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Contos-->30 - O PRIMEIRO EMPREGO -- 10/09/2020 - 16:08 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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30 - O PRIMEIRO EMPREGO

 

A maioria dos jovens, ao vir se aproximar seus dezoito anos de idade, já fica sonhando com a possibilidade de conseguir o seu primeiro emprego, mas nem sempre lhe é possível conciliar o trabalho com seus estudos, e essa incerteza faz com que uma parcela considerável desses jovens esteja quase sempre desistindo da continuidade da vida escolar, mormente se não puder contar com o apoio psicológico e financeiro de seus familiares.

Outros, porém, mais alicerçados socioeconomicamente falando, conseguem prosseguir nos seus estudos, sem a necessidade de dividir todo o tempo disponível para tal com o horário real de um trabalho, por contarem, efetivamente, com a ajuda financeira de suas famílias.

Billy Lupércio Daniel afirma, sem medo de errar que, em sendo o emprego a realização de uma série de tarefas em troca de uma remuneração monetária denominada salário, aquela ocupação remunerada que lhe foi oferecida no auge dos seus treze anos de idade, foi realmente o início do seu primeiro trabalho assalariado. Ou será que ele poderia imaginar que estaria iniciando-se, ali, os primeiros passos do seu primeiro emprego?

Geralmente, o conceito de trabalho se funde com o de emprego, mas tanto este, quanto aquele, podem ser entendidos como aquela atividade realizada pelo homem com o objetivo de produzir uma forma de obtenção de sua subsistência.

Karl Marx, filósofo, economista liberal, revolucionário alemão e um dos fundadores do socialismo científico, confirmou de forma plena essa definição, quando disse que "o trabalho é a atividade sobre a qual o ser humano emprega sua força para produzir os meios para o seu sustento", não deixando dúvidas no tocante ao que se pensa dessa definição quando ela também é usada para designar o que é emprego.

Os pais de Billy, por não serem pessoas abastadas, socioeconomicamente falando, não tinham condições de custear a sequência dos estudos do seu filho noutra cidade, uma vez que na sua cidade o ensino primário era tudo o que ela poderia oferecer para as suas crianças e jovens em idade escolar, por isso eles preferiram o trabalho remunerado de seu filho à continuidade dos seus estudos.

Naquela fase de sua vida infantil, após ter concluído o ensino primário, e sem nenhuma perspectiva de sair de sua cidade para estudar o nível ginasial noutra cidade mais avançada, por lhe faltar os devidos recursos financeiros, Billy viu-se obrigado a aceitar a primeira oferta de trabalho que lhe surgiu pela frente.

Naquela situação de carência socioeconômica em que até então ele vivia, atuaria em qualquer atividade de trabalho lícita que lhe proporcionasse, mensalmente, uma remuneração capaz de gerir o seu sustento e, por extensão, o de sua família.

Billy que acabara de receber seu certificado de conclusão do ensino primário em um dia e no outro já começaria a trabalhar numa casa de revenda de tecidos no varejo e confecções e ali, ele trabalharia, a partir daquele momento em um estabelecimento comercial que pertencia à professora que lhe ministrou aulas da terceira à quinta e última série do ensino primário.

Billy agradeceu a Deus pela graça alcançada e por Ele ter iluminado os proprietários daquela loja, fazendo com que eles o contratassem, dando-lhe aquela oportunidade ímpar, naquela fase indefinida de sua vida como estudante mirim.

Billy trabalhou lá, como balconista e caixa, por um período considerável e ele lembra-se, com grande riqueza de detalhes, que ficou muito radiante quando recebeu o seu primeiro salário.

Por tratar-se de uma oportunidade de emprego que foi  oferecida a um adolescente, sem experiência, o salário combinado e pago naquela época, era equivalente a pouco mais de um quinto do salário mínimo oficial daquela região.

Em princípio, ao receber seu primeiro salário, ele não sabia o que fazer com aquele maço de dinheiro nas suas mãos. Compraria um sapato, uma camisa, uma caixa de bombom, iria duas ou três vezes ao cinema?

O garoto Billy por não estar acostumado a lidar com uma quantia vultosa de dinheiro, além dos minguados centavos que uma vez ou outra recebia do seu pai,  não fez nenhuma dessas coisas: após receber aqueles seus primeiros dois mil cruzeiros mensais, muito inflacionados que já o estavam, os entregou aos seus pais, com o intuito de ajudá-los na compra de alimentos e na resolução de outras necessidades mais prementes de sua extensa prole.

Billy recorda que ficou apenas com alguns centavos de cruzeiros no bolso, com os quais compraria algum doce na feira livre de sua cidade, mas estava muito feliz por ter conseguido contribuir, de alguma forma, para com o sustento de seus pais e de seus irmãos.

Outros salários vieram, outras ajudas para com o sustento de sua família ocorreram, até o dia em que ele conseguiu se organizar e, juntamente com seu pai e sua mãe, ele pudesse atuar como um esteio um pouco mais consistente, servindo como um  verdadeiro sustentáculo financeiro para a manutenção familiar daquela humilde casa de taipa onde todos moravam.

Entre essas subidas e descidas, em termos de realização de um sonho parcialmente interrompido, que era a continuidade dos seus estudos, algum tempos depois, Billy conseguiria, finalmente, voltar a estudar. Começaria, por fim, os estudos iniciais da primeira série do nível ginasial e depois estudaria a segunda e seguintes.

Os seus patrões, sensibilizados com aquela sua vontade imensa de crescer, cultural e profissionalmente falando, permitiram que ele estudasse em um dos turnos e no outro trabalharia na loja.

Billy reconhece que foram anos de muita alegria, interrompidos mais tarde, pela incerteza da continuidade do ensino ginasial na sua cidade, o que lhe obrigaria a procurar meios alternativos para, concomitantemente, trabalhar e estudar de alguma forma, em algum lugar. 

 

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