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Crônicas-->OS MEDOS DA GENTE -- 13/03/2006 - 12:55 (Orlando Batista dos Santos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Cada época da vida da gente tem seus medos. Quando criança, morando no mato e absorvendo a cultura dos antigos, os personagens do nosso folclore se encarregavam de tornar-me um menino caseiro, já que o risco de ser tripudiado por um saci peralta ou ser atacado por um lobisomem era muito grande; nada como o aconchego da família para exorcizar e proteger as crianças dos medos imaginários. Já no Brasil urbano da atualidade, as próprias gentes impetram o terror umas às outras. Quão difícil é distinguir o que é bom, justo, legal e ético, bem como os loucos dos normais. Os medos infantis são concretos, porque as ameaças são concretas, e as famílias já não têm tanto poder de proteção.
Quando ainda caminhava para a mocidade, assombrei-me com minha timidez. Achava que ser tímido e não ser parecido com alguém famoso diminuiria em muito as chances de êxito em uma paquera. Santa ignorância; uma “gata borralheira” acabou escolhendo-me dentre seus muitos pretendentes (porque os tímidos são sempre os escolhidos). Então descobri as vantagens da timidez, que é poder fazer escolhas dentre aquelas pessoas que escolhem ou manifestem interesse por um portador da síndrome do acanhamento. Hoje, com minha cinderela, se ando de "salto alto" não vou negar que passo um bocado de apuros, mas com os "pés no chão", encontro-me ao lado de sábia rainha.
Descobri-me adulto e vacilei em aceitar ser o que o mundo à minha volta ordenava que eu fosse. Torturado pelo stress, forçado pela ditadura do “seja igual aos loucos se quiser ser aceito como normal”, em tempo rebelei-me contra as imposições que me obrigavam a ser o primeiro em tudo e ter o pódium como único caminho para a felicidade. Paguei micos, é certo, mas consegui, sem ser louco, safar-me da condição enfadonha, entediante, sem graça mesmo dos normais. Na escala dos rótulos, prefiro pertencer aos esquisitos, para diferenciar-me dos normais que levam o mundo à loucura, e dos loucos, injustamente tidos como normais.
Enfim, agora me pergunto sobre os medos do futuro. O da morte está descartado, porque dizem que a morte não existe, que apenas somos plantados em terra qual semente pronta para ressurgir em nova potência, ainda que seja imperioso admitir que isto se de em outra dimensão. Porém, quando penso nas tenebrosas filas do SUS e da Previdência, caminhos inevitáveis pelos quais passam as gentes simples (loucas, normais ou esquisitas) desse Brasil, sinto calafrios e paralisias, medo aterrador como em nenhuma outra época tive, com o agravante de saber que não existe neste país gente capaz de exorcizá-lo.

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COMENTÁRIOS DOS LEITORES
*Compartilho da sua opinião ao falar sobre os medos. Pegando carona nesse tema, lembro-me dos meus medos da infância: medo que minha mãe ou meu pai morressem, medo da "surra" que poderia levar qdo fazia algo errado; e um medo grande mesmo era de alma. Morriiiiia de medo. Era uma coisa séria!!!! Apesar de ser mto criança, pensava: eu vou ficar grande e vou ficar com esse medo!!!! Eu achava q/ não ia ficar com minha mãe, minha avó, que não tinham medo de nada. Hoje. como é diferente. Nossos medos, são tão diferentes...Que saudade dos medos que eu tinha.
Um abraço e até o próximo artigo.
Ivonete Leal

*Querido autor:
Que prazer ler seu texto, me levou realmente aos medos que muitas vezes até nos impede de viver a vida na sua total plenitude.
Assim como você, gosto de pôr nossos pensamentos no papel, porque assim nos navegadores poderemos manter nossa jornada viva e ser seguida como exemplo.
Um abraço
Walter dos Santos - Atlanta

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