Usina de Letras
Usina de Letras
26 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 61949 )

Cartas ( 21333)

Contos (13252)

Cordel (10444)

Cronicas (22529)

Discursos (3235)

Ensaios - (10254)

Erótico (13559)

Frases (50353)

Humor (19993)

Infantil (5387)

Infanto Juvenil (4724)

Letras de Música (5465)

Peça de Teatro (1375)

Poesias (140710)

Redação (3290)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2435)

Textos Jurídicos (1956)

Textos Religiosos/Sermões (6141)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
cronicas-->LOST CITIES IN THE AMAZON [CIDADES PERDIDAS NO AMAZONAS -- 19/11/2006 - 22:19 (ANTONIO MIRANDA) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
(RELÓGIO NÃO MARQUE AS HORAS, de Antonio Miranda. Esta é a 57ª. crónica da série*. São cronicas independentes não obstante formem uma sequência, na intenção de uma crónica de viagem contínua...)

57
LOST CITIES IN THE AMAZON [CIDADES PERDIDAS NO AMAZONAS]


Garanto que não foi o Márcio Souza. Depois de tramar encontros de terceiro grau na Brasília militar e expedições na Amazónia com extra-terrestres, e aviões da FAB cruzando os ares com os discos voadores, ele assumiu um cargo de executivo da literatura e voltou ao asfalto e aos mundanos. Mas bem que podia ter sido Márcio ...

Quem escreveu de Miami para dar a notícia foi o meu amigo B. Wallace que é fissurado nestes temas. Está preparando uma missão particular para entrevistar Tatunca Nara, depois de decifrar alfarrábios em alemão sobre Akakor. Mas não conseguiu ainda um Champolion para a interpretação definitiva dos escritos dos Pais Ancestrais de Ugha Mongulala, de cuja tribo Tatunca é um príncipe.

Sem dúvida, os bandeirantes fizeram contatos com uma das cidades perdidas e sobre isso existem relatos extraordinários. Não sei por quê o Antonio Miketen, ao preparar o seu fantástico A saliva do verde, não fez referências a tais evidências. Miketen descreveu uma dessas cidades com a intimidade de um expedicionário, com a precisão de um cronista. Mais inclinado para a botànica e para as fabulações místicas, Miketen fez uma descrição maravilhosa e emocionada do templo e está aí para quem quiser reviver a emoção da descoberta. No coração úmido e vegetal da Amazónia.

Estamos falando de uma civilização com quinze mil anos de existência.

Que ainda está viva, escondida nas entranhas da selva, preservada e defendida por uma tribo que escapou do domínio espanhol e conserva os segredos recebidos pelos deuses que vieram de outras galáxias. índios de cabelos vermelhos falando um alemão interrompido nos tempos imemoriais vagam pela floresta desde então. Foram vistos por garimpeiros e missionários. Como andaram pelo Acre, pensei que o Márcio tivesse contato com eles, mas o escritor parece extraditado de suas raízes ou guarda um tesouro para seu livro definitivo, o que é mais provável.

O SNI tem um relatório completo sobre o assunto. Conserva a sete chaves para defender-se de jornalistas impertinentes e da zombaria dos falsos cientistas. A Amazónia é grande demais e sepulta seus segredos. É lá onde está a chave para decifrar as grandes verdades da nossa civilização.

O mesmo povo de Akakor construiu Tihahuanaco e refugiou-se em Macchu Picchu, antes de descer para as entranhas da hiléia amazónica quando os espanhóis rasgavam as encostas dos Andes e partiam para as beiradas da selva em busca do Eldorado. As cidades de pedra são muitas: Akanis, Akakor e Akahim. Os nomes indicam a sequência de sua construção, conforme as raízes linguísticas sugerem. Akanis fica num istmo do México. Ia do Atlàntico ao Pacífico a civilização e a Crónica de Akakor, referida por Tatunca Nara, reporta-se ao ano 10.481 antes de J.C., no calendário gregoriano. Existem outros registros verossímeis em quéchua, que é a língua mãe das línguas do continente. Para escàndalo e ceticismo de muitos, havia sim - sempre existiu - uma forma escrita, com 1.400 símbolos, com significações variantes conforme seu encadeamento. A escrita dos Deuses. Em monumentos incas, maias e astecas eles aparecem, com as transformações próprias de seu isolamento no tempo e no espaço.

Tatunca Nara consegue lê-Los. Como domina mal o português e o alemão, suas alusões aos textos originais resultam de pouca serventia, conforme o testemunho do jornalista alemão Kart Brugger, que o entrevistou em Manaus, num boteco chamado Graças a Deus, em 1972.

Brugger chegou a iniciar uma expedição com o interprete até as fronteiras do Peru, nos calcanhares andinos, chegando ao Rio Yaku mas teve que regressar em virtude (ou desgraça) de problemas intransponíveis. Entre eles, o desaparecimento súbito de Tatunca, pintado com estranhos símbolos de Ugha Mongulula.

Para os céticos fica uma pista recorrível: tanto a Funai como a FAB têm registros copiosos.

Tatunca salvou os tripulantes de um avião caído na selva acreana e existe até um pedido de extradição do governo peruano, acusando¬-o de participar de uma levante indígena sanguinário. O governo militar chegou a dar a Tatunca identidade brasileira nos idos de 68.

Outra testemunha, infelizmente desaparecida em acidente aéreo estranho, foi o Bispo Grotti. Tatunca contactou o bispo amazonense em busca de ajuda para os índios famintos da região acreana, mas o bispo, seguindo informações incorretas da Funai, considerou o Acre livre de índios e não deu atenção ao pedido. Mais espetacular, no entanto, foi o contato de Tatunca com o então embaixador da então Alemanha Ocidental no Brasil. Tatunca foi considerado demente ao afirmar que ainda existem dois mil soldados alemães vivendo em Akakor.

Uma fotografia de Tatunca Nara, no porto de Manaus, é encontrável no livro Lost cities of South America, à pág. 256, assim como exemplos dos estranhos manuscritos de seu povo. Estou muito agradecido ao meu amigo B. Wallace que enviou o referido material, na esperança que eu pudesse ajudá-lo em sua própria missão ao Amazonas. Já escrevi para minha amiga Leila Mercadante, que tem em suas mãos as chaves de muitas bibliotecas preciosas, para buscar um artigo sobre o Mapinguari, uma preguiça ances¬tral que, depois de ser considerada lenda ou animal extinto, vem sendo pesquisada com o apoio da coroa britànica e do Museu Emilio Goeldi. Agora recorro outra vez a Leila para traçar as origens bibliográficas de outros textos sobre as cidades perdidas que, certamente, existem muitas e, em alguma dessas fontes, quem sabe o Wallace consiga interpretar os roteiros para a solução definitiva do enigma. Antes que o Márcio Souza faça o atalho da invenção.

--------------------------------------------------------------------------------------------

Próxima crónica da série: (58) FRESAS Y CHOCOLATE

Para ler toda a sequência inicie pela crónica (1) VÓO NOTURNO, na seção de cronicas de Antonio Miranda, na Usina de Letras.

Iremos publicando as cronicas que vão constituir uma espécie de romance,
paulatinamente. Semana a semana... o livro impresso já está esgotado...

Sobre a obra e o autor escreveu José Santiago Naud: "A agudeza do observador, riqueza do informe, sopro lírico e sentido apurado do humor armam-no com a matéria e o jeito essenciais do ofício. É capaz de apreender com ternura ou sarcasmo o giro dos acontecimentos e deslizes do humano. Tem estilo, bom senso e bom gosto, poder de síntese e análise assim transmitindo o que vê e o que sente, nos transportes do fato ao relato, para preencher com arte o vazio que um vulgar observador encontraria entre palavras e coisas".
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui