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Contos-->29 - MOVIDO A DESAFIOS, SEMPRE -- 04/09/2020 - 18:15 (GERMANO CORREIA DA SILVA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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29 - MOVIDO A DESAFIOS, SEMPRE

O dia a da do aprendizado escolar inicial do garoto Billy Lupércio Daniel, desde o seu primeiro dia de aula, até a conclusão da quinta série do ensino primário foi recheado de desafios. Surgia um após o outro, mas em que pese as dificuldades por ele encontradas, aos poucos tais empecilhos foram ficando para trás, dando lugar para outros que estivessem por vir.

Inicialmente, enquanto ele esteve estudando o primeiro ano primário na Escola Rural, às duras penas, teve de aprender a escrever e em tempo recorde aprimorar sua caligrafia. Por razões marcadas por um descompasso entre o tempo que ele teve disponível para tal fim e a sua pressa em, primeiramente, aprender a ler, no curto período em que esteve estudando as primeiras letras numa escola particular da sua comunidade, ele não conseguiu fazê-lo a contento enquanto esteve lá.

Nesse mesmo ano, já no segundo semestre, Billy teve de aprender a estudar à distância, ou seja, longe da escola, em virtude de um acidente que sofreu enquanto acompanhava seu pai durante a execução de um trabalho de corte de lenha, que o impossibilitou de frequentar as aulas, presencialmente.

No ano seguinte, quando ele já cursava a segunda série do ensino primário, na Escola Municipal, pôde realmente aprender a escrever um pouco mais que antes, superando parte das dificuldades enfrentadas enquanto esteve cursando a primeira série, lá na Escola Rural. Novos horizontes foram se abrindo e ele pôde se destacar um pouco mais, a ponto de chamar a atenção, de uma forma muito positiva, de alguns pais de alunos e de alguns mestres, principalmente.

Vieram o terceiro, o quarto e o quinto anos e, a partir daí, ele não teve mais problemas que pudessem colocar em xeque a sua disposição contínua para superar os eventuais desafios que surgissem à sua frente.

Em geral, a vida de qualquer ser humano normal é repleta de desafios e eles começam a surgir desde o instante em que ele decide dar seus primeiros passos. Há quem entenda que cada ser humano nasce com um roteiro prévio dos caminhos por onde ele transitará e por tudo o que ele irá passar e que por causa disso lhe será impossível mudar o que já está escrito e traçado para a sua vida.

Billy afirma discordar plenamente desse modo acomodado e conformado de se conduzir a vida, disse que  respeita a quem pensa dessa maneira. Ele alegou pensar diferentemente de tudo disso e, declaradamente, emitiu seu parecer a respeito desse tema, fazendo uso das palavras do cantor brasileiro Geraldo Vandré, constante em sua canção intitulada "Pra não dizer que não falei das flores", onde ele enfaticamente afirmou que “quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

Ainda nessa linha de raciocínio, Billy contou que certa vez, enquanto ele cursava o quarto ano primário, numa escola pública que ficava no centro da cidade, próximo à ocorrência das provas avaliativas de fechamento do ano letivo, surgiu um boato de que havia uma professora que gostaria de testar seus conhecimentos durante uma das provas eliminatórias para fins de sua aprovação para a série seguinte do ano letivo vindouro.

Segundo ela, o que estavam falando de positivo e de forma excepcional a respeito da desenvoltura de certo aluno era apenas e tão somente um modo exagerado de alguém que queria superestimar o grau de absorção de conhecimento e de assimilação das disciplinas de um aluno meramente comum e igual aos demais.

Billy não se considerava um aluno acima da média, como algumas pessoas passaram a comentar que na classe da professora X, existia um aluno que se destacava dos demais, tendo, desta forma, aguçado uma curiosidade a ser constatada, a qualquer momento, por parte dos pais de alunos e de professores de outras classes daquela escola.

Meio cética em relação aos comentários elogiosos de alguns professores e moradores da cidade, acerca de uma eventual desenvoltura e facilidade de aprendizado de determinado aluno que cursava o quarto ano primário, essa professora sugeriu que esse aluno diferenciado fosse arguido por ela em, pelo menos, numa das provas do exame final, porque ela não acreditava que tudo o que o povo andava falando sobre ele fosse verdade.

Billy até entendia que ela tivesse suas razões para pensar daquela maneira, mas a forma tosca e afoita com que ela se reportou acerca do assunto, mexeu com o seu brio e, ao ser confirmada essa intenção por parte dela, Billy disse que se sua professora o permitisse, ele toparia plenamente aquela instigação proposta pela professora desafiante.

Como se tratava do último semestre letivo daquele ano, logo era chegado o dia de sua arguição oral com a professora desafiadora e todos os professores que eram colegas dela naquela escola e que acreditavam no desempenho positivo do garoto Billy, ante o desafio que fora lançado por ela, ficaram torcendo pelo sucesso dele.

No dia e horário estabelecidos para as provas finais de arguições orais, ela apareceu toda pomposa e cheia de si, crente que venceria a contenda. Na verdade, ela fez de tudo para o encurralar durante aquela arguição, sem fugir, evidentemente, dos parâmetros curriculares da disciplina sorteada que coube a ela, mas foi amplamente surpreendida por ele durante todo o tempo daquela prova, que acabou não tendo nem vencido nem vencedor daquela demanda proposta por ela.

Meio desolada, decerto, por ter perdido aquela porfia, em que Billy jogou firme com as armas que dispunha, ao final da sua participação ela limitou-se apenas em fazer um breve comentário a respeito do desempenho dele como aluno, naquele momento, dizendo:

- Vocês têm razão: esse garoto é jogo duro. Não dá mesmo para induzi-lo ao erro, em nenhum momento.

Billy continuou a estudar, no seu ritmo normal, no ano seguinte, na quinta e última série do ensino primário, com a mesma professora com quem já tinha cursado a terceira e a quarta séries. Por uma questão de divisão dos mesmos espaços, eles (Billy e essa professora, antes sua desafiadora), continuaram se encontrando, diariamente, tanto nos corredores como no pátio recreativo dessa escola, onde ela e os demais professores também lecionavam.

A título de esclarecimentos e saneamento de eventuais dúvidas acerca das circunstâncias que envolveram esse episódio, essa professora que, por ironia do destino era uma prima de Billy em terceiro grau, acabou se tornando uma grande admiradora do apego que ele tinha pelos seus estudos, mesmo depois de ele não ter conseguido cursar o nível ginasial, nos anos seguintes.

Até aquela data a cidade onde Billy nasceu e continuava vivendo com seus pais não tinha escolas que abrigassem o ensino relativo ao curso ginasial e o aluno que terminasse o primário e quisesse continuar seus estudos teria de fazê-lo em alguma das cidades vizinhas um pouco mais desenvolvidas que a dele, como já o faziam há já algum tempo os pré e os adolescentes de famílias mais abastadas, financeiramente falando.

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