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Crônicas-->TJN - 004 = Os Loucos Intentos de Bin Laden -- 06/09/2007 - 17:17 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. “Ó Senhor, abala-os, divide-os, faz tremer a terra debaixo dos seus pés e dá-nos o controle sobre eles”. Isto foi pronunciado pelo líder da Al Qaeda em 1996, convencido que recebeu a anuência de Deus (Al Lah), para atacar e dominar o Ocidente infiel, impondo a hegemonia islâmica e a sua Fé, obsessivamente a única, a verdadeira. São os desígnios da expansão islâmica (Jihad) que já vêm desde a Hégira, em 622.
E parece que é o que está a acontecer após o massacre de Nova Iorque de 11S, pois o Ocidente amedrontou-se, precipitou-se e dividiu-se. E isto foi muito antes dos ataques ao Afeganistão e ao Iraque o que leva a crer que não foram estas operações os motivos dos seus hediondos atentados. Já os tinha cometido antes na Somália; em Nairobi, no Quénia; em Aden, num couraçado americano e no World Trade Center em Nova Iorque antes do 11 de Setembro e mesmo o de Bali, na Indonésia, foi antes da invasão do Iraque.
Os intentos retrógrados, xenófobos, intolerantes e globais de Bin Laden quando formou a sua base de dados, a Al Qaeda, estão bem patentes nas suas entrevistas de 1997 e 1998 à CNN e à TIME: após expulsar os infiéis das terras do Islão, pretende provocar a exaltação do mundo muçulmano à custa das retaliações dos americanos aos seus ataques, de forma a obter um ambiente que lhe permita derrubar os regimes dos países árabes mais moderados, com boas relações com o Ocidente e substituí-los por regimes radicais islâmicos. As prioridades iriam para o Paquistão com o seu poder nuclear e a Arábia Saudita com os seus 25% do petróleo mundial, ambos protegidos pelos americanos. Unindo assim o mundo islâmico (Umma) já bem implantado na Europa, num califado com governo único como no tempo dos primeiros califas sucessores de Maomé (Damasco e Bagdade), regido pelos preceitos do Corão e pela Xária ou lei islâmica, na versão mais radical dos wahhabitas sauditas. Acredita que o regime taliban, no Afeganistão, era o que mais cumpria fielmente esses preceitos (pobres mulheres!). Naturalmente que seria ele próprio ou o mulah Mohammed Omar, chefe dos taliban, o novo califa, pois já se intitula “emir” e diz-se grande admirador de Saladino, o hábil guerreiro muçulmano curdo, Sultão do Egipto, que conquistou Jerusalém no final do século XII, provocando a III Cruzada do Oriente! Só que os primeiros califas e o próprio Saladino não eram fanáticos mas homens sábios e equilibrados. Estes intentos não parecem visar o progresso nem levar a um mundo mais justo mas sim um regresso ao passado duma mente ambiciosa, despeitada mas saudosista que pretende fazer regressar o mundo mil anos atrás, anulando toda a evolução da humanidade que se verificou através dos séculos.
Nesse sentido, espera destruir a hegemonia ocidental baseada na tecnologia de ponta e no poderio militar dos Estados Unidos que crêem dominados pelo poder financeiro sionista (nisto parece estar a ser ajudado por mitos europeus que se revelam constantemente contra os americanos e judeus). Naturalmente que os Estados Unidos e quem os ajudar nesta guerra, serão o alvo preferencial, porque, para eles, são a origem de todos os males (em parte têm razão) e o principal obstáculo à destruição de Israel e à invasão do Ocidente infiel, para a reconstituição do Império Árabe dos Séc. VII a XIII. Para isso, contam com a solidariedade muçulmana que se manifesta nas grandes comunidades islâmicas espalhadas pelo mundo, onde se acoitam muitos membros de grupos radicais, autênticos cavalos de Tróia prontos a entrar em acção como aconteceu em Espanha. Aproveitam, a seu favor, o liberalismo, as liberdades democráticas, a livre circulação de capitais, pessoas e bens e as leis do Estado de Direito que procuram tacticamente enredar quando são apanhados; a ganância do capitalismo dominante, a decadência moral e a falta de Fé bem como o pânico provocado, pelos seus bárbaros ataques, nas populações pacíficas do Ocidente, levando-as a protestar contra as retaliações ocidentais. É o que está a acontecer.
E o perigo apocalíptico está presente. Embora sejam ambições que, à primeira vista, pareçam difíceis de alcançar, o certo é que estão a acontecer, tornando-se uma situação muito delicada. Os mentores da Al Qaeda parecem estar nas delimitações do Paquistão, numa região inóspita, quase inatacável, de tradição tribal, que o governo de Pervez Musharraf não controla em pleno. O Paquistão, cheio de fanáticos fundamentalistas, possui ogivas nucleares que poderão estar ao seu alcance. Já se imaginou o poder nuclear na posse de tresloucados suicidas? E isto, para não citar as obstinadas pretensões nucleares dos fanáticos xiítas do Irão dos Kohmeini É aí que reside o grande perigo apocalíptico, para além dos que vão morrendo pelo caminho desta louca e bárbara aventura que os profetas da desgraça sempre visionaram e que parece estar agora a acontecer como uma fatalidade, perante um Ocidente laico e dividido que, na sua maioria, já nem reage.
Desiludam-se pois muitos adeptos ocidentais destes fanáticos islamitas, porque, ao contrário de muitos grupos terroristas que lutam e lutaram pela independência das suas nações, pelo progresso, justiça social contra a opressão das ditaduras ou dos grandes grupos financeiros, o milionário Osama Bin Laden e seus acólitos parecem lutar pelo retrocesso, pelo que hoje se considera retrógrado, por uma teocracia fechada, misóloga, xenófoba, intolerante, torcionária e opressora, capaz de todas as atrocidades e barbaridades que, cá no Ocidente, se ultrapassou, no caminho, embora sinuoso, da democracia e duma sociedade mais justa.

6/04/04

Reinaldo Beça

(reibessa@hotmail.com)


Nota: a referência ao Irão não consta do texto original


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