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Artigos-->A pior dádiva de um Nilo -- 01/04/2003 - 17:17 (Darlan Zurc) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


Os amigos mais próximos o chamam de Nilinho, e aqueles que conhecem — chocados — seu estado de espírito atual com toda certeza não encontrariam nome melhor. Por trás do homem que dilata afeto existe um que está atrofiando sua própria consciência; simultaneamente ao Nilo Henrique Neves dos Reis, professor de Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS, Bahia) e editor da “Revista Ideação” e do jornal “Ideação Magazine”, que cultiva amigos e quer sempre afagar a multidão de mulheres, a partir de uma mania muito discutível de desfrutar a vida a todo custo, ergue-se o Nilo Reis que, na ciranda sórdida do jogo de interesses e da mesquinhez dos seus colegas universitários, reverte a tradição alquímica da vida em buscar transformar pauzinho em ouro, ou seja, procurar crescer espiritualmente, respeitar grandes mestres, execrar os medíocres que sabotam cérebros alheios, buscar a verdade, amar a sabedoria — tudo isso sem subterfúgio.



Por causa da sua pretensão em ser visto pelos centros acadêmicos como uma “pessoa maravilhosa”, afinada com a patota esquerdista que os domina, por causa do medo em ter seus desejos contrariados e portas fechadas, o Prof. Nilo tanto está alimentando um monstro dentro de si que, envernizado com uma espessa camada de malícia, cedo ou tarde o devorará descaracterizando-o tão completamente até onde for possível, quanto abriu mão de diminuir o poder e prestígio dos pseudointelectuais acadêmicos para que estes não se voltem contra ele e para ele mesmo ficar com o fim que lhe resguarda, que lhe deixa envaidecido com a lisonja (barata e falsa), que lhe garante um lugar ao sol, ao invés de enfrentar adversários, aventurar-se contra intempéries, escalar dificuldades, procurar, mesmo sob ventos fortes, a distante Ítaca como fez Odisseu, um de seus personagens preferidos.



Não, professor, isso não é viver com grandeza. Esse estado de coisas não pode ser digno de ti, leitor de textos filosóficos, estudioso de David Hume (1711-1776), este que foi um dos homens mais repelidos no seu tempo por justamente escrever o que pensava, subscrever teses polêmicas, amar aquilo que uma parte significativa da humanidade mais execrou e execra: a verdade. (O caro professor pode até contestar o caráter ontológico da verdade, mas jamais pode diminuir o valor da sua busca.)



Não direi que Hume não te merece porque, enquanto estiver vivo, tua torpeza pode ter cura, e já vi os sinais de que é possível; enquanto pensar, alguma epifania pode tomar conta de tua cabeça e fazê-la agir corajosamente; enquanto respirar, algum pulso de inconformismo em teu sangue pode ainda sair aos borbotões; enquanto...



Para citar nomes mais próximos e que me dizem respeito, por que repudiar respeitáveis inteligências como Paulo Francis (1930-1997) e Olavo de Carvalho e exaltar uma figura intelectualmente apagada e quase sem conteúdo como o Sr. Rubem Alves? Razões pessoais, estratégicas, comportamento politicamente correto? Nenhuma resposta soa bem quando está em jogo a independência do teu espírito, a liberdade de teus pensamentos.



O canto da sereia, da pequenez da alma — quando tudo mais não vale a pena —, a sedução do conforto físico (contra a intranqüilidade psicológica de servir e tentar honrar o conhecimento de séculos seguidos) querem parasitar o Prof. Nilo. E parece que fracassam as tentativas de pôr cera em seus ouvidos para que ele não esbarre no rochedo.



Embora minhas palavras sugiram um narrador onisciente, impávido colosso, digo que vós estais enganados. A facilidade em enxergar as feridas alheias cessa quando se trata das nossas. E não estou fazendo um ataque pessoal, pois esta é uma das atitudes mais baixas de um crítico. Os sintomas da morbidez que quer fazer morada no Prof. Nilo são os de todo um grupo, de todo um segmento da intelectualidade acadêmica que, mesmo não querendo se desobrigar de pensar, pensa em função de limites ideológicos. Também nem pretendo argumentar ad hominem: a descrição da patologia niloana diz respeito mais a uma tentativa de estudo psicanalítico que qualquer espírito de abutre que possa existir dentro de mim. Além disso, ainda supondo que o estilo é o homem e o homem é o seu estilo, conheço pouco da obra de Nilo para poder argumentar com propriedade.



E pensar com propriedade neste caso é saber, afinal, se quer o Sr. Nilo transmitir ao mundo algo de valor ou, ao contrário de Machado de Assis (1839-1908), prefere deixar para os seus descendentes apenas o legado de sua miséria? Por essas e outras, sugiro que se levante, professor, reaja ao que lhe transformaram, subverta o farrapo humano que pretendem te moldar, mesmo que seja a partir dos pequenos e raros focos de reação que em ti adormecem. Prove a La Rochefoucauld (1613-1680) que mesmo que prometamos segundo nossas esperanças, nem sempre “agimos de acordo com nossos medos”.





Feira de Santana (BA), 30 de março de 2003.











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