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Contos-->Assinatura do pai ou responsável -- 21/09/2013 - 07:55 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A mãe é, foi, e sempre será uma, mas ao pai é que cabia assinar os boletins

escolares. Ou ao "responsável", como constava na tantas papeletas da vida.

Com o tempo, mudou tudo: o título eleitoral leva agora só o nome da mãe do

titular, e a ela é que se inscreve nos programas sociais de governo e, enfim, lhe

é reconhecida a responsabilidade maior na constituição da família, do lar, da

cidadania, e qualquer outra forania.

Com o pai na fábrica, ou repousando da pesada lide da terceira turma, matinal

e maquinalmente recorri à "responsável", para assinar meu boletim que trazia

uma média de 5,6. Escolhi bem o tempo: faltavam 20 para as sete e eu tinha

a desculpa de ter que sair correndo para chegar no horário, e a "responsável"

amamentando mais um irmãozinho no leito, provavelmente não se ateria àquele

pequeno detalhe dos 5,6, que, aliás vinha precedido de um outro 5,8 do mês

anterior, aparentemente ainda desapercebido e quase já na conta da prescrição.

E a luminosidade, no quarto, me parecia ideal ao meu intento: só uma réstia de luz

entrava e, sem sair da cama, a "responsável" não teria senão que virar-se no leito,

apoiar-se no criado - oposto ao criado-gêmeo, que tinha o incômodo do abajur

- e apor ali, no boletim, sua assinatura. Em meu benefício eu contava aí com o

requisito do silêncio para que o bebê não se despertasse.

Mas o plano falhou. Rotundamente. A "responsável" esmiuçou os olhos, centrou-os

naquela sequência de 5,8 e 5,6 e, ignorando minha sacra intenção de ser pontual,

passou-me o esculacho da vida. Onde já se via, um filho de operários, para quem o

estudo era a única possibilidade de vencer na vida, depravar-se daquela maneira?

De que valiam os esforços dos pais, dando murros em pontas de faca, e eu lhes dar

aquela paga tão minguada, tão irresponsável, e patati, patatá.

Perdi as primeiras lições escolares naquela matina, mas tive devolvido o senso de

que tinha que lutar também. E no mês seguinte, nem me preocupei com o sono

do bebê, ou a chinelada moral para apresentar meu 8,2. A "responsável" me havia

recuperado. E o pai podia dormir tranquilo
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