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Contos-->Loba em pele de cordeiro! -- 01/09/2010 - 16:57 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Loba em pele de cordeiro


Nessa agitação da vida moderna, tanto o homem como a mulher são obrigados a enfrentar uma vida profissional, os pais muitas vezes não têm contato familiar com os seus rebentos, mesmo morando na própria casa, imagine quando eles são separados, a dificuldade é maior ainda, principalmente para a criança.
Diante disso a importância da babá foi se consolidando, muitos infantes chamam essas trabalhadoras domésticas até de mãe, imagine como é fundamental o relacionamento de criança e babá.
A classe média como sempre “pega o pato”, não tem condições de pagar uma pedagoga-babá para cuidar do filho, como fazem os poderosos.
Assim o jeito para Lílian foi importar da sua terrinha no meio da caatinga, “ uma pessoa de confiança” que pudesse pelo menos “quebrar o galho”até a menina crescer.
Assim foi feito, trouxe Jurema do interior, uma garota pacata, tímida e o melhor de tudo é ter uma boa referência, pois a candidata era vizinha da sua família, conhecida desde pequenininha. Existe maior referência do que isso?
Todos empolgados, partiram do interior para a capital baiana, na maior expectativa, com planos de providenciar escola primária, para a moça que já não estava avançada na vida estudantil, com dezessete anos já era para ir terminando o ensino médio...
Mas como no interior muitas pessoas ainda têm aquela mentalidade de casar e ter o seu próprio lar para cuidar...
A nossa loba chegou mansinha na residência, quase não falava, nem queria trocar a roupa para tomar uma ducha, a vergonha era tanta...
A família tinha que se adaptar à nova rotina der ter uma pessoa estranha no seio do lar, tudo em prol da segurança da criança.
Marcio, o pai, não trabalhava todo dia, como era o caso da esposa, assim dava para
ele monitorar e assessorar melhor a família.
O primeiro mês até que deu para levar, apesar da Loba, digo da babá, dormir a tarde toda; na hora do sono vespertino a garota inebriava-se pelo canto do pai ninando a criança e babá...
No final da tarde quando acordavam, era a vez de assistir a sessão novelesca, só depois que a dita cuja resolvia se mexer para providenciar uma merenda e o tradicional passeio no jardim.
Lá existia uma verdadeira convenção de empregadas domésticas, a chefa D. Cira era uma verdadeira estraga-babá, aproveitava para influenciar todas as “calouras” e sabia de todo andamento das residências, as empregadas “envenenadas” pela fofoqueira, em um passe de mágica mudavam a forma de encarar o digno serviço, tornando-se péssimas trabalhadoras.
Nesse mesmo local, o prazer das crianças de interagir, era quebrado pela displicência das assistentes, deixava a “gurilândia” à sua própria sorte, para engendrar no mundo da fofoca, das pipocas e dos salgados...
O mês passou e com o salário recebido, a Loba em pele de cordeiro comprou um celular e com esse novo brinquedinho, a pessoa se perdeu no mundo tecnológico, era ligação de tudo quanto era lugar; numa dessas ligações Tidinho apareceu, uma antigo namorado, a garota surtou de vez!
A pele do cordeiro nem existia mais, o que existia era tudo menos humanidade, o destrato com a criança, os xingamentos e tudo de negativo que pudesse aparecer estava ali. Até com as velhinhas do jardim a figura brigou, pois não queria cuidar da menininha, o que somente queria era a boa fofoca, o velho saco de salgados e o irritante celular, que disparava no momento mais inoportuno.
Quando Márcio questionava sobre algum descuido dela, começava a pirraça, o mau humor aumentava ainda mais; nos finais de semana era um verdadeiro calvário, mesmo saindo com as coleguinhas de fofoca, não ficava satisfeita, queria engendrar na cerveja, mas como ninguém bebia na residência a boca da Loba ficava seca, água era nome feio.
Esses tempos foram nebulosos na família, a neném estressada, chorava com tudo, não deixava os pais saírem para trabalhar, não fazia as necessidades fisiológicas direito, não avisava mais quando ia fazê-las; o que parecia uma boa pedida, ter uma pessoa do interior, quase da família, caiu por terra.
A Loba pediu para ir embora, aos prantos, como se estivesse sido maltratada, ligou para o ex-namorado pedindo para pagar a sua passagem, depois ligou para o pai para reservar o quarto, no cubículo que morava, diante da negativa paternal, ameaçou-o até com facadas.
No outro dia, a família providenciou uma condução em uma dessas vãs que fazem transporte intermunicipal, livrando-se desse grande pesadelo.
Os pais não concordaram com a atitude da criatura, despejando-a em outra cidade, grande produtora de laranjas, mas o pior mesmo é a “laranjada” que as pessoas enfrentam para poder trabalhar e cuidar dos seus filhos nos dias de hoje.


Marcelo de Oliveira Souza

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