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Crônicas-->TRABALHA, NEGRO - CANTA E DANÇA -- 06/07/2006 - 16:48 (Orlando Batista dos Santos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Ninguém duvida que foram os negros quem construíram o Brasil. O trabalho, que hoje “dignifica o homem”, antigamente era tido como humilhante, condição que os “homens bons” jamais poderiam aceitar. E se o negro construiu o Brasil, construi também Minas Gerais, observação necessária, já que a História insiste em omitir, esconder a importância do negro naquele Estado que teve quilombos e uma monarquia não branca, representada por Ambrósio, tendo como súditos, negros fugidos das minas e dos engenhos, negros forros, índios “mansos”, brancos pobres (os pés-rapados) e toda uma gama de mestiços. Tal qual Palmares, os quilombos mineiros foram atacados e, tal qual Palmares, foram destruídos com vigor e crueldade.
No Brasil, além do exercício do trabalho rude, o negro desenvolveu pendores para as artes e para as manifestações rítmicas de sua alma, pois sem ritmo não há vida. E fez do canto e da dança um remédio para compensar seus sofrimentos.
Os cantos de trabalho, ainda hoje são chamados de “vissungos”, que dividem-se em “boiados”, solo tirado pelo mestre, e o “dobrado”, que é a resposta em coro dos demais. Geralmente, os próprios instrumentos de trabalho faziam o acompanhamento.
O negro cantava o dia todo. Tinha cantos especiais para a manhã, para o meio do dia e para a tarde. É dos vissungos a origem das tradições dos desafios e repentes.
As festas religiosas das confrarias de negros e pardos não satisfaziam de todo a vontade de cantar, de dançar e batucar; os cantos de trabalho limitavam-lhes a expressão corporal e a criatividade. Por isso, à noite, com ou sem autorização do “sinhô”, a maior alegria do negro era sua participação no batuque, sempre proibido, mas que nunca deixou de se realizar.
Foi na venda que o batuque criou fama. Má fama: as maiores reclamações eram sobre as desordens e brigas verificadas com muita freqüência. Embora proibido aos pretos e à gentalha, o batuque acabou chegando, ora pois, às altas rodas de Vila Rica, contrariando orientações da igreja que, via de regra, ameaçava com excomunhões; os dançadores formavam uma roda e, ao compasso de uma viola, moviam-se um dançador no centro, que, ao avançar, batia com a barriga em um integrante (geralmente do sexo oposto) que o substituía no centro da roda. Eis aí a granfinagem reproduzindo a umbigada.
O batuque sobreviveu, animando as vendas e as festas de gente pobre. Num determinado momento, passou a ser chamado, pelos ricos despeitados como “forrobodó” (forro: de forro, ex-escravos; bodó: de bode, cheiro de bode, de preto ou de cabra; cabra era o mestiçado com o negro).
Como se pode concluir, o batuque, tendo a venda como berço, com sua maravilhosa indecência, onde a fuzarca, as brigas e as insolências, as cabeças quebradas e os derramamentos de fatos (tripas) eram comuns, tornou-se um elemento precioso das raízes culturais brasileira.
Quem gosta de samba e forró (e há quem não goste?), em qualquer canto deste país, não pode esquecer da contribuição desses ancestrais dos brasileiros. A propósito, leia o texto A.B.C. da Venda, já comentado na USINA por este autor.
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SAIBA MAIS: Quilombo do Campo Grande – A História de Minas Roubada do Povo, de Tarcísio José Martins. Contato para obtenção da obra: www.mgquilombo.com.br
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COMENTÁRIOS DOS LEITORES
*Gostei muito de seus artigos. Admiro Tarcísio Martins que escreveu sobre
os quilombolas. Estive naquela região e deparei-me com um cemitério quilombola localizado perto da Fazenda Chamuska do Barão de Lavras em Carmo da Cachoeira e mais adiante com as ruínas de uma fazenda que teve o nome de "Calhambola", também perto de Carmo da Cachoeira, Minas Gerais. Foram estas as terras conquistadas pelos Bueno da Fonseca , o Bartolomeu e o Diogo, saindo de Lavras do Funil para a conquista daquele "Campo Grande".
Gosto muito de História de Minas. Serei sua leitora assídua.
Graça - Itaúna

*Orlando, onde você foi encontrar este tesouro da história do Brasil. O pior é que são duas histórias: a história do sofrimento, e a história do remédio que é a cultura representada no canto que amenisa-o sofrimento dos maus tratos da vida que se leva: como diz o poeta. “QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA,QUEM CHORA SEUS MALES AUMENTA, EU CANTO PRA NÃO CHORAR, A DOR QUE ME ATORMENTA. Assim foi com o Negro, trazido a força do continente africano.Quero lembrar que os outros povos, que vieram para o Brasil, de livre e espontânea vontade, com foro especial. A verdade é, que toda a raça branca que veio para o Brasil, veio para enrequecer e escravizar tambem.
Orlando, belo trabalho. Continue assim, que os brasileiros de fato só têm a agradecer. Abraço
R. Caldas – Londrina PR

*Caríssimo Orlando, vivo longe dessa terra quente de calor ( literalmente quente de calor ) seja solar ou seja humano. As vezes entro aqui na Usina pra me sentir mais perto pouquinho. Seu texto sobre a origem de nosso samba, batuque etc... me encheu de prazer, adoro encontrar textos assim culto, e informativo e por que não dizer, educacional... Muito bom mesmo, parabéns e obrigada. > Continue escrevendo que continuo lendo. Abraços Ris C. – Londres

RESPOSTA
Olá, Ris; É sempre bom receber mensagens de leitores e leitoras, ainda mais quando vem do outro lado do Atlântico! Quanto mais leio sobre a cultura negra, mais me apaixono por ela. Eu estava devendo a mim mesmo uma manifestação sobre o assunto, daí o texto a que você se refere. Um forte abraço! Orlando.
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