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Contos-->33 - A ESTREIA DOS GINASIANOS -- 24/09/2020 - 16:20 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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33 - A ESTREIA DOS GINASIANOS

 

Há um ditado português que tem o seguinte enunciado: “Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza” e isso vem muito a calhar com aquela situação de plena felicidade em que se encontrava Billy Lupércio Daniel quando da chegada do seu primeiro dia de aula, cursando a primeira série do ensino ginasial, numa escola da CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade) de sua cidade natal.

Ali, naquele momento festivo, se apresentavam vários jovens, a maioria deles era oriunda de famílias menos abastadas, socioeconomicamente falando, igualmente à de Billy, e tornar-se-iam alunos estreantes daquela escola de nível ginasial, recém criada no centro urbano daquele pequeno município interiorano.

Em princípio, os preparativos para o início das aulas parecia a realização de um sonho de alguém que após concluir o ensino primário ficara parado por um período considerável, vivendo de expectativas, sem poder dar sequência aos seus estudos, mas era algo inusitado para a maioria daqueles jovens que via na continuidade deles uma forma promissora de crescer na vida.

As pessoas envolvidas, direta e indiretamente, no processo de implantação do ensino ginasial trazidos pela CNEC faziam de tudo para que aquela escola trazida por aquela instituição comunitária de ensino funcionasse na sua plenitude e sem quaisquer percalços e, por mais que Billy beliscasse sua pele, tudo lhe parecia um sonho que jamais deveria terminar.

Os profissionais que formavam o corpo docente inicial, além daqueles que compunham o corpo diretivo daquela escola que  ali estava sendo implantada, faziam de tudo para que o projeto comunitário vingasse, tamanha era a vontade que eles tinham de ajudar a classe estudantil que estava muito apreensiva para obter os ensinamentos que chegariam com o início das aulas.

Não obstante às dificuldades que são peculiares à implantação de um projeto pioneiro na área educacional de cunho comunitário com aquela envergadura, numa região carente de tudo como era a de Cafundós de Judas, onde os principais membros da política partidária ditavam as regras do seu funcionamento, muitas promessas foram feitas e a maior parte delas, em princípio, não fora cumprida a contento, mas, em contrapartida, o projeto estudantil tinha de seguir seu curso naturalmente, conforme fora inicialmente idealizado.

Assim, valendo-se da boa disposição e de um pouco de improviso na condução das aulas iniciais, professores e alunos assumiram seus papéis de protagonistas naquele cenário estudantil inusitado, fazendo com que aquele novo projeto comunitário estudantil começasse a andar de vento em popa e aquilo que parecia um sonho, tornar-se-ia uma realidade na vida daqueles ginasianos estreantes.

Entre eles encontrava-se, evidentemente, o jovem Billy, que após ter sido aprovado no exame de admissão ao ginásio, estava assaz radiante e torcia muito pelo sucesso da implantação e fixação daquele projeto educacional no seu município. Outros colegas, que também haviam sido submetidos ao exame de admissão obrigatório e que, assim como Billy, haviam sido aprovados, vibravam muito com a ideia de se tornarem os alunos pioneiros daquele movimento estudantil tão aguardado por eles há já algum tempo.

Os dias e os meses daquele período letivo foram passando de uma forma natural, enquanto isso os alunos e os professores  daquela escola faziam de tudo para que o sonho daqueles garotos ginasianos estreantes prosperasse e não se transformasse, portanto, numa simples utopia, ficando a vagar pela metade do caminho.

Era nítida a vontade, seguida do esforço conjunto entre as partes envolvidas, que foram amplamente compensados com a colheita dos resultados positivos obtidos em cada semestre letivo daquele ano, amparados pela efetiva expectativa da continuidade do projeto estudantil no ano seguinte.

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