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Contos-->A Broca! -- 08/05/2009 - 11:56 (Antonio Accacio Talli) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A Broca
Antonio Accacio Talli

Dr. Peixoto, exímio cirurgião bucomaxilofacial, fazendo clínica apenas para selecionar casos cirúrgicos, queria por força fazer a limpeza dos meus dentes com um novo, moderno e revolucionário aparelho que comprara (motor a jato d’água).

Iria usar um novo método que ele havia bolado e tinha certeza absoluta de que, após a limpeza, eu me tornaria “garoto-propaganda” de algum creme dental, pois os dentes ficariam brancos e brilhantes.

Depois de muita insistência, e como eu precisava tratar de uma cárie, topei a parada, sabendo de antemão que o tratamento era no “peito”.

Fomos para o seu consultório, no período da manhã, e ao sentar na cadeira com um babador que ele colocou no meu pescoço, notei que a sala era enorme e com um carpete velho e descorado. Peixoto, por sua vez, colocou um gorro torto na cabeça e uma máscara que só protegia seu queixo. Antes de ligar o motor a jato e começar o tratamento, pediu dois minutos para terminar uma dentadura, pois uma cliente viria buscá-la.

Então, perguntei-lhe:
“Onde está a dentadura?”.

Peixoto retirou de uma pequena estufa uma fôrma de aço, colocou-a em cima de uma pequena mesa e respondeu:
“A dentadura está dentro da fôrma e, com manobras suaves e delicadas, você vai ver como ela sai da fôrma”.

Passou a mão num martelo que, pelo tamanho, parecia uma marreta, e começou a dar violentas marretadas na fôrma, sendo que por várias vezes esta escapuliu e caiu no carpete.

Era pancada de todo lado, até que a fôrma abriu e eu, certo de que a dentadura tinha se transformado em pedaços, fiquei surpreso: dentro da fôrma, em vez de pedaços, via-se apenas pó.

Deixando de lado a ex-dentadura, ele partiu para cima de mim e disse:
“Abre a boca”.
Eu já estava resolvido a abandonar o tratamento, mesmo sendo de graça, mas, ao ver a marreta ao lado do motor, fechei os três olhos e entreguei os dentes a ele e a alma a Deus. Pensei:
“Agora estou perdido”.

Peixoto passou a mão no motor, que estava sendo inaugurado naquele instante, e ligou-o. Levei um banho de graxa na cara e um ferro (depois fiquei sabendo que era a broca) soltou-se do motor e passou raspando a minha cabeça. Escutei um barulho de ferro com ferro e percebi que a broca batera na base da cadeira onde eu estava sentado.

Peixoto, de gorro e máscara, ajoelhou-se e começou a procurar a broca no carpete, movimentando-se como se fosse um cachorrinho, e a todo momento lamentava-se e -exclamava:
“Essa broca é de platina e custa mais de R$ 3 mil; e agora?”.

Vendo que ele não achava a broca, desci da cadeira e, com o babador preso no pescoço, resolvi ajudá-lo na busca, preocupado em ter que pagar os R$ 3 mil.

Ficamos uns 30 minutos procurando a broca; fizemos uma verdadeira varredura na sala, e nada de achá-la.

Foi aí que me lembrei do tilintar da broca batendo na cadeira e ao enxergar um buraco em sua base, falei:
“Peixoto, será que não está dentro deste buraco?”.

Imediatamente, ele meteu a mão naquele buraco escuro e por sorte achou a broca perdida; porém, sua mão saiu preta de graxa. Em seguida, sem lavá-la, colocou a broca no aparelho e deu continuidade ao tratamento, sem dar tempo de eu esboçar qualquer reação.

Pedi que obturasse o dente cariado e tentei manter a tranqüilidade pensando em outras coisas e não me concentrando no que Peixoto fazia.

Depois de ter terminado o tranqüilo tratamento, fui ao banheiro e, ao olhar no espelho, tremi, vendo os dentes escuros, quase pretos, pela graxa; ao lavar a boca e cuspir, a obturação desprendeu-se, deixando um enorme buraco no dente.

Para piorar as coisas, além de ficar com os dentes escuros, ganhei novo e enorme buraco num dente totalmente sadio. Peixoto abrira e obturara o dente errado.
Entrei com os dentes amarelos e um pequeníssimo buraco. Saí com os dentes pretos, o pequeníssimo buraco e uma verdadeira cratera num outro dente. Eta tratamento revolucionário!


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