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Poesias-->Companhia -- 02/08/2014 - 17:16 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos






COMPANHIA



Distancio-me absurdamente como pipa que sobe ao céu

com o risco abrupto de cortarmos a linha que nos une.

Vento é bom e não custa subir.



Tuas garras de bicho assustam meus limites

e as quero mesmo assim, mas podem me devorar sem lástima.

Visto-me de liberdade e evito que me firas, e voo.



Distancio-me enormemente como cometa aprendiz.



Uma noite e o Tempo, a dor e Tempo, a voz tua, perdida

e o Tempo.

Então does como aquilo que nunca vai acontecer, e dor

é o maior imã que retoma qualquer linha, qualquer trilha

qualquer distancia.

Assim, surges estranho e forte como muralha, e não sei

evitar.

Porque estar, não estás. Comigo? Não, sei que não.

Então digo solidão, porque tua ausencia é a única marca

possível e barganhável com a realidade

e que mesmo com outros corpos por perto,

dentro de mim repete:

solidão.







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