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Poesias-->DIGESTÃO -- 08/10/2019 - 01:48 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos



DIGESTÃO

Muitas vezes engulo a cidade
e caminho suas entranhas de argamassa antiga
Tento resgatar as distancias
sem importar onde vou

Mas eu é que acabo engolida
parte que sou

Falta-me algo ancestral
cravado como animal
o tanto moderno que há
mastiga-me em suas tripas
e viro uma coisa a mais

Levo uma espécie de grito
rouco
que não é só meu
e deve ter sangue e poeira
guardado sob este sol…

Então ela me devolve
algo indigesta que sou
o grito guardado ao peito
rouco
como uma dor

Quase não tenho flores.
Há pisos, elevador.

Então quero histórias, contos
muitas palavras e sons…
Vou inventar os mundos
alguns, outro já inventou.

Mesmo assim me protejo...
Finjo-me de escritor



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