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Humor-->VINICIUS E SUAS VIDAS PASSADAS -- 05/08/2001 - 11:28 (Paccelli José Maracci Zahler) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
VINICIUS E SUAS VIDAS PASSADAS

Paccelli M. Zahler


Encanado com sua natureza,Vinícius continuava sua busca. Leu muito, visitou lugares longínquos, procurou a opinião de especialistas, freqüentou pubs, bares, saunas, termas, academias de musculação, assistiu às palestras do Brian Weiss e, inspirado por estas últimas, resolveu tentar a terapia das vidas passadas.
Consultou um psicólogo e marcou algumas sessões de regressão.
Nas primeiras tentativas, começaram a aparecer imagens do antigo Egito. Pirâmides, faraós, palácios, encantamentos e bailarinas de dança do ventre.Tomou consciência que parte de sua vida passada havia se desenvolvido no Egito antigo. Não sabia, porém, precisar a data.
Em mais uma sessão, viu-se de cabelos compridos, negros, sedosos. À medida que aprofundava no resgate da memória passada, viu-se dançando em um banquete. As pessoas o aplaudiam freneticamente. Dando voltas pelo salão, passou em frente a um espelho. Estava vestido de odalisca. Havia sido mulher em uma época anterior à Era Cristã.
Mais tarde, mergulhando em seu interior, viu-se percorrendo mais um palácio com passinhos apertados. Em seguida, via-se percorrendo mercados a procura de tecidos de qualidade e escolhendo aviamentos, acompanhado de um escravo. Pouco depois, chegava em um recinto repleto de artesãs e costureiras. Andava de um lado para outro dando ordens.
Em determinado momento, ouviu chamar seu nome, “Caio Vinícius!”
Ele havia sido homem durante o império de Julius César. Contudo, ficou decepcionado com a pesquisa feita na enciclopédia Barsa.
Caio Vinícius foi o estilista de Cleópatra, criando os modelitos que conquistaram Marco Antônio e o próprio imperador. Na verdade, revolucionou a alta costura daquele período e ainda criou e aperfeiçoou os apliques de seda com fios de ouro para os saiotes usados pelos senadores romanos. Acreditava que o mundo fashion deveria ser mais democrático, mais neoliberal, mais globalizado. O importante era vestir bem e confortavelmente. O brilho do modelito dependia mais de quem estava vestindo. Era algo que brotava do interior da pessoa.
Para Caio Vinícius, a roupa deveria ser mínima, sem luxo, para não haver distinção entre ricos e pobres, entre homens e mulheres, e, preferencialmente, transparente, para refletir a alma de quem a estava vestindo.
Caio Vinícius criou sua grife, a CV, que por muitos séculos fez a cabeça de homens e mulheres, dando-lhe muito prestígio e riqueza. Dizem que, como se dedicava às obras sociais, teria sido o verdadeiro autor do famoso aforismo “é dando que se recebe”.
Encerradas as sessões com o terapeuta de vidas passadas, Vinícius resolveu consultar uma vidente que, por circunstâncias não reveladas, havia perdido a visão. Chamava-se Dona Nininha.
Chegando na hora marcada, Vinícius entrou na sala escura em silêncio. Dona Nininha, sentindo a sua presença, pois era desprovida de visão, pediu-lhe que estendesse sua mão.
Atendendo seu pedido, Vinícius estendeu a mão receoso. Dona Nininha acariciou sua mão, percorreu com os dedos as linhas da vida, e disse:
- Não se preocupe, minha filha, seu homem ainda vai voltar!
- Êpa, tem alguma coisa errada! Eu sou homem! - retrucou Vinícius.
- Você é que pensa, meu filho! Com essas mãos delicadas, essa pele sedosa, eu não tenho dúvidas. Você ainda vai encontrar o homem de sua vida!
- Espera aí, ô Dona Nininha! Que é isso? É alguma brincadeira? Não se esqueça que eu já lhe paguei 150 reais! - disse Vinícius.
- Calma, meu filho! Dona Nininha sabe o que diz. Está vendo esta linha que percorre a sua mão transversalmente? Esta é a linha de suas vidas passadas. Ela indica que, antes da sua atual encarnação, você era mulher, uma viúva, que não se conformou em perder seu homem pouco tempo depois de casada. Você fez um juramento de que não reencarnaria mais como mulher para não sofrer mais. Só que aconteceu o inesperado, na hora da reencarnação, as coisas não deram muito certo, entende?
- Não! Não estou entendendo nada! - respondeu Vinícius, saindo porta a fora.

Conversando com um amigo esotérico, conformou-se ao saber que, muitas vezes, a consulta a uma vidente pode sofrer interferência de pessoas próximas. E, realmente, havia várias pessoas na sala de espera de Dona Nininha.
Arrependera-se tremendamente de ter pagado 150 reais pela consulta.


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