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Contos-->Barbeiragem -- 25/09/2013 - 05:26 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Zito era barbeiro. Mais pela barbeiragem. Mas ia vivendo um dia após outro. Sem

acesso às cabeças coroadas da Velha Serrana, disputava com outros fígaros de

arrabalde a sacra tosa das demais ovelhas do rebanho, também filhas, e fios,

de Deus. E eram ainda os bons tempos antes que a praga do ie-ie-iê invadisse a

praça. Portanto, tesouradas e navalhadas continuavam a ser demandadas.

Contudo, o sustento da família, prole numerosa como soía, advinha com mais

certeza e segurança do trabalho da mulher, Dona Anjinha, corpulenta, morigerada,

operária na fábrica de tecidos. Seu salário, conquanto mínimo, trazia a vantagem

de não oscilar, como os ganhos parcos do marido. E a mente, muito menos na

entrega aos devaneios.

E a meninada ia crescendo, indo à escola, dando a mão relutante nas obrigações

domésticas, namorando e até buscando uma colocação que lhes viesse aliviar as

despesas da casa, que também se avolumavam.

O Zito, entretanto, queria sair da rotina, um ânimo interior o impulsionava a

aventuras que compensassem as durezas da vida. E depois duma cervejinha de fim

de tarde então, tornava-se mais premente aquele desejo latente - que mais tarde

um tal de Freddy Mercury andaria interpretando "I want to break free...". And free

he broke, num fim de tarde em que a barbearia andava às moscas.

Na sua escapulida, Zito fora à zona do meretrício, que ficava numa das saídas da

cidade. Queria variar. E variado já estava, após uma sucessão de golos. Caíra a

noite, e ele se divertindo, ainda que cambaleante.

E qual não foi sua surpresa quando alguém lhe soprou, em meio à farra, que dona

Anjinha estava à sua procura. Nem pensou, nem pestanejou, apenas a janela de

fundos mais próxima saltou.

E qual não foi o castigo, ao se projetar sobre a vegetação hostil que se encontrava

ao sopé da janela: era puro mandacaru.

Sua recuperação física foi lenta. Entretempo, a freguesia se dispersou. E dona

Anjinha, o coração lhe fechou. Além das pernas.
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