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Contos-->Hoje -- 01/05/2014 - 10:58 (ANA SUELY PINHO LOPES) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Atualmente...
Hoje aos 55 anos, madura, dona da uma vida bem vivida, realizada, procuro usar sempre o bom senso, escutar a voz interior e contar com a ajuda divina, respeitando alguns limites, seja por questão de idade que leva ao amadurecimento, de consciência que desperta dia a dia, da liberdade que faz parte do meu dicionário de ser livre, feliz; busco qualidade de vida, o respeito ao próximo, retribuir a sociedade pelo prêmio de ter estudado em duas universidades públicas que é um grande privilégio; busco melhorias, uma conscientização cada vez maior do que devemos fazer pela proteção do meio ambiente, compreender principalmente, os menos privilegiados na escala social, lutar por um mundo melhor, respeitando e considerando cada um no seu limite, conforme seu horizonte de compreensão.
Pratico o difícil e importante exercício de falar menos e ouvir mais, não julgar o próximo, compreende-lo partindo do princípio de que, cada cabeça uma sentença. Cuidar mais de mim mesma, fazer o que mais me dar prazer, esvaziar minha mochila dia a dia, pois cheguei à conclusão, que, a pior coisa que pode nos afetar de forma negativa com o tempo é o risco de carregar lembranças, experiências, e vivências mal resolvidas no seu tempo, que deixaram marcas vivas e que vão pesar no futuro, sejam recordações tristes, perdas, mágoas e que, se não bem processadas pesam e tornam-se um fardo em nossa consciência, em nossa caminhada e não nos fazem bem. O que passou, passou, o futuro virá, ninguém sabe exatamente como será. Então, vamos viver o presente!
Após os cinquenta anos, ganhamos uma posição confortável de estarmos sempre recomeçando e isto é muito bom, por tudo que fizemos e ainda desejamos fazer! Já nos sentimos firmes diante de nós mesmas e dos outros, não precisamos provar mais nada nem mostrar serviço.
Capricorniana, determinada, persistente, espírito de justiça, liberdade e sempre em busca de algo, é impossível parar, e ficar apenas esperando acontecer, isto não é do meu naipe! Apenas, com o tempo, concluí que não precisa mais correr desesperadamente, ter tempo para sentir melhor, até para lavar e escovar os cabelos, os dentes, tudo ganha mais atenção e fica mais gostoso de fazer.
Sempre gostei de rezar, de pedir a Deus proteção, sempre acreditei em anjos. Hoje, agradeço, agradeço e agradeço. Melhor ato que encontrei para estar em paz com Deus e entrar em estado de harmonia. Quando mais jovem frequentei muito a igreja, participei de coroação de Nossa Senhora posta em altar feita anjo, de coral da igreja e até pensei em ser freira, era um desejo de minha mãe, mas, não cheguei a tanto! A fé sempre me ajudou muito, procuro sempre estar com Deus, acreditar na justiça, no amor e numa força maior, pois sei que existe!
A juventude é linda, é o despertar para a vida, o deslumbrar-se, o firmar-se, o correr atrás. A maturidade é o agradecer, o relevar, o refletir, ganhamos mais tempo para isto, o selecionar, quando amadurecemos nos tornamos mais exigentes, mais chatos, e podemos avaliar melhor as escolhas.
A maturidade nos ensina a conviver melhor com nossa companhia, a observar melhor a sentir mais e tudo isto nos leva a plenitude da vida!
Escrever é uma paixão que sempre esteve presente em minha vida, bem como a leitura. Eu tinha uma tia chamada Mocinha e ela era fantástica e uma poeta na alma, à época não havia computador, acesso a máquina de escrever, e ela escrevia na parede com um lápis, um dos maiores prazeres que eu sentia, era, aos passeios de domingo, ir para a casa da Tia Mocinha, ler seus poemas, cânticos, evocações escritos a lápis na parede de sua casa, lembro bem, que a parede era laranja, coincidentemente a cor que desperta a criatividade, e que me enchia de imaginação e espiritualidade.
Lembro também do meu avô paterno Manoel, irmão da Tia Mocinha, que adorava escrever, tinha uma letra belíssima, e eu adorava vê-lo escrever cartas e acompanhá-lo na leitura. Acredito que, além do convívio com estes familiares que manifestavam o dom da escrita, a oportunidade de conviver com os livros e as bibliotecas, na minha profissão de bibliotecária me levaram ao prazer da escrita junto à sensibilidade que sempre me foi peculiar!
Passar dos 50 anos, não significa desistir, mesmo diante das conquistas consolidadas, o alvo agora é obter qualidade de vida, novas formas de viver com mais prazer, seja na amizade, no sexo, no amor, na convivência, na aceitação de si, no desbravar do ser e fazer!
A saudade sempre está presente, mas faz parte da vida, quero senti-la e conviver com ela como uma amiga que me apoia e me faz perceber as preciosidades da vida é uma maneira de agradecer pelas tantas coisas boas que a vida me deu, família, amigos, viagens, livros, encontros. Ela traz recordações maravilhosas de coisas que passaram, mas, deixaram como marca o gosto pela vida, é bom carregar na mochila boas lembranças.
Junto à maturidade, a saudade do que passou, vem à necessidade de trabalhar o desapego, pois este só incomoda, atrapalha e não permite que a porta se abra para outras experiências que trarão mais vivência e para o novo que a qualquer momento pode bater na sua porta, seja por meio de pensamentos, de percepções, de sonhos, premonições etc. É hora de ouvir com o coração!
Não tenho medo da velhice, o que eu temo mesmo é a solidão, quero manter sempre contato com amigos, pessoas positivas e que me fazem bem; sabe aquela sensação de que te dão de te colocar para cima, parece que sentem o que você está sentindo e quando vão após um encontro te deixam mais feliz te renovam! São essas pessoas que quero continuar convivendo.
Imagino uma velhice entre livros, ao lado de minha alma gêmea, meu grande companheiro Elson, vinho, poemas de autores imortais, muitas fotos, música e cuidando do nosso jardim, dos animais, adoro gatos e também cães, os labradores em especial que sentem, pensam, e olham para a gente, tentando entender o que falamos, pensamos e queremos.
Não quero abrir mão de caminhadas e práticas de yoga; além de contar com um projeto cultural onde eu possa repassar meu conhecimento às crianças, as outras pessoas! Escrever muito, muito sobre a graça do viver e compartilhar este prazer com outras pessoas!
A maturidade nos traz muitas coisas positivas além de rugas; permite nos conhecermos melhor, definirmos nosso ponto de vista, o nosso jeito de ser; nossa identidade se revela facilmente! É muito interessante, nos apropriamos mais de nós mesmos! Ameniza a pressa, a ansiedade, aprendemos a esperar, quem sabe seja para que o tempo renda mais e ainda aprendamos a lidar com qualquer situação e tirarmos de cada uma o melhor, assim se torna mais fácil de ser feliz!
Com o tempo nos tornamos mais tranquilos, no meu caso, sinto que mudei muito. Sinto-me mais introspectiva, reservada, hoje penso mais antes de agir, de falar. Antes eu adorava falar, conversar muito e conhecer muita gente. Hoje avalio melhor as amizades, a quem devo confiar, com quem ficar mais íntima, tornei-me mais seletiva em tudo e considero o maior ganho da maturidade o equilíbrio, me conhecer melhor, saber o que ainda desejo, o que não quero mais e ter clareza do meu limite, isto eu respeito, não abro mão e também não me obrigo mais a nada.
É um grande presente de Deus ter um companheiro de anos de convivência para envelhecer juntos, que nos conhece de longe e apoia e que vivenciou junto experiências, desafios, perdas, ganhos e também acompanhou as mudanças do nosso corpo, da nossa cabeça e tornou-se um testemunho na história de nossa vida.
É uma felicidade ter filhos para acompanhar, se ocupar por toda a vida, dividir, compartilhar, acompanhar e sonhar junto!
Quanto o que ainda desejo, se for para o meu bem vai acontecer, se não, não interessa, é o que tenho praticado também nos últimos tempos; antes, quando eu queria algo, achava que tinha que ser e pronto! Não imaginava, de fato, até que ponto seria bom para mim. Hoje aprendi que nem tudo que desejamos é o melhor para nós, e o que tiver de acontecer naturalmente há de ser o melhor, o que for designado por Deus. Prefiro pensar assim, é uma boa maneira de viver sem ansiedade, sem criar muita expectativa, em paz. Busco, vou à luta sim, se der certo ótimo, se não é por que ... tinha que ser assim e assim será!




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