Usina de Letras
Usina de Letras
21 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 61949 )

Cartas ( 21333)

Contos (13252)

Cordel (10444)

Cronicas (22529)

Discursos (3235)

Ensaios - (10254)

Erótico (13559)

Frases (50353)

Humor (19993)

Infantil (5387)

Infanto Juvenil (4724)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1375)

Poesias (140710)

Redação (3290)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1956)

Textos Religiosos/Sermões (6141)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
cronicas-->A BUZINA -- 22/01/2008 - 18:54 (ANTONIO LUIZ MACÊDO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A BUZINA
Antonio Luiz Macêdo

Nas vésperas das provas da faculdade, a atenção era redobrada e os estudos se intensificavam. Existia sempre alguém que se sobressaía em uma ou outra disciplina. Era o natural. Dentre as cinco que compunham a grade do primeiro semestre, Química Analítica constituía-se no verdadeiro bicho-papão. Professor de uma exigência que fugia à regra, e conteúdo programático de arrepiar. O comentário corrente entre os alunos veteranos, desestimulava e causava terror a qualquer um. Não é que eu fui me meter logo com ela?

Em vista disso, a semana que antecedia a data da prova tornava-se desafiadora. Estudando e ensinando na casa de um e outro, durante a noite, e dependendo da volta durante a madrugada, porquanto não tinha carro, alguém sempre se disponibilizava a realizar o itinerário de volta.

Numa dessas madrugadas o fusquinha azul do Marco transportava seis. Fortaleza ainda era uma cidade pacata onde se fazia serenata nas noites de lua cheia. Dirigindo tranquilamente e conversando o necessário (para não se distrair), aproximávamos do destino. Era por volta de 02:30h da madrugada. Na ànsia de chegar logo, o acelerador foi pressionado um pouco mais. De repente, a uns cinquenta metros, surge na frente do fusca um bêbado. Atravessava a rua num andar cambaleante e trópego. Buzina acionada. Freio pressionado, os pneus "gritaram" no atrito com o calçamento tosco. Buzina. Buzina. Gritos nossos. Solavancos. Buzina. Direção controlada. O carro pára. Ainda toca no bêbado. De dentro do carro o desfile de elogios à mãe do "pinguço", bem como achincalhes e palavrões, cujos ecos se perdiam na noite da capital. Ele permanece ali. Parado. Marco desce. De pé agora ao lado do azulzinho complementa o que ainda faltava. Descemos todos. O "empilecado" encostou-se no fusquinha, colocou a mão direita na cintura, olhou com o olhar atravessado e arrematou:
- Eta buzinazinha imoral...
E foi se retirando. Risos e gargalhadas. Uma ducha de água fria. Na porta do hotel ainda gritei:
- A buzina!
Já faz quarenta e tantos anos.


Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui