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Artigos-->A esquerda kamikaze -- 07/01/2003 - 18:37 (Darlan Zurc) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


Um dos fenômenos mais comuns entre esquerdistas é a difamação ou a destruição física dos seus companheiros ideológicos. O patrulhamento de pensamentos e a falsificação da realidade para asfixiar os rivais políticos podem não ser monopólio deles, mas são atitudes mais do que freqüentes, são, em verdade, a norma da casa.



Desde a Revolução Francesa, quando a bipolaridade esquerda versus direita surgiu na vida social, que os esquerdistas se digladiam entre si com Robespierre contra Marat, contra Danton, a favor do Terror, contra reformadores, a favor dos jacobinos, contra girondinos... ufa! Nas Internacionais Socialistas a rivalidade chegava a tornar insuportáveis os grupos de facção política equivalente. Os mencheviques, na época da Revolução de 1917, sofreram os maiores patrulhamentos e maledicências a ponto de serem rotulados de direitistas. Acredite se quiser. Insatisfeitos com as poucas mudanças implementadas pelo menchevismo, que golpeou a Família Real russa já em fevereiro, os bolcheviques, no “outubro vermelho”, só se deram por satisfeitos quando destroçaram seus camaradas no mundo das idéias (chegando a falsificar documentos como na “Enciclopédia soviética”) e, depois, no mundo dos campos de concentração, pois os Gulags fizeram a festa com algumas dúzias de milhões de partidários. Os arquivos de Moscou revelaram até que o Partidão (o Partido Comunista Brasileiro) matou um camarada para culpar publicamente a polícia varguista.



Para deixar de apontar os exemplos mais clássicos desses métodos, cito o caso mais recente e mais próximo: as últimas eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), o órgão máximo de representação estudantil na Universidade Estadual de Feira de Santana ou em qualquer outra.



Tanto no ano passado quanto neste, uma das principais chapas concorrentes, faltando-lhe pessoas sérias e mais inteligentes que maliciosas (com raras exceções), resolveu rotular de direitista seu maior grupo opositor. Pelas identificações deste último com a social-democracia e em função de suas ligações com a reitoria e com possíveis prefeitos (agora, sim) de direita, a grande jogada maquiavélica foi aproveitar a falsa inferioridade moral que é atribuída, dentro das universidades, à própria direita desde, pelo menos, o golpe de 1964, incluindo também as já citadas armas prediletas da esquerda — as quais foram usadas abertamente por todos aqueles estudantes que babam por acumular poder e, sem saberem, dizem imbecilidades. Tal jogada foi bem-sucedida porque reforçou preconceitos políticos e vestiu os seus companheiros de ideologia, ainda que adversários nas eleições, numa roupa surrada há décadas. Coincidência ou não, este procedimento lembra os kamikazes, que, sob o pretexto de atacarem o verdadeiro inimigo, começavam matando os integrantes da mesma agremiação, ou seja, suicidavam-se.



Atrás desse maquiavelismo se encontra um dado que explica o que parece a coisa mais linda do mundo. O leitor pode não saber, porém, existem três situações que fazem a esquerda ter tanto sucesso entre jovens e ostentar tamanho prestígio entre setores acadêmicos: 1.ª) a infiltração desta facção nas universidades uma vez que foram reduzidas suas atividades na vida social pela ditadura, 2.ª) o seu monopólio no ensino e na pesquisa, acompanhado de uma suposta superioridade intelectual e 3.ª) a inevitável popularização das suas idéias, somada a uma dita superioridade moral. Das três, só restam a infiltração, o monopólio dos estudos e a popularização.



Ninguém vai desmentir que o esquerdismo — essa doença infantil do comunismo, nas palavras do também esquerdista Lênin — seja hegemônico em universidades públicas como a UEFS, a UFBA, a UNEB, a USP... (o restante da lista o leitor pode ver em almanaques). E ser hegemônico significa monopolizar formas de pensamento. E monopolizar assim sempre quer dizer perseguir os que fogem do padrão ou os que querem maiores fatias de poder dentro deste padrão. A chapa rotulada de direitista, talvez menos confiável que a outra, queria o DCE — a maior fatia de poder entre alunos —, mas a exploração do estigma sobre a direita desmanchou seus sonhos no ar. E esta exploração, embora seja uma queda-de-braço entre indivíduos que se merecem, revelou, enfim, o golpe baixo da falsificação das idéias, a sujeira que manchou a reputação de todos os alunos, de todos os que escolheram as universidades como forma de crescer intelectualmente, e foi um ponto a mais para aquela idéia segundo a qual parte significativa da UEFS, talvez da UFBA, da UNEB, da USP... e também qualquer outra (veja de novo nos almanaques), se compromete com a exaltação da mentira, da difamação ou, quem sabe, da morte — segundo fizeram os franquistas em uma universidade espanhola — do que da inteligência, como a defendeu um dos mais eruditos professores dessa mesma universidade da Espanha, ninguém menos ou mais que Miguel de Unamuno.



O grande problema é que o modelo kamikaze de comportamento está deixando de ser apenas estratégia de política panfletária da esquerda e passou a ser encarado como o substituto da própria realidade.





Publicado no jornal "Folha do Estado", Feira de Santana (BA), 8-1-2003.











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