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Contos-->Hora de enfrentar o mundo lá fora -- 01/05/2014 - 10:53 (ANA SUELY PINHO LOPES) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Adolescente, cheia de sonhos, de temores, de necessidades. Ainda no colo familiar, muito embora há muito estivesse me tornado uma pessoa adulta no sentido de ter responsabilidades no sentido de ajudar nos afazeres domésticos, cuidar das irmãs mais novas, pois lá em casa era assim, as mais velhas “adotavam” uma irmã mais nova para cuidar, cada uma se tornava uma espécie de mãe muito cedo; estudava a noite, pois durante o dia havia muitos afazeres, dormia cedo, pelo cansaço e porque também sempre gostei de dormir cedo e de ficar na companhia de minha mãe, sempre fui muito apegada a ela, não gostava de sair à noite mesmo que fosse para participar de programas sociais que sempre me fascinaram, na época eram religiosos, missa do galo, coroação de nossa Senhora, queima do Judas no sábado de aleluia etc.
Até aos treze anos de idade fui participante assídua da coroação de Nossa Senhora da Conceição, que acontecia todos os anos no dia 31 de maio, e eu sempre era “anjo” com direito a asas e coroa; lembro-me muito bem no último ano que fui anjo aos 13 anos e fui sorteada para coroar Nossa Senhora, foi uma honra, pois ela foi escolhida pela minha mães para ser a minha madrinha de batismo!
O melhor de tudo era o “passeio dos anjos” que ocorria sempre no mês de junho, e era muito esperado, sempre era um piquenique embaixo de uma ponte, onde havia rios, garças e lá armávamos redes, fazíamos churrascos ou íamos passar o final de semana em uma fazenda. Tudo muito bem planejado e organizado sob a responsabilidade do padre da paróquia. Era um trabalho muito grande, convencermos ao nosso pai de permitir que fôssemos ao passeio, arrumarmos roupas adequadas como o short do banho e convencer a mamãe para matar uma galinha, pois era esse o nosso lanche do passeio, além de biscoitos, leite, rapadura e outras guloseimas.
Ao fazer catorze anos, a família já estava completa e de tanto trabalhar na agricultura, exposto ao sol, e contando com a origem genética o meu pai adoeceu de diabetes tipo número dois e começou uma luta intensa pelo tratamento que teria que ser feito no hospital de Quixeramobim, cidade mais próxima, tinha que evitar muitas comidas, doces, esforços.
Ele fazia o tratamento com seriedade e com muita dificuldade, com ajuda dos irmãos, dos vizinhos e da família; mas, foi ficando frágil, não dava mais conta de trabalhar sol a sol, a nossa vida econômica e financeira foi se tornando mais difícil, muitos filhos para criar, tínhamos que estudar em escola pública, aliás, estudei em apenas uma escola particular na minha vida que foi no Patronato Santa Terezinha, aquele do castigo da farda; via o papai triste, a mamãe sempre rezando, preocupada com as difíceis condições de vida e eu me preocupava muito com o futuro, principalmente com o nosso estudo.
Um dia ouvi o papai muito constrangido contando para a mamãe que o vovô Manoel, seu pai, havia dito que ele deveria nos tirar da escola e colocar para trabalhar na roça para ajudá-lo a criar a família e ele falou: não papai, o único bem que posso deixar para meus filhos é a educação, por meio do estudo e isto eu não faço, elas vão continuar estudando, mesmo que eu tenha que sacrificar minha saúde.
Recordo, do orgulho que ele sentia de mim, quando participava das reuniões de escola e voltava todo contente com os elogios que recebia de meu bom desempenho na escola; isto me comprometia cada vez mais a lutar pelo estudo, para um dia tornar-me “pessoa importante” e retornar com alegrias a realização dos seus sonhos de pai; eu tinha muito orgulho dele, homem de pouco estudo, mas era muito inteligente, de caráter, honesto e de muita fibra.
Pensando no que fazer para construir um futuro promissor, decidi então ir morar em Fortaleza na casa de uma prima, para cuidar da filha dela e ter acesso aos estudos. Aquela separação foi de partir o coração, foi muito, muito dolorosa, fui uma ou duas vezes neste ano ver meus pais.
No ano seguinte minha irmã mais velha, a Sônia, me acompanhou, foi para outra casa e assim, fomos nos distanciando do nosso lar, assumindo uma realidade em prol do futuro que nos dava força, coragem e bravura diante dos desafios que eram postos a nossa frente e com todas as provas, e que, de certa forma, nos obrigava a encarar ou encarar, não tinha outras opção, cabia somente a nós, enfrenta-los com muita coragem e contando com a aprovação que tivemos de nossos pais e foi isto que aconteceu.
Lembro que véspera de meus quinze anos, viajei para Fortaleza com minha irmã mais velha, já de mudança em busca de melhores condições de vida e ao despedir do papai, já muito fragilizado, na madrugada do dia seis de janeiro de 1974, faria 15 anos dia sete, e sem forças para levantar para o abraço, que seria o derradeiro, sentou-se e tristonhamente nos abençoou, desejando boa sorte e disse que acreditava na gente, confiava, somente por esta razão que nos deixaria partir e saí com o coração apertadinho, foi o último dia que vi meu pai.
Independência, muito trabalho, dificuldade financeira, muito estudo, para enfrentar o mundo do mundo; a cada ano vinha mais uma irmã e a mamãe ficou um tempo ainda em Madalena. Saudades, pouco dinheiro, moramos em casa de parente, em alojamento, em kitinete e depois que todas estavam empregadas alugamos uma casa.
Em 1982, a mamãe veio morar conosco, um alento! Ótima companhia, proteção de mãe, comida feita, arrumava até minha mala, pois eu já gostava muito de viajar e não tinha tempo em casa nem para arrumá-la; ela costumava dizer que eu era uma visita em casa. Acordava cedo, ia almoçar correndo, trabalhava a noite e dormia pouco, este era o meu dia a dia.
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