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Contos-->O castigo que me tornou bibliotecária -- 01/05/2014 - 10:51 (ANA SUELY PINHO LOPES) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. O castigo que me tornou bibliotecária
A minha missão de ser bibliotecária nasceu de um castigo! Este me deu a oportunidade de amar os livros, apreciar a leitura, contribuir com a civilização e escolher uma das mais nobres profissões, pelo fato de tratar a informação, disseminá-la e tornar-me uma ativista cultural.
Aos sete anos de idade, em Madalena pequena cidade do interior do Ceará, meu pai não se encontrava em condições de comprar a minha “farda de gala” para desfilar no Dia da Independência, sete de setembro.
Por decisão da diretoria do Colégio, o aluno que não comparecesse com um novo uniforme, que tinha que ser diferente a cada ano, não podia desfilar e teria um castigo!
Após o desfile realizado no domingo, na semana seguinte, a pena para pagarmos nosso “crime”, minhas irmãs e eu, melhor dizendo, nossos pais; pois eu era uma criança de apenas sete anos de idade; era ficar de castigo, sem merenda escolar, por uma semana na hora do recreio e advinha aonde? Na Biblioteca, pelo fato de ser a única sala disponível para receber “alunos não cumpridores de seus deveres”, e a biblioteca era vista como um lugar de pena, de castigo. Ao invés de ser vista como ambiente de instrumentos de independência, que liberta, pois a leitura liberta, informa, transforma e conscientiza!
Minhas irmãs e eu, ficamos sem lanche e presas na biblioteca por uma semana e minha saída foi buscar o alimento espiritual. Lembro-me como se fosse hoje, eu, pedindo muito timidamente a permissão a professora que nos vigiava; diante dos olhares curiosos dos colegas para saberem quem havia ficado de castigo; para escolher um livro para ler e aproveitar aquele humilhante e ao mesmo tempo decisivo horário que nos foi concedido.
Obtive o direito e optei pelo livro “Alice no país das maravilhas”, foi o primeiro livro que folheei naquele momento eu já me tornei bibliotecária, pois uma das maiores frustrações no papel de bibliotecário é não poder ler todos os livros que passam por nossas mãos para processamento técnico por inteiro e fazer apenas uma leitura técnica e assim o fiz.
Li e me encantei com a estória e por toda aquela semana passei a sentir-me uma pessoa especial, diferente e consciente de que teria tido o melhor castigo de minha vida.
Passei a amar os livros, as bibliotecas e agradecer pelo “castigo” que me acompanha até hoje e que se tornou um hábito, pela prática da leitura, do conhecimento e da mania de conviver com os livros.
Agradeço ao Padre, Diretor do colégio e autor do castigo, perdoo pela severidade, ao mestre que me permitiu ler o livro e ter me ajudado a definir a minha profissão que me trouxe ao mundo da consciência, da liberdade e do saber e, especialmente aos meus queridos pais, que sabiamente sacrificaram muito suas vidas para nos deixarem o maior tesouro: o saber através do estudo!
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