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Contos-->O Rejeitado! -- 22/05/2009 - 10:55 (Antonio Accacio Talli) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O Rejeitado
Antonio Accacio Talli

Era hábito, nas tardes de sábado, os médicos do hospital se reunirem em uma chácara de um dos colegas para uma pelada de futebol.

Vários times eram formados, escolhendo-se primeiramente os capitães, que por sua vez selecionavam os jogadores, procurando manter um equilíbrio; porém, cada um queria que o seu time ficasse mais forte que os dos outros.

Esse procedimento era natural e fácil de ser executado; no entanto, um problema se repetia todos os sábados: após todos os jogadores já terem sido escolhidos, sempre sobrava um, invariavelmente, Felício. Nessa hora, o capitão para o qual ele sobrava ficava enrolando, se equilibrando na ponta dos pés e olhando para a estrada, na esperança de que um carro aparecesse, e, quando isso acontecia, imediatamente ele gritava:
“Aquele que está dentro do carro é o meu escolhido”.

Muitas vezes, o carro não pertencia a médico nenhum e estava indo para uma outra chácara. Nessas ocasiões, os demais capitães aumentavam a pressão para que Felício fosse logo escolhido. A verdade era que ninguém queria ficar com ele no time.

Numa determinada tarde, Felício, após muita espera e embromação, consegue ser escalado contra a vontade de seus companheiros e para alegria dos adversários.

Não é que ele estava num dia iluminado? Nas seis primeiras bolas que recebeu, seis chutes foram disparados e seis belos gols foram feitos, dois deles verdadeiras obras-primas. O homem estava impossível.

Após essa exibição primorosa, Felício recebeu a sétima bola e, apesar de chutá-la rente ao travessão adversário, não conseguiu marcar o gol. Foi o suficiente para que os companheiros, irritados, gritassem:
“Felício, você não tem jeito, você continua o mesmo. Horrível! Você só pode ter errado aqueles primeiros seis chutes!”.

Imediatamente, ele foi retirado do campo, e o seu time preferiu jogar com um jogador a menos.

Num outro jogo, também contrariando a vontade de todos, Felício novamente, após muitas brigas e discussões na escolha, é escalado.
O campo da chácara tinha dimensões reduzidas e jogavam cinco craques de cada lado. Num determinado lance, o goleiro do time dele joga a bola com as mãos tentando alcançar um atacante próximo do gol adversário, mas eis que na trajetória da bola, na altura do meio do campo, surge Felício que, num salto surpreendente, sobe a uma altura de 2,5 metros e, de costas para o gol contrário, mata a bola no peito e, num espetacular giro de 180 graus, dá um violento chute e faz a bola explodir na parte de baixo do travessão e, em seguida, aninhar-se no fundo das redes. Pasmo geral, todos os presentes atônitos e estupefatos. Aquilo a que presenciavam era um fato impossível de acontecer, uma verdadeira miragem.

Nesse momento, um dos jogadores do time adversário, também não acreditando no que acabara de ver, grita:
“Felício, o seu gol está anulado. Por princípio, você não tem condições técnicas para realizar uma jogada dessas. Isso só Pelé fazia. Não vi, mas você deve ter usado a mão para ajeitar a bola!”.

O interessante é que todos os presentes, dentro do campo e fora dele, inclusive os seus próprios companheiros de time, concordaram com a argumentação apresentada e também acharam que o gol antológico deveria ser anulado.

Nesse momento, Felício se rebela, não aceitando a decisão unânime que havia sido tomada, e retira-se do campo, sobe em seu carro e, dizendo impropérios que aqui não podem ser reproduzidos, parte prometendo nunca mais voltar.

Foi uma alegria geral.


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