Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
44 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 57091 )
Cartas ( 21170)
Contos (12604)
Cordel (10090)
Crônicas (22210)
Discursos (3136)
Ensaios - (9013)
Erótico (13401)
Frases (43733)
Humor (18475)
Infantil (3786)
Infanto Juvenil (2710)
Letras de Música (5470)
Peça de Teatro (1317)
Poesias (138298)
Redação (2926)
Roteiro de Filme ou Novela (1055)
Teses / Monologos (2401)
Textos Jurídicos (1925)
Textos Religiosos/Sermões (4885)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Contos-->O Abduzido -- 20/11/2019 - 17:37 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

O ABDUZIDO 


Manuel era um homem simples e pacato que morava no povoado de Nazaré, a alguns quilômetros da cidade de Araci, uma cidade a quatro horas de Salvador, Bahia. 
Ele era um lavrador, como todos em sua região, possuía uma esposa chamada Marina e duas filhas Maria Clara e Maria Cristina, de quatro e seis anos respectivamente. 
Na época do inverno ele sempre acordava cedo para preparar a terra para o plantio de feijão e milho, que esse ano  dizia prometer uma grande colheita, pelo simples motivo da barra de nuvem, estacionada à noite, antes do inverno. Quando a colheita é boa, todos lucram, pois a economia do município gira mais em torno disso, ou da aposentadoria dos idosos, que são uns verdadeiros “lordes”- como dizem - porque a pensão deles é que sustentam muitas pessoas na família. Como Manuel ainda tinha pai, com o mesmo nome que ele, conhecido como Manezinho das cabras, durante a entressafra, dava para se virar com o dinheirinho do pai. 
Mas ele sempre queria muito mais que só aquela vidinha, queria conhecer o mundo lá fora, pelo menos poder conhecer uma cidade grande como Feira de Santana, Salvador, então era um sonho... 
À noite, ele e seu pai sempre iam para o quintal fumar um cigarro de palha e deixar o pensamento voar, imaginando o que seriam aquelas luzes lá encima, no céu, que pareciam ter inteligência própria, uns chamavam de carneiro de outro, onde eles pousassem, as pessoas encontrariam um animal dourado, e poderia enriquecer com aquele achado, e outros falavam que era um tipo de aparelho, que ele, na sua humildade não sabia precisar, muito menos o seu velho pai. 
De manhã bem cedinho, antes do dia clarear, lá ia o nosso amigo, cuidar da sua plantação, como fazia regularmente, e pontualmente, não precisava nem de relógio, dizia que aquilo era só para pendurar em braço de madame. Seguiu o seu caminho e de repente apareceu um facho de luz incandesceste, que o sugou diretamente para um aparelho de forma discoidal, deixando somente a sua bicicleta intacta, nada mais. 
Lá Manuel só conseguiu observar uns homenzinhos, com cerca de 90 cm de altura, uma cabeça bastante grande para o seu tamanho, e sentiu que estava deitado dentro de uma sala oval, encima de algo parecendo com uma cama, só que era fria e metálica, onde um deles apareceu com uma agulha enorme e colocou dentro do seu nariz, e o outro ao mesmo tempo, colocou outra agulha lá dentro, no seu pênis, na sua uretra, mesmo com todo aquele aparato o homem  estava bastante calmo e não sentia dor nenhuma. 
Sentiu que estava fora do seu planeta, assim percebeu, porque o livro que sua filha Maria Cristina estudava mostrava aquelas imagens. 
No outro dia foi aparecer completamente sem memória, perto de João Vieira, com uma dor danada, totalmente nu e sem saber o que acontecera, o seu cabelo estava branco, e tinha um monte de ponto em forma de círculo bem atrás da sua perna. 
Quando chegou perto da primeira casa pegou algumas roupas, escondido, pois lá ninguém tem medo de ladrão, -onde já se viu assaltar pobre? - e se dirigiu direto para casa, algumas léguas depois. 

Chegando lá, sua esposa, estava completamente inconsolável, seu pai já tinha procurado até a prefeita e o delegado, mas ninguém tinha notícia, durante uma semana. Foi quando o cara  chegou todo atordoado e suado em casa e todos o abraçaram chorando. 
Quando se acalmaram, fizeram uma bagatela de perguntas, que  não sabia responder, só sabia dizer que foi levado por uma luz, que o paralisou e levou-o embora, e em sua mente ecoava uma mensagem que voltaria para buscá-lo quando a hora chegar. 
A partir daí nosso amigo praticamente perdeu o juízo, desenhava sempre objetos voadores redondos, aparelhos estranhos, mudando completamente a rotina da família, a sua plantação foi toda comida pelo mato, pois uma semana sem limpeza, já sabe, com aquele rico inverno, não dava outra. 
Até televisão de Salvador veio fazer reportagem com ele um dia, e um ufólogo famoso que acompanhava a reportagem, logo percebeu que tratava-se de uma abdução, é quando as pessoas são sequestradas por seres alienígenas, normalmente elas voltam totalmente transformadas e desnorteadas, um caso que não é comum para os estudiosos da área. 
A partir daí foi feito um acompanhamento com toda a família, e até deram uma valiosa ajuda para eles, que hoje alguns anos depois conseguiram vencer o trauma e ainda progrediram, levando sua família para a Araci, assumindo uma criação de cabras, junto com seu pai, mas nunca mais quis saber de sair de manhãzinha, muito menos de plantação de Feijão. 

 

 

Marcelo de Oliveira Souza,IwA

2x Dr. Honoris Causa em Literatura

instagram: marceloescritor

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui