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Crônicas-->LUGAR AO SOL -- 04/09/2006 - 17:28 (Délcio Vieira Salomon) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. LUGAR AO SOL

Délcio Vieira Salomon


Quando o vejo lutando para subir na vida, sacrificando noites na insônia provocada, com a cabeça enterrada no estudo de pilhas e pilhas de livros, sonhando com futuro melhor para si e para os seus, logo me vem a frase: ele está se esforçando para ter um lugar ao sol.

Expressão que sempre me encucou. Será que melhorar na vida é ascender em direção a sua majestade, o rei Sol? Ou como diziam nossos antepassados tupis e guaranis: o deus Coaraci? Para eles, o grande guerreiro tinha seu lugar garantido junto ao deus Coaraci.

Será Coaraci o centro de referência e de aspiração da pobre classe média brasileira, que ainda traz em suas veias o sangue dos heróicos guerreiros celebrados por Gonçalves Dias?

E quanto mais nos afastamos da mediocridade da Terra estamos realmente progredindo? Acaso não estaremos nos aproximando perigosamente de Coroaci, como a mariposa da chama da vela?

Hoje, entretanto, ao reparar na correição das formigas que saem e voltam ao formigueiro, sem sair da linha traçada, a percorrer distâncias infinitas com o fardo de folhas dez vezes maiores que seu enferrujado corpúsculo, ocorre-me pensamento paradoxal: as formigas também se fadigam (mesmo sem aparentar cansaço!) nesta correria infernal, apenas para alimentar sua rainha-mãe – a reprodutora de suas vidas em gerações futuras.

E, no entanto, elas não procuram “lugar ao sol”. Pelo contrário, se entranham cada vez mais na terra para fugir da luz do dia e entre miasmas e fungos se perpetuarem e se realizarem.

Fogem do “deus” Coaraci para se aconchegarem junto a sua majestática progenitora na escuridão e na umidade do ninho.

Seu centro de referência situa-se do lado contrário, inversamente proporcional ao das aspirações dos mortais humanos.

*

Incontinente meu pensamento volta-se novamente para ele, enfurnado em calhamaços de legislação, tratados de economia, tomos de finanças e manuais de estatísticas, a preparar-se para o concurso que se avizinha.

E torno a perguntar-me: - Será que realmente vale a pena procurar lugar ao sol?

Se, de fato, conseguir este lugar, estará realmente realizado? Acaso não estará se aproximando inexoravelmente da fonte do calor, aonde irá se queimar, qual libélula junto à lamparina? Talvez não seria mais indicado contentar-se com o que é e com o que tem, em vez de impor-se tanto sacrifício?

Ou será que, tal qual a formiga, não estará seguindo a linha traçada por seu destino, ainda que em direção oposta à dos himenópteros formicídeos?

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