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Poesias-->OS LIXEIROS -- 10/03/2020 - 05:00 (PAULO FONTENELLE DE ARAUJO) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

A perua escolar estaciona na rua estreita

em frente ao meu prédio.

No início da noite

o caminhão de lixo não pode passar.

O lixeiro começa a gritar:

“Perua escolar atrapalhando o lixeiro!”

Ninguém responde o homem repete:

“Perua escolar atrapalhando o lixeiro!”

Pela terceira vez  ele repete:

“Perua escolar atrapalhando o lixeiro!”

Ninguém responde do prédio e o grito muda:

“Perua e escola sempre atrapalharão o lixeiro!”.

E o lixeiro passa a improvisar:

“Perua atrapalhada também atrapalha o lixeiro!”;

 “Escola atrapalhada nunca deixou o lixeiro passar!”;

“Escolar o lixeiro nunca foi mas agora quer passar!”;

“Escola sempre achou o lixeiro atrapalhado!”

“Lixeiro pode mudar, mas agora a perua atrapalha!”

“Depressa retirem a perua e deixem a escola

é o que pede o lixeiro!”.

“E o lixeiro quer passar!”

 

Do prédio ouve-se um grito:

“Por que você não dá a ré e carrega o lixo nas costas?”

 

DO LIVRO: AS SONDAS AMAM

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