEMIA DO SILÊNCIO


Em uma cidade muito distante havia uma famosa academia, cujos estatutos se iniciavam com estas palavras: Os acadêmicos pensarão muito, escreverão pouco e falarão o menos possível. Chamava-se Academia do Silêncio, e nessa cidade não havia poeta, escritor, que não ambicionasse nela ser admitido. Um doutor famoso, inteligente e já aposentado, autor de um excelente livro, intitulado “A Viagem”, soube em sua terra natal que acorrera uma vaga na Academia do Silêncio. Ansioso, despede-se de seus conterrâneos e familiares e, o mais depressa e possível, parte nessa viagem, em busca de seu intento. Seus pensamentos se remoíam, enquanto ele, preso a seu interesse, imaginava as dificuldades que, por certo, haveria de ter. Ao contrário de desanimar-se, olhava tudo com grande esperança, ansioso e confiante em si. O barulho do trem, em que viajava, fez com que ele adormecesse. Sonhos e mais sonhos vivia ele, ali, naquele momento. Logo o alvorecer. O dia surgia cheio de luz, e não demorou estava ele chegando: fim dessa grande jornada e sonhada esperança.

Assim que chega à cidade, vai ao encontro da Academia do Silêncio, apresenta-se à porta da sala, onde os acadêmicos estavam reunidos, e diz ao porteiro: “Senhor, entregue este bilhete ao Senhor Presidente. O doutor aposentado solicita, humildemente, poltrona vaga”.

O porteiro levou imediatamente a mensagem. Infelizmente, para sua surpresa, o bilhete chegara tarde, muito tarde, a vaga, que ele buscava, estava já preenchida. Os acadêmicos ficaram ansiosos e preocupados com esse contratempo. Recebia, ali, portanto, contra sua vontade, uma recusa ele que, sem dúvida, era um belo senhor, cuja eloqüência viva e rápida provocava enorme admiração em todas as ruas e avenidas das cidades.

O senhor, flagelado palrador, cabeça bem feita, em verdade, gostava de imobilizar todos à sua volta; daí, então, o Senhor Presidente não saber como anunciar a ele, que ora chegava, tão desagradável notícia. Enfim, quedando-se pensativo, seus pensamentos voaram por espaços sem limites, procurando uma solução. Eis que, então, lembrou-se do filósofo Demóstenes, o maior orador dos oradores gregos, que costumava fazer seus longos discursos à beira-mar, onde, fatalmente, sua voz dominava o ruído das ondas.

Após refletir, encheu um copo de água, tão cheio que uma gota a mais faria com que todo o líquido fosse transbordado. Feito isso, emitiu o sinal para que ali, naquele exato momento, introduzissem o candidato à vaga.
Este apareceu, dentro de seu ar simples e modesto, que sempre anuncia o verdadeiro mérito. O Senhor Presidente, levantando-se, sem proferir nenhuma palavra, mostra-lhe com aspecto compungido o copo. O doutor compreendeu logo. Porém, sem perder a coragem, buscou dar a entender que um acadêmico supranumerário, com certeza, não faria diferença. Então, o Senhor Presidente viu ali a seus pés uma pétala de rosa, apanhando-a, colocou-a delicadamente na superfície do copo, sem derramar uma gota sequer. À resposta engenhosa, todos aplaudiram, deixando dormir o regulamento por esta vez. O doutor aposentado, homem inteligente e sábio, foi recebido sob aclamação. Foram então a ele apresentado, às pressas, documentos a registro na Academia; e ele se inscreveu, afinal. Naquele instante, não restava mais que pronunciar uma frase de agradecimento. Todavia, como acadêmico verdadeiramente silencioso que era, o doutor agradeceu, sem dizer uma única palavra. Escreveu à margem o número 100, que era de seus novos confrades. Pondo um zero antes do primeiro algarismo, escreveu: Eles não valeram nem menos nem mais (0100). Eis que o Senhor Presidente, com tanta polidez quanto presença de espírito, respondeu, colocando o algarismo 1 antes do número 100; e ali escreveu: “Ele valerá dez vezes mais, além do que valia, ou seja, 1100”.


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