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Contos-->A DESCOBERTA DE ANASTÁCIA -- 28/06/2013 - 10:48 (valentina fraga) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Essa história é da Anastácia. Toda dela. Ela merece. Uma boa história pra contar.
Anastácia acabava de entrar na escola. Tinha 4 irmãos. A situação da família não era boa demais, entretanto, não era tão ruim assim, mas a mãe de Anastácia, apesar da bondade, era enrolada que dava dó. Dona Diva, não dava conta da garotada. Anastácia era a única menina, e os garotos eram três diabinhos. Todos estudavam pela manhã, e ninguém de fora tinha ideia do rolo que era pra aprontar essa galera para a escola. Anastácia era a mais prejudicada de beleza. tinha os cabelos lisos mas sempre mal arrumados e dona Diva insistia pra que ela aprendesse a arruma-los, pois grande parte do tempo, dedicava aos meninos que eram menores e precisavam de mais atenção, senão as coisas não aconteciam na hora. Todos pegavam na escola as 8:00h. A parte da tarde na vida de dona Diva era essencial para colocar as coisas em dia na casa, como cuidar da roupa, fazer almoço, arrumar a casa. Tadinha da Dona Diva. Ainda dizem por aí que mulher que fica em casa, não faz nada.
Bom, mas essa história não é de dona Diva, mas, de Anastácia.
Ela não dava a mínima pra bobagens que lhe diziam na escola, sobre sua falta de beleza, e seus cabelos mal arrumados. Andava sempre limpinha, roupa cheirosa, mas a aparência não era das melhores.
Estava começando a despertar, era o início da adolescência, mas ainda brincava de bonecas. Tinha dúvidas, e sempre que conversava com o pequeno círculo de colegas, dizia que ia desenhar roupas, e todas em coro tiravam sarro de sua cara, pois em nada combinava beleza com aquela feiura.
Uma delas, mais sarcástica falava: - Anastácia, antes de fazer moda, vê se vai se arrumar!
-Ela ficava triste. Nos dias de hoje, poderíamos classificar como bulling.
Esse sonho vinha todos os dias na cabeça de Anastácia.
O tempo foi passando, e Anastácia, com a mesma vidinha. Por baixo dos cabelos emaranhados e dos óculos, vivia uma menina doce, delicada, e que se sentia triste com aquela situação.
Se perguntava todas as noites, se suas colegas não conseguiam ver o que ela tinha de bom, as boas notas que tirava, o cuidado que tinha com todos em volta, as bondades que fazia, a ajuda que sempre estava disposta a dar a sua mãe com as coisas de casa. Isso a deixava triste.
Certo dia, Anastácia olhava o calendário de provas da escola. Estava chegando o final do ano. No próximo ano faria 15 anos, uma data especial e muito aguardada pelas meninas. Olhava-se no espelho e todos o comentários que faziam sobre ela, vinham e sua cabeça.
Nesse momento, pegou a escova de cabelos, e bem devagar foi alisando parte por parte, desembaraçando os fios, depois tirou os óculos, que serviam mais como esconderijo do que para qualquer correção, passou as mãos no rosto que quase não tinha espinhas, um rostinho limpo, claro, as sobrancelhas não careciam de acerto, eram bonitas e bem definidas.
Olhava-se detidamente, cada parte do rosto, o formado do narizinho empinado, escondo pelos óculos, os olhos amendoados, caramelo claro,
a boca pequena e vermelhinha, os dentes bem branquinhos, cuidados extremados, de dona Diva que insistia com a escovação diária, cuidando pra que as despesas não aumentassem com cuidados do dentista.
Naquele momento, Anastácia fazia a maior das descobertas, ela era uma bela menina, ela era mulher.
Tomou uma decisão. Era hora de mudar, era hora de mostrar que por trás daquela menina feia, existia uma moça bonita, uma jovem encantadora que reunia muitos atributos bons e uma beleza singela e doce.
Dia seguinte, dona Dina estranhou a demora, e chamou Anastácia na beira da escada, pois os quartos ficavam na parte de cima e a sala de jantar e cozinha conjugada ficavam logo na descida.
Anastácia bateu a porta do seu quarto e logo na metade dos degraus, todos se viraram para ela, com os olhos esbugalhados como se tivessem vendo assombração. Os meninos que beiravam seus 10, e um casal de gêmeos que tinha 13 anos, o pai, seu Cláudio e dona Dina não tinham palavras. Anastácia estava linda. Os meninos, pra não perder a oportunidade de tirar sarro da cara de Anastácia, gritaram em coro.
- Aêêêê MANINHA, ARRUMOU NAMORADO!!!! Todos caíram na risada.
A cara era de espanto e alegria, pois todos acabavam de ganhar uma irmã e filha, quase top model.
Naquele dia, os meninos fizeram questão de sair coladinhos com Anastácia. Ganharam uma irmã nova e linda demais.
O condutor do veículo que os levava para escola arregalou um olhão quando viu Anastácia. Todos na condução olhavam e cochichavam, entre si, a mudança da garota.
Chegando na escola o burburinho foi geral. Anastácia havia passado em uma máquina de transformação, diziam alguns, ou diziam que uma fada a havia visitado na noite anterior.
O fato é que apenas com uma escova de cabelos e a retirada do óculos que escondiam a beleza externa de Anastácia, haviam feito um milagre, e simplesmente completado a obra, pois ela já era rica de caráter e bondade. Só precisava fazer as pazes com os cuidados externos.
A partir desse momento, todas as meninas da sala, resolveram também se descobrir, melhorar uma coisa aqui, outra ali, e aquela sala, passou a ser a sala das meninas mais bonitas, mais olhada do colégio, mais cobiçada pelos meninos da própria sala e das salas vizinhas.
Pois é, as vezes, pequenos detalhes, pequenos cuidados, melhoram muitas coisas em nossa vida, e por mais insignificantes que possam parecer, como a história de Anastácia, que fala apenas de beleza exterior, é parte do conjunto, é parte da vida, é parte de nós e dos nossos julgamentos a respeito de quem anda em nossa volta.
Por mais que sejamos simplórios, e julguemos que interessa o que vem de dentro, vale a pena o cuidado externo. Não excessos, não acessórios, não melhorar o detalhe, o de fora, pra melhorar o todo, e o contrário também acontece. Por vezes vemos pessoas lindas por fora que não são bonitas no todo. Vale a pena o esforço diário, o policiamento das atitudes. Tudo isso, pra nos tornarmos melhores a cada dia.

Valentina Fraga.
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