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Contos-->35 - ALÇANDO UM VOO MAIOR (Fim da série VIVENDO E APRENDEND -- 01/10/2020 - 13:59 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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35 - ALÇANDO UM VOO MAIOR

O ser humano em geral, por sua própria natureza, tende a viver, diuturnamente, da idealização de seus projetos e da mentalização de alguns dos seus sonhos para, desta forma, poder dar sentido e motivação para com algumas decisões de sua vida e o que aconteceu com o jovem Billy Lupércio Daniel, não fora muito diferente disso, sobretudo no tocante à administração dos altos e baixos surgidos nesse primeiro ciclo da sua vida.

Por ele não acreditar que estudaria no ano seguinte, e isso viria a se confirmar plenamente devido à falta de empenho das pessoas envolvidas diretamente na manutenção do projeto comunitário educacional da CNEC no seu município, um pouco antes de chegar ao início do ano em que, fatalmente, ele não cursaria a terceira série do ensino ginasial, sem titubear, tomou uma decisão incomum para com o comportamento usual dos jovens de sua época.

Apoiado nos pontos básicos de seus anseios, sempre voltados para a continuidade dos seus estudos, ele largou tudo para trás, principalmente seu primeiro emprego e, ali, tal qual uma águia faminta, alçaria seu voo rasante, maior e mais intenso que os rotineiros; sairia de sua terra natal, momento em que passaria a cuidar da própria vida, noutro lugar, longe de tudo e de  todos.

Por ter tomado aquela decisão meio intempestiva, em princípio, ele foi quase escorraçado por algumas pessoas de sua comunidade. A maioria delas não aceitou o fato de ele ter deixado um trabalho remunerado, até certo ponto estável, para ir em busca de outro em algum lugar desconhecido, ainda que o fosse procurá-lo numa cidade maior e/ou mais próspera que a dele.

Há um adágio popular que nos diz que “não se deve trocar o certo pelo duvidoso", e ele poderá ilustrar muito bem esse episódio vivido por Billy, mormente, se o teor descritivo dele o for analisado sob a visão simplista e meio acomodada das pessoas que entendem que é melhor ter algo garantido no presente do que a possibilidade e/ou quase certeza de ter que se lutar muito para conseguir algo melhor no futuro, levando-se em conta, é claro, a imediatidade e/ou a dificuldade acerca do resultado positivo ou negativo a ser auferido, quando dessa análise ao fim de uma situação real.

Não obstante existir um fundo de verdade nessa assertiva, nada disso conseguiu parar a investida inicial do jovem Billy, uma vez que ele estava irredutível e muito convicto de sua decisão. Destarte, em pouco tempo, ele se transformaria naquele jovem interiorano que largaria um emprego seguro na sua terra natal e rumaria para uma cidade maior que a sua em busca de outro emprego, até certo ponto, incerto, mas que o permitisse, ali, começar e dar sequência a um novo ciclo de sua vida.

Sem ao menos conhecer o modo de viver de um trabalhador novato numa cidade maior que a dele, Billy esperaria que ao encontrar esse seu novo emprego ele  pudesse lhe proporcionar os recursos necessários para custear as despesas de suas necessidades básicas mais prementes, tais como moradia, alimentação, saúde, vestuário e etc., assim como as de seus estudos, e por isso estava muito certo de que, ao se estabelecer nesse seu novo lugar, se seu corpo e sua mente suportassem, tentaria administrar seu trabalho e seus estudos, simultaneamente.

É muito comum em situações similares a essa vivida por Billy, já no primeiro tropeço ocorrido na trajetória de pessoas que assim o procedem, haver aquela hesitação natural e, na maioria das vezes, elas se sentem perdidas, como se estivessem no mato sem cachorro, e algumas delas preferem pegar o caminho de volta para casa a persistir um pouco mais, visando à realização do seu projeto de vida inicialmente idealizado.

Billy não retrocedeu em nenhum momento nessa sua busca incessante em prol da realização de seus objetivos maiores que eram estudar e trabalhar. Aos trancos e barrancos, ele conseguiu fazê-los a contento, em que pese o longo espaço temporal que ele teve de esperar para atingir sua meta. 

É possível que, perdidos na imensidão territorial desse país continente, outros jovens, principalmente aqueles de origem pobre, estejam vivenciando episódios semelhantes a esses vividos por Billy e, por questões alheias à sua vontade e sem ter alternativas viáveis, veem-se na iminência de parar tudo, deixando de prosseguir na realização de seus sonhos.

Outros, a despeito do que ocorreu com o personagem mor desses episódios que deram nome à série de causos "VIVENDO E APRENDENDO A VIVER" que foram contados até então e que ora termina, outros humanos persistem e seguem acreditando que a esperança é a última que morrerá; todavia, mesmo correndo esse risco de que essa sua esperança findará algum dia, porque nada existe para sempre, haverá momentos em que a perseverança tenderá a assumir o lugar dela e essa busca incessante perdurará, pelo menos, por alguns instantes, enquanto houver algum fio de esperança.

A esperança é tão importante na vida do ser humano que, Tales de Mileto, que foi um importante pensador, filósofo e matemático grego pré-socrático, considerado, por alguns, o "Pai da Ciência" e da "Filosofia Ocidental", ao fazer referência a ela, assim se expressou:

"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm - ainda a possuem". 

Assim, ainda faz sentido atentar para o teor descritivo de outro provérbio popular que nos ensina que "quem espera sempre alcança" e a saga de Billy Lupércio Daniel está aí para comprovar que isso é a pura verdade. Todavia, é bom que se frise que não é só ficar esperando e entender que tudo se realizará a contento, da melhor forma possível. 

Por fim, também é necessário que a virtude cristã conhecida como esperança, a qual representa um sentimento de quem vê como possível a realização daquilo que deseja, não se valha apenas e tão somente da fama de “boa samaritana” que ela adquiriu ao longo do tempo. Deste modo, é preciso que ela seja um pouco mais que um incentivo humano para a consecução de suas lutas e metas rotineiras e, de preferência, que ela seja amplamente assistida pela perseverança.

Abraham Lincoln, 16º presidente dos Estados Unidos da América, disse, certa vez, algo muito importante a esse respeito, que pode servir de incentivo para pessoas que vierem a se comportar da forma que Billy o tem feito ao longo de sua vida:

"As coisas podem chegar até aqueles que somente esperam, mas são apenas as sobras deixadas por aqueles que lutam".

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