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Poesias-->REMEMORANDO 1958- ALMA MARCADA A FERRETE -- 19/03/2018 - 20:44 (benedito morais de carvalho(benê)) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
1958 Vila Iara- distrito do Barro-Ceará


sem brinqedos e sem ter com quem brincar


todas as tardes sentava no patamar da igreja


para admirar  caminhões FENEMÊS cerregados,


indo e vindo sem ele saber de onde e pra onde,


e os voos das andorinhas aninhadas na torre da igreja


os únicos divertimentos vespertinos do menino pobre.


Nos intervalos demorados dos poeirentos caminhões


o menino observava assustado, sem entender nada


os corpos dos anjinhos rumando ao cemitério


em caixões rusticamente confecionados às pressas,


conduzidos sobre os  ombros dos consternados pais,


sob olhares insensiveis dos moradores da vila,


resignados com a tragédia previamente anunciada,


das malfadadas crianças mortas prematuramente,


crianças destinadas a morrer, morrer de inaninação,


mortes no atacado, anjinhos de 1 a 10 meses,


enterrados em covas rasas


o soro caseiro ninguem conhecia, nada se podia fazer,


no descaso total a União, diarréia eliminava crianças.


A noitinha o menino ia para ponta da rua aprender rezas


e depois se deleitar com as estórias de trancoso,


Na rede, se cagava de medo da coruja rasga-mortalha,


com o atrito das suas asas ao voar sobre o telhado.


Nas crendices era mau agouro, Dona Quninha acreditava


e seguindo a superstição afirmava:  "Alguém vai morrer"


eu lembrava dos anjinhos enterrados nas covas rasas


perdi um irmão, nem foi batizado, morreu de inanição


Vila Iara das minhas rezas decoradas, da paisagem estorricada.


 


 


 


 


 


 


 

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